Caprinovinocultura

Parceria garante carne de qualidade

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Iniciativa no Rio Grande do Sul promove integração desde a propriedade até o consumidor e ajuda a organizar a cadeia produtiva

Denise Saueressig
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A necessidade de organização da cadeia é consenso entre os representantes da ovinocultura brasileira. Para estimular a produção e também o consumo da carne, é preciso que o trabalho esteja alinhado desde o campo até a mesa.

Iniciativas que valorizam a qualidade nas diferentes etapas do processo são bem-vindas entre um setor que tem grande potencial de crescimento. No Rio Grande do Sul, uma parceria que envolve produtores, indústria e restaurante vem conquistando resultados positivos e comprova que o esforço conjunto vale a pena.

Para conseguir a padronização dos cordeiros que recebe e, consequentemente, da carne que entrega ao mercado, o sócio- proprietário do Frigorífico Coqueiro, Luiz Roberto Saalfeld, vem trabalhando com dois fornecedores que buscam os ovinos em diferentes municípios, fazem a terminação em suas propriedades e transportam os animais até a indústria em São Lourenço do Sul, no Sul do estado. “Entre os dois parceiros, recebo em torno de 100 cordeiros por semana, com expectativa de aumento desse número nos próximos meses”, conta o empresário, calculando que é possível trabalhar com volume entre 200 e 300 animais semanalmente.

Com 28 anos de atuação, o Coqueiro chegou a paralisar os abates de ovinos por alguns anos, já que havia dificuldade no fornecimento de cordeiros durante o ano todo. “Tínhamos problemas para conseguir animais bem terminados com a regularidade necessária para atender os clientes”, resume Saalfeld.

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Cordeiros são terminados em confinamento por período que varia entre 35 e 40 dias na propriedade do produtor Ricardo Serpa

O trabalho na configuração realizada hoje iniciou há cerca de cinco anos e atende os compradores que também adquirem carne bovina do Coqueiro. Entre os estabelecimentos que recebem os cortes estão mercados de bairro, casas de carnes e restaurantes de Porto Alegre e Região Metropolitana e de municípios do Sul do Rio Grande do Sul, como Pelotas e Rio Grande.

Para manter o padrão do produto ofertado, o desejável são animais com idade máxima de 11 meses e carcaças com peso entre 16 e 18 quilos, além de um bom acabamento de gordura, ou seja, nem excessiva, nem escassa. “A busca é sempre pela alta qualidade e pelas consequentes satisfação e fidelidade dos clientes”, destaca o empresário, que afirma pagar um valor diferenciado aos produtores responsáveis pela terminação e pelo transporte dos cordeiros.

O sistema integrado adotado pelas cadeias de aves e suínos do País é o modelo que serve de exemplo para a ovinocultura, observa Saalfeld. “Claro que as proporções são bem diferentes, mas é esse tipo de processo que precisamos observar para promover um maior desenvolvimento do setor”, considera.

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Roberto Majó de Oliveira, proprietário do Fazenda Barbanegra: parceria contribuiu para a regularidade no fornecimento da carne

Cordeiro valorizado

O ovinocultor de São Lourenço do Sul Ricardo Serpa é um dos parceiros do Coqueiro. Para iniciar o transporte e a terminação dos animais, ele conta que teve o apoio do Programa Juntos para Competir, iniciativa da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS).

Depois de adquirir um caminhão para a realização do trabalho, o produtor iniciou a entrega dos cordeiros em março de 2016. Os animais são de diferentes raças, com destaque para a Corriedale, e têm origem em propriedades de municípios como Herval, Pedras Altas, Arroio Grande, Pinheiro Machado e Sant’Ana do Livramento.

Durante o tempo de permanência dos ovinos na propriedade, que varia entre 35 e 40 dias, Serpa é responsável pela alimentação do rebanho e pelos protocolos sanitários recomendados. Quando necessário, um veterinário designado pelo Juntos para Competir presta auxílio técnico gratuito ao produtor. “Pago aos criadores pelos animais vivos e o custo da engorda é meu”, resume.

Serpa entrega 30 animais por semana ao Coqueiro, mas acredita que em breve ampliará esse número. “Notamos que os criadores que trabalham conosco desde o ano passado vêm conseguindo aumentar sua produtividade”, constata, lembrando que o cordeiro está valorizado no Rio Grande do Sul, com preço médio em torno de R$ 6 o quilo vivo.

Regularidade no cardápio

Em Porto Alegre, o Restaurante Fazenda Barnanegra realiza todas as quartas-feiras a “Noite do Cordeiro”, quando entram no cardápio pratos elaborados com a carne fornecida pelo Coqueiro. O restaurante recebe por semana duas carcaças inteiras do frigorífico e convida os clientes a provarem os diferentes cortes que são preparados na churrasqueira.

Desde a inauguração do restaurante, há dez anos, havia a vontade de trabalhar com a carne ovina no cardápio. Algumas tentativas ocorreram, mas oscilações no padrão e no fornecimento geraram insegurança em relação à rentabilidade do negócio. “Recebíamos dois tipos de retorno dos consumidores: ou uma grande satisfação ou uma grande decepção”, recorda o proprietário do Fazenda Barbanegra, Roberto Majó de Oliveira.

Agora, com regularidade e qualidade no recebimento do produto, o empresário acredita que em breve poderá avaliar a incorporação do cordeiro no menu diário. “Hoje o processo está mais maduro e conseguimos oferecer semanalmente uma carne macia e com bom equilíbrio de gordura, características que atendem ao paladar dos nossos clientes”, relata.