Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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NUTRIÇÃO

Olho no Futuro

Após ano difícil, setor de alimentação animal prevê recuperação em 2010

A indústria de alimentação animal brasileira se esforça para terminar o ano sem déficit na produção. A expectativa deve-se ao fato de o setor ter registrado queda de 1,6% nos primeiros nove meses de 2009 ante o mesmo período do ano passado, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

A bovinocultura de corte apresentou de janeiro a setembro queda de 7,1% no consumo de ração no período, comparando com o mesmo período do ano passado. Os motivos para este recuo, segundo o Sindirações, foi o descompasso na relação do valor da arroba do boi, o preço do bezerro, a retração do dólar e os fatores climáticos. A bovinocultura de leite apresentou retração de 10% no consumo de rações, foi o segmento de maior diminuição.

Segundo Fernando Cardoso Filho, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), essa retração deve fazer com que o consumo de suplementos no ano feche com recuo entre 6 a 8%. “Choveu muito em quase todo o Brasil, tivemos pasto verde praticamente o ano inteiro, o pecuarista não teve a necessidade de suplementar seu gado”, justifica. Para ele, o criador tirou o pé do acelerador e suplementou menos esse ano para se acertar com o preço e melhorar o fluxo de caixa. “O suplemento mineral é igual a adubo, é desembolso, às vezes é melhor deixar o dinheiro no banco. Mas a tendência é que assim que melhore o preço no mercado interno, o pecuarista suplemente mais e melhor”, afirma.

Os produtos destinados à mistura e formulação de ração, muito usada pelos confinadores de gado, foram os mais afetados. “Esse ano confinou-se menos gado, os produtores estavam preocupados com a situação econômica e retardaram o confinamento deixando o rebanho o maior tempo possível no pasto”, revela Cardoso Filho. Com este resultado, as empresas passaram a vender o que tinham pelo preço que o mercado pagava. Outras investiram na linha branca com o sal mineral convencional.

Outro produto que apresentou grande queda no preço foi o fosfato bicálcico, que registrou o valor mais baixo dos últimos cinco anos, sinalizando nos primeiros nove meses de 2009 recuo de 55%. Para o consultor Alex Santos Lopes da Silva, uma das causas dessa desvalorização é sua matéria-prima, o ácido fosfórico, que é o mesmo produto utilizado para fazer fertilizante fosfatado. De todo o fósforo produzido, cerca de 90% é destinado à produção de fertilizante e apenas 10% é destinado à fabricação de fosfato bicálcico para a nutrição animal. Segundo o consultor, o fertilizante acompanhou os preços das commodities e teve um preço recorde ano passado. Além disso, muitos produtores, animados com esses altos preços da agricultura, começaram a adquirir bastante fertilizantes, o que resultou em grandes estoques de bicálcico.

O milho e o farelo de soja também apresentaram recuo. “Nós vimos, no ano passado, uma disparada no preço das commodities de soja e de milho, então entramos 2009 com os preços lá em cima”, revela Silva, lembrando que já se verifica diminuição destes patamares. “Tínhamos os preços do farelo de soja na casa de R$ 1 mil e, agora, já estamos em R$ 700. Existe uma diminuição dos custos, isso também envolve a questão da demanda”, afirma.

Expectativa para 2010

Após o cenário de incertezas de 2009, o setor de alimentação animal mantém os pés no chão e não espera grandes crescimentos para 2010. Para Sérgio Carlo Franco Morgulis, diretor de Suplementos da Sindirações, o que irá direcionar o mercado serão os fatores climáticos e o preço dos produtos finais, como valor da arroba e do leite, frente ao preço dos insumos. Segundo o diretor, a partir do momento em que o mercado mundial de carnes apresentar uma recuperação, o Brasil voltará a exportar mais e o setor de nutrição também se beneficiará. Mas, em contrapartida, o valor do dólar está muito baixo, o que ainda tira a competitividade da pecuária brasileira lá fora.

Fernando Cardoso ressaltou que há boa chance de que, no ano que vem, países que estão ao redor da China, mais conhecidos como ‘países amarelos’, cresçam, aumentando a demanda de consumo de alimento, não apenas para carne vermelha, mas também para a carne branca e grãos. “Esperamos que 2010 seja um ano bom, no qual toda a cadeia possa ser bem remunerada”, revelou durante o 6° Simpósio Nacional da Indústria de Suplementos Minerais, realizado em São Paulo/SP.

Para ele, há possibilidade de que haja recuperação do preço da arroba e no mercado de suplementos, porém o mercado internacional não deverá apresentar grande crescimento. Outro fato que preocupa o setor é a questão das eleições que acontecem ano que vem. “A pecuária vai servir de saco de pancada para muito candidato que não entende nada do assunto. Como eles têm que falar mal de alguma coisa, provavelmente será dela”, finaliza o presidente da Asbram.