Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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CRUZAMENTO

DE VOLTA AO TOPO

Cruzamento industrial volta impulsionado pelo melhor entendimento do pecuarista

Em um passado recente, acreditava-se que somente o fato de misturar raças era suficiente para produzir animais precoces e com excelente acabamento de carcaça. Dessa forma, inúmeros pecuaristas pagaram caro pelo uso incorreto do cruzamento industrial. A hibridação desenfreada resultou na geração de animais tardios e de baixa produtividade, praticamente inviáveis para comercialização. Como consequência, a indústria passou a recusar o produto, levando esse mercado para uma crise que perdurou até poucos anos atrás.

A falta de atenção na escolha dos cruzamentos foi um dos fatores que determinaram o declínio da atividade. A grande maioria dos produtores utilizava touros e sêmen de animais sem avaliação genética ou com baixos índices para as características de crescimento e de reprodução. Mas, hoje, o criador aprendeu com seus erros e o mercado voltou a crescer. Dessa vez, mais profissionalizado e incentivado pelo surgimento de tecnologias, pesquisas de campo e programas de melhoramento genético que auxiliam na escolha de bons touros e fêmeas de cruzamento. “O produtor deve evitar erros como os cometidos no passado. É fundamental a escolha de reprodutores com avaliação genética positiva, principalmente para as características de crescimento e reprodução. Hoje, há capacidade técnica instalada no Brasil para orientar os produtores em termos de sistemas de cruzamento”, explica Pedro Franklin Barbosa, pesquisador aposentado da Embrapa Pecuária Sudeste e exímio conhecedor das técnicas de cruzamento.

O quadro mudou e as oportunidades de crescimento são bastante concretas para os próximos anos. O excelente desempenho obtido pelo mercado de sêmen de raças para produção de carne é um forte indicativo de que o sistema de cruzamentos está em nova fase de reaquecimento. As vendas de sêmen de raças de corte aumentaram 25,15% no primeiro semestre deste ano, sinalizando novo superávit em 2009. No ano passado, as centrais de inseminação comercializaram mais de 4 milhões doses, com excelente porcentagem de evolução para as raças taurinas e compostas. “É uma prática cada vez mais atraente, seja para o criador, seja para a sustentabilidade do negócio, já que os índices de produtividade são bastante elevados”, afirma Lino Rodrigues Filho, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), de Uberaba (MG). Mas a sustentação deste quadro também vai depender da sinalização do mercado.

“O mercado de carne bovina é dinâmico e muda de acordo com as exigências dos consumidores. Ainda há certa pressão dos frigoríficos quanto à padronização do peso, do acabamento das carcaças e da idade dos animais; entretanto, também existem nichos com exigências específicas”, lembra Barbosa.

Liderança entre as raças europeias

Mais uma vez, o Angus se mostrou uma das melhores opções para o cruzamento industrial. No ano passado, mais de 1 milhão de doses foram comercializadas, quantia três vezes superior ao somatório de todas as demais raças europeias, segundo Fernando Velloso, gerente do Programa Carne Angus Certificada, da Associação Brasileira de Angus. “E a projeção para este ano é ainda melhor, tanto para o mercado de sêmen, quanto para a venda de touros”, ressalta o executivo. A raça bateu novo recorde no primeiro semestre deste ano, com 367.340 doses vendidas, quase 68 mil a mais do que no mesmo período de 2008, de acordo com dados fornecidos pela ASBIA.

Para ele, a criação de animais puros se restringe ao Sul do país, porém os animais F1 (Angus x Zebu) se adaptam perfeitamente a quase todas as regiões, permitindo a disseminação da raça. “Os animais ½ sangue são muito produtivos e ficam prontos para o abate ainda jovens. Com a terminação adequada, eles produzem carne de altíssima qualidade, sendo aprovados, inclusive, no Programa Carne Angus e em abates realizados em São Paulo”, explica Velloso. A bonificação de 5% sobre a arroba cotada pelo índice Esalq/USP também serviu de estímulo aos pecuaristas para produção de carne nestes moldes.

O Brahman é outra raça que vem apresentando crescimento constante. Nos últimos dois anos evoluiu 4,44%, com 192 mil doses em 2008. “Os criadores estão descobrindo as vantagens do Brahman, principalmente em virtude do cruzamento industrial, cujos resultados são comprovados em abates técnicos e no programa de avaliação por marcadores moleculares”, assinala Lydio Cosac de Faria, diretor-executivo da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB). O diretor frisa que, em alguns painéis, exemplares da raça vêm apresentando maciez equivalente à dos gados de origem britânica. O Brahman está sendo utilizado principalmente no cruzamento com Nelore.