Brasil de A a Z

Acasalamentos dirigidos: buscar o TOP 0,1% ou a morfologia mais produtiva e funcional?

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, outubro é mês de temporada forte de acasalamentos dirigidos, atividade que iniciamos em setembro e segue até novembro.

Os acasalamentos devem anteceder a estação de monta, que por sua vez só pode ser iniciada a partir de um volume mínimo de chuvas. Sendo assim, a estação de monta deve apresentar variações dependendo da região do Brasil, o que me permite um planejamento estratégico de logística para atender nossos clientes distribuídos pelo território brasileiro e também na Bolívia – mesmo assim a correria é bruta! Escrevo sempre esta coluna em torno do dia 20, e até agora a chuva não mostrou muito a cara na maioria dos clientes que visitei, salvo exceções em algumas regiões particulares. Ainda no dia 19/10, peguei uma chuva pesada em Santa Cruz/BOL que quase nos deixou presos na fazenda, mas felizmente concluímos o trabalho e conseguimos chegar à cidade.

Além da imprevisibilidade do clima, a instabilidade na política e no setor agropecuário continua nos pregando peças, em uma verdadeira “montanha russa” de altos e baixos. A última paulada que tomamos no setor foi a interrupção dos abates em uma série de plantas do JBS.

Como sempre digo nesta coluna, nós, produtores, não temos tempo nem perfil para ficar somente reclamando da seca ou do governo, pois acordamos cedo, arregaçamos as mangas e fazemos a nossa parte. Sou otimista e sempre acreditei que mudanças/crescimento passam por um processo de instabilidade, para depois reacomodar/estabilizar, e, como mudar é preciso, creio que por mais doloroso que seja, estamos em um momento importante, e realmente espero que este País evolua em sua moral e seriedade na política.

Voltando ao rumo da prosa que dá título a esta coluna, acasalamento dirigido é um dos trabalhos mais prazerosos para mim, mal termino uma empreitada e fico ansioso para saber como serão os futuros touros e matrizes. Porém, o ciclo em bovinos de corte não é rápido assim. Só avaliaremos os produtos depois de praticamente um ano e meio, quando vemos os bezerros em ponto de desmama, e quase três anos quando concluírem avaliações de 18 meses – a partir desse momento é que definimos o rumo de seleção e venda para os machos e seleção e venda/ reposição para as fêmeas. Ou seja, paciência é uma virtude.

Amigos, nós não podemos errar nessa ação, pois as consequências são muito impactantes no futuro do rebanho. Por isso, o que devemos priorizar para a tomada de decisão nessa hora? Buscar o TOP do TOP nas avaliações genéticas, utilizando os touros de ponta de sumário de olhos fechados ou perseguir um tipo morfológico que julgamos ideal do ponto de vista produtivo e funcional?

Existem trabalhos que radicalizam para extremos. Para os números, temos exemplos de projetos pragmáticos em utilizar somente a ponta dos sumários para um determinado índice, outros radicalizam utilizando somente campeões de pista, incorrendo no erro de não considerar interação genótipo x ambiente - um erro fatal!

Nós da BrasilcomZ acreditamos no equilíbrio, na busca de solidez nos números, mas sem deixar de lado um direcionamento fenotípico perseguindo biótipo precoce e um tipo morfológico sem defeitos funcionais e com boa expressão racial.

Avaliar a régua de DEPs para acasalar é muito mais preciso do que buscar simplesmente a otimização de um índice, porém, é mais complexo e depende da capacidade de interpretar quais características devem ser priorizadas em um rebanho e especificamente em uma matriz. Na parte morfológica, corrigir uma garupa muito angulada, uma marrafa grosseira, uma despigmentação e um biótipo extremamente compacto ou muito tardio, é a arte de construir indivíduos e, principalmente, um rebanho com identidade e maior aproveitamento dos produtos.

Unir conhecimento de linhagens, avaliar anualmente quantidades grandes de produtos em grupos de manejo bem formados ter vivência e conhecimento para interpretar as avaliações genéticas parece ser o caminho mais racional para obter êxito na produção de semente melhoradora (touros) para a atividade pecuária.

É isso aí! Vamos que vamos!