Santo Capim

ESTABELECENDO A PASTAGEM

Santo

Parte final

Dando continuidade ao conteúdo da edição anterior cuja abordagem se baseia nas diferentes etapas de um programa de estabelecimento da pastagem e os procedimentos padrões de cada etapa, neste artigo concluiremos a etapa de execução.

7.9) Controle de plantas invasoras: o preparo de solo, principalmente durante o período da seca, por si é um método de controle das plantas invasoras, principalmente quando é profundo, mas principalmente o de aivecas (controle mecânico); a compra de sementes com alta porcentagem de pureza constitui métodos de controle preventivo e cultural. Ao seguir todas as etapas e procedimentos discutidos até aqui, o controle químico com o uso de herbicidas também consiste em um método. Quando do uso de herbicidas, há uma “janela” de aplicação para que o controle seja eficaz, de até 45 dias após o início da germinação das sementes ou da brotação das mudas da planta forrageira.

7.10) O primeiro uso - corte ou pastejo: essa é uma das etapas que mais gera dúvidas. É interessante que desde o início da década de 1970, já havia procedimento padronizado para que o primeiro uso da pastagem ocorresse 60 dias após o plantio. Ainda persistem conceitos errados que só atrapalham e retardam o retorno mais rápido do capital investido pelo produtor. Os dois conceitos que predominam são os seguintes: “no primeiro ano de plantio da pastagem, a planta tem de produzir sementes para aumentar o número de plantas e formar bem”; “no primeiro ano de plantio da pastagem a planta tem de produzir sementes para aumentar o enraizamento, senão os animais a arrancarão com a boca durante o primeiro pastejo”. Esses dois conceitos carecem de embasamento técnico- -científico e de validação em campo.

Sob as condições climáticas adequadas, a germinação ou a brotação das mudas terá início entre cinco e 15 dias após o plantio. A partir daí deve-se ficar atento ao ataque de formigas e a presença de invasoras, as quais deverão ser controladas, o mais rápido possível. Ficar atento também às possíveis deficiências de nutrientes, principalmente nitrogênio e enxofre. A construção da infraestrutura de aguada, saleiros e sombreamento deve ser iniciada. Toda a infraestrutura da pastagem já deverá estar pronta, até 30 dias após o início da germinação das sementes ou brotação das mudas (35 a 45 dias após o plantio) para que o primeiro pastejo seja feito.

Os parâmetros em campo para a tomada de decisão sobre o momento do primeiro pastejo deve ser o da cobertura do solo pela planta forrageira (quando mais de 75% do terreno estiver coberto) e a altura média do pasto, a qual varia de espécie para espécie e de cultivar para cultivar forrageiro. Quando isso ocorrer, colocar os animais na área, senão começa a haver perdas de forragem por tombamento. Os animais deverão pastejar em torno de 25% a 30% da altura do pasto e depois devem ser trocados de piquete. Após o segundo ciclo de pastejo, iniciar o uso padrão da pastagem de acordo com a espécie forrageira, a época do ano e o nível de intensificação do pastejo.

Se por alguma razão não for possível colocar os animais no piquete, na condição ideal de pastejo, recomenda- se, desde que possível, o corte seguido da colheita da forragem para a confecção de silagens, ou pré- -secados, ou fenos que serão armazenados ou fornecidos aos animais.

A abordagem dessas etapas e os procedimentos específicos de cada uma podem parecer óbvios, entretanto, o fato que se observa em campo é que, na maioria das vezes, produtores e técnicos negligenciam muitas etapas e procedimentos padrões.

Seguir todos esses passos implica em um investimento entre R$ 1.000 e R$ 2.000/ha (plantio por sementes) ou de R$ 2.500 a R$ 3.500/ha (plantio por mudas). Esse programa tem como metas alcançar uma produtividade mínima de 8.000 kg a 10.000 kg de matéria seca/ha no primeiro ano, uma taxa de lotação entre 1,6 e 2,1 UA/ha, possibilitando a amortização do investimento já no primeiro ano. Essas metas poderão ser alcançadas no primeiro ano sem adubações após cada pastejo, somente com os nutrientes provenientes da fertilidade natural do solo, entre outros produzidos no processo. Todavia, se adubações forem feitas após cada pastejo, as produtividades de forragem poderão alcançar até 30.000 kg de MS/ ha, quantidade de forragem suficiente para alimentar taxas de lotação da ordem de 6 UA/ha. Lembre-se que a implantação da pastagem pode ser realizada com uma cultura agrícola associada, com redução significativa no valor do investimento, mas esse será tema para outro artigo.