Silagem

Feijão para bovinos

Silagem

Silagem produzida com a variedade guandu pode reduzir em até 30% os custos com ração

A utilização do feijão-guandu na produção de alimento conservado utilizado em confinamento de bovinos de corte foi uma das recomendações realizadas pela equipe técnica do programa Mais Inovação do Senar/MS - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural com objetivo de proporcionar economia e ganho de peso dos animais da região.

Experimentos feitos pela Embrapa Cerrados desde a década de 1980 demonstraram que a planta já era utilizada tanto na alimentação animal, como em pastagem exclusiva ou consorciada. Outras opções de fornecimento aos animais seriam na forma de forragem verde, feno e componente de mistura para silagem.

Além disso, mais recentemente, foram analisados os ganhos nutricionais de solos em diferentes estágios de degradação ou com baixa fertilidade. Dessa forma, a vantagem para o produtor rural é dupla, já que a cultura contribui com a fixação do nitrogênio, possui boa adaptação e tem mais resistência nos períodos de estiagem e pode ser planejada para ser colhida e preparada para silagem.

Um exemplo de uso do grão para alimentação animal em Mato Grosso do Sul aconteceu no município de Camapuã, na propriedade San Lopes, especializada na cria, recria e engorda de animais das raças Angus e Brangus. O atendimento oferecido pela assistência técnica e gerencial do Senar/MS estimulou o proprietário a investir na construção de uma área para confinamento e iniciar um planejamento que oferecesse alimentação para o rebanho durante todo o ano.

A indicação do feijão-guandu foi feita com supervisão do pesquisador da Embrapa Gado de Corte Alexandre Agiova, que há alguns anos vem estudando as propriedades nutritivas da leguminosa. A produção registrada totalizou, já na primeira colheita, 2,3 mil toneladas de silagem produzida em conjunto com sorgo e forragem, o que pode significar uma economia de até 30% nos custos com compra de ração.

Para realização do projeto, foi destinada uma área de aproximadamente 120 hectares nos quais foram cultivados 60 hectares de milho com capim piatã e outros 60 hectares com sorgo, guandu e piatã. As duas combinações foram transformadas em silagem e o mix que recebeu a leguminosa apresentou maior rendimento, cerca de uma tonelada a mais, informou o produtor rural.

Palavra do produtor

Há quase 30 anos, o produtor rural Gilvan Santana Lopes trocou a vida agitada na capital de São Paulo pelo município de Camapuã, localizado na Região Norte de Mato Grosso do Sul e uma de suas principais preocupações sempre foi produzir alimentação compatível com a resposta fisiológica do gado.

“Eu já praticava sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), alternando plantio de milho e soja com forrageiras. Mas resolvi investir na produção de silagem formada com sorgo e feijão-guandu e não me arrependo, pois, já na primeira experiência, obtivemos 25 toneladas por hectare, resultantes do trituramento da forrageira e da leguminosa juntas”, explica.

Quem explica com detalhes o projeto é o agrônomo Leandro Silveira, técnico de campo do programa: “Quando terminei de explicar quais seriam as etapas do planejamento, o senhor Gilvan me disse com muita sinceridade que o objetivo principal dele seria produzir alimentos de qualidade para os animais. Considerando que ele faz o acabamento de um rebanho com alta performance em confinamento, resolvemos iniciar uma experiência com vários tipos de silagem, que vão do milheto até o feijão-guandu”, apontou o agrônomo.

Silveira reforça que, além dos ganhos obtidos na alimentação, a produção diversificada de pastos refletiu no aumento da taxa de lotação da propriedade. “O monitoramento realizado junto ao produtor comprovou que, no período de um ano, a taxa de lotação aumentou de 0,7 para 3 UA (unidade animal) por hectare. Na prática, isso significa que as áreas possuem mais pasto e houve diminuição nos índices de degradação, visto que é comprovada a capacidade de fixação de nitrogênio oferecida pelas raízes do guandu”, conclui.