Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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O CONFINADOR

REATA FINAL

O ano está acabando e, para muitos, o mercado de boi em 2009 também já deu o que tinha que dar. As exportações não estão indo bem, o dólar baixo não tem ajudado muito no faturamento lá fora. No mercado interno está sobrando carne e o gado confinado da entressafra, mesmo sendo em menor quantidade em 2009, tem colaborado, em parte, com a queda do valor da arroba.

Projeção dos valores em U$S/tonelada da carne bovina no mundo (FAPRI)

As chuvas, em algumas regiões, foram constantes, o que ajuda a trazer um gado melhor para o início de 2010. Pode ser que, quando a oferta de boi confinado realmente acabar, os pecuaristas segurem os animais no pasto, forçando uma melhora nos preços. A situação é delicada para os confinadores, que, com o gado pronto, só podem vendê-lo. Mas isso, se ocorrer, não será agora. Atualmente, a quantidade de gado confinado nas escalas dos frigoríficos já está diminuindo. Devemos considerar também que grandes frigoríficos possuem sua reserva estratégica de matéria-prima. Seus confinamentos ajudaram a alongar as escalas e estão muito bem localizados.

Até o final do ano, pouco pode acontecer. No último levantamento realizado entre os associados da ASSOCON, constatou- se uma quebra de 19,5% com relação ao que foi confinado em 2008. Nesse ano provavelmente serão confinadas algo em torno de 379 mil cabeças pela entidade. O que pesou para essa redução foi: diminuição do prêmio para as fazendashabilitadas para exportar à União Europeia, chuvas regulares que mantiveram o gado no pasto ao invés de ser confinado e queda no preço da arroba. As justificativas, por parte da indústria, para a queda do valor da arroba, são a diminuição das exportações (em volume e valor) e estagnação do consumo (resultado da crise mundial).

Jogando com os números, se tivermos uma queda de 19,5% também no total confinado no Brasil, de 2,7 milhões de cabeças em 2008, vamos para aproximadamente 2,2 milhões de cabeças, 526 mil animais a menos. Isso não é muito em quantidade de fazendas se colocarmos aí alguns grandes grupos que diminuíram muito a quantidade de animais alojados em confinamento. Boa parte desses números são deles, pois, ainda no Brasil o confinamento é estratégico e o maior custo é o do gado magro, que, neste tipo de confinamento, não vem com o valor de mercado, dando uma folga nas contas finais e maior margem para a tomada de decisão.

Sobre as aquisições e recentes fusões que ocorreram, estas assustaram os pecuaristas. Em algumas localidades as opções ficaram muito reduzidas. Para se ter ideia, os seis maiores frigoríficos do Brasil respondem por mais de 34% do abate nacional. Entretanto, essa consolidação recente do setor era uma realidade e muitas vezes divulgada pela mídia ou através de boatos. Hoje, os maiores que abatem boi também abatem aves e suínos.

O poder de mercado, hoje, está com os frigoríficos. A produção pecuária é muito dispersa e, assim, uma única planta frigorífica pode concentrar o abate de mais de 2 mil produtores locais. Obviamente que o varejo tem um poder de barganha maior que o frigorífico, tem mais pontos de distribuição, marketing, entre outros. Tem sido do varejo a maior margem se considerarmos os três principais agentes da cadeia.

O consumo total de carnes no Brasil, em 2008, segundo o ANUALPEC 2009, foi por volta de 94,6 kg per capita, sendo que 39,2 kg de carne bovina, 41,5 kg de carne de frango e 13,9 kg de carne suína. Em 1991, o consumo era de 15 kg per capita de carne de frango e de 25 kg per capita de carne bovina. A carne de frango tornou-se muito competitiva, com preços mais acessíveis. A renda do brasileiro cresceu suficientemente de forma a prover maiores consumos de carne de aves e em menor quantidade a bovina. Segundo estimativa da AGE/MAPA, nos próximos 10 anos (08/09 a 18/19), a produção de carne de frango crescerá 4,22%, carne bovina 3,5% e carne suína 2,84% ao ano. Já o consumo interno de carne de frango crescerá 2,57%, carne bovina 2,2% e carne suína 1,79% ao ano. A projeção para o consumo é boa e em linha com recentes projeções da FAPRI (Food and Agricultural Policy Research Institute) sobre produção e consumo para o mundo.

Com relação aos valores em U$S/ tonelada da carne bovina no mundo, a FAPRI também possui uma projeção em que prevê melhora dos preços. Para o Brasil, fica a expectativa de mudança no câmbio para que, em reais, esses números se traduzam em benefícios aos exportadores.

Nos últimos anos, tivemos uma redução na quantidade de animais abatidos, mas já é sinalizada uma reversão desse quadro. Também para os próximos anos, espera-se uma melhora nas vendas externas e aumento do consumo interno. O confinamento deverá crescer e a diferença entre safra e entressafra, diminuir, mas ainda existir. Por isso é muito importante aproveitar as opções de negociação que o mercado oferece para estar bem posicionado no momento da venda de sua produção. As margens tendem a ficar mais estreitas e o ganho será na produtividade. A sinalização que o mercado futuro dá para a entressafra de 2010 não é muito animadora para os invernistas, mas ainda é cedo, podemos ter mudanças.

Planejamento da ASSOCON para 2010

Para o ano de 2010 a ASSOCON planeja diversas atividades no âmbito técnico e de caráter institucional. Pretende- se, com isso, maior proximidade com os associados, estreitar relações da entidade e empresas parceiras, que vão fomentar nosso trabalho e ajudar a difundir os valores que defendemos, aumentar a representatividade da ASSOCON e gerar informação de qualidade para os integrantes da cadeia.

Para tal, algumas ideias serão implantadas, como a criação de uma escola de capacitação para produção de gado confinado. Nesse projeto, funcionários de propriedades e interessados poderão aprimorar seus conhecimentos ou capacitar- se na atividade, por meio de alguns temas que serão abordados, como: gestão e planejamento de confinamento, nutrição e sanidade animal, manejo racional, operação de máquinas e equipamentos. Esses cursos terão a duração de uma semana e serão realizados em regiões estratégicas para a atividade de confinamento.

Dias de campo abordando temas como mercado do boi, técnicas de manejo e planejamento para a atividade de 2010 serão realizados a fim de dar um suporte aos pecuaristas que procuram informações para melhor se posicionarem no mercado. Esses eventos acontecerão em propriedades associadas com o auxílio de empresas parceiras à ASSOCON.

Além desses projetos que visam à capacitação e informação do setor, a atuação institucional da ASSOCON continuará forte, com participação em feiras pelo Brasil, como o ENIPEC, em Cuiabá, e a FEICORTE, em São Paulo. Em setembro de 2010 a 3ª edição da INTERCONF promete reunir grandes articuladores da pecuária nacional e promover um debate histórico. Mais uma vez a INTERCONF será realizada em Goiânia e pretende levar a discussão sobre a cadeia a um patamar mais elevado.