Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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MERCADO DO COURO

EFEITO JBS

Entrada da gigante no mercado eleva couro verde a novo patamar de preço

Fabiano R. Tito Rosa - Zootecnista e consultor Scot Consultoria

Em 2009, a cadeia do couro sofreu com os impactos da crise internacional. A demanda, bastante atrelada ao desempenho dos setores automotivo e moveleiro (além do calçadista), recuou significativamente em todo o mundo. Acompanhe o desempenho das exportações de couro do Brasil na figura ao lado. Vale destacar que as exportações são, realmente, o “termômetro” do setor, uma vez que mais de 70% da produção nacional é negociada no mercado internacional.

O volume exportado até que não recuou muito (1% entre 2008 e 2009). O problema esteve no faturamento, que despencou 46% na comparação de janeiro a outubro de 2009 com o mesmo período do ano passado. Logicamente que esse foi o resultado nefasto da queda dos preços internacionais a partir de setembro de 2008 (“estouro” da crise). O fato é que, com a crise, os importadores passaram a adquirir apenas o estritamente necessário, buscando, inclusive, pagar o mais barato possível. Não bastasse isso, os curtumes ainda estão tendo que lidar com a valorização do real.

As dificuldades de venda pressionaram negativamente o mercado do couro verde, a matéria-prima dos curtumes, que é fornecida pelos frigoríficos. Mesmo com a produção em queda, o couro verde no Brasil Central iniciou 2009 (média de janeiro) cotado em R$ 0,68/kg, chegando a R$ 0,45/kg no início de junho, uma retração de 34%. Aliás, nenhum outro derivado bovino perdeu valor como o couro verde ao longo dos últimos anos.

Porém, num movimento inesperado, a JBS Friboi partiu para o curtimento das próprias peles, retirando- as do mercado. A JBS, que até então era a maior fornecedora de couro verde para os curtumes brasileiros, se tornou o maior curtume do planeta, com a incorporação da Bracol (do grupo Bertin) e da BMZ.

Diante dessa súbita diminuição de oferta, o mercado do couro verde passou a trabalhar em alta. Entre o início de junho e final de novembro o reajuste já havia alcançado quase 167%! Veja a figura ao lado. O fato é que o “efeito JBS” levou o couro verde a um novo patamar de preço. Agora é a recuperação gradual das vendas de couro curtido que tem sustentado novos aumentos.

Já tem quem aposte que o couro verde irá alcançar R$ 1,50/kg no início de 2010. Bom para os frigoríficos, complicado para os curtumes. A não ser que as vendas de couro curtido também se aqueçam significativamente. A recuperação da economia mundial traz esperanças com relação ao aquecimento do comércio internacional de couro. Porém, justamente a peça principal dessa armação, os EUA (seja o couro ou os produtos/artefatos de couro, quase tudo acaba lá), ainda está meio fora de esquadro.