Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

SANIDADE

AFTOSA SOBRE CONTROLE

Classificação atual das “zonas de risco desconhecido” deve ser eliminada

O Brasil deve encerrar o ano com 380 milhões de doses de vacina contra febre aftosa comercializadas. De acordo com informações do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na primeira etapa oficial da campanha, realizada em maio, a cobertura vacinal atingiu 96,8% do rebanho nacional. No período, foram contabilizados 167.862.585 comprovantes entregues pelos produtores de bovinos e bubalinos. A expectativa é de que sejam vendidas mais 170 milhões de doses nesta segunda fase da campanha, número que deve ser atingido caso o ritmo verificado nos últimos meses persista.

Dados parciais da Central de Selagem de Vacinas mostram que no último trimestre foram para o mercado um mínimo de 135 milhões de doses. Em setembro, foram 10,3 milhões de doses, subindo rapidamente para 97,1 milhões em outubro. Somente nos primeiros dez dias de novembro, contabilizaram- se 27,5 milhões de doses. “Temos dois objetivos. Um é ampliar a área livre de aftosa com vacinação nas Regiões Norte e Nordeste e o outro é manter os trabalhos na atual zona livre, que representa 90% do rebanho bovino e bubalino do país”, diz a veterinária Francianne Abrantes Assis, coordenadora do PNEFA. Servem de base para as ações o fortalecimento dos serviços veterinários estaduais e a integração com outros países da América do Sul, principalmente aqueles de risco à pecuária brasileira.

De certa forma, é algo que está avançando, segundo autoridades envolvidas. “Já temos um relacionamento estreito com o Paraguai e um protocolo sanitário firmado com a Bolívia. Além disso, Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso), Idaron (Agência Sanitária de Defesa Agrosilvopastoril de Rondônia) e Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul) trabalham intensamente para garantir bons índices de vacinação nas regiões limítrofes”, relata Sebastião da Costa Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC). O único receio do dirigente é em relação à fronteira com a Venezuela. “Exportamos muito gado vivo para os venezuelanos. Quando os caminhões retornam, devem ser totalmente esterilizados”, afirma Guedes.

As doações para a Bolívia continuam nas diretrizes do programa. Neste ano, a Superintendência Federal de Agricultura do MS (SFA/MS) entregou 1,3 milhão de doses de vacina contra febre aftosa ao SENASAG, serviço nacional de sanidade agropecuária daquele país. “A cooperação com os bolivianos é essencial para a erradicação da doença em nosso território. A faixa fronteiriça do Brasil com a Bolívia tem três mil quilômetros e envolve os estados do MT, MS, AC e RO, áreas cobertas pelo plano emergencial, acordado para reforçar as ações conjuntas de fiscalização”, destaca Emílio Salani, presidente do Sindicato Nacional da Indústria para Saúde Animal (Sindan). A parceria com os serviços estaduais de defesa permite ao MAPA ampliar o controle do trânsito de animais na região e aumentar o número de fiscais federais instalados em barreiras fixas e móveis. “Possuir estrutura de vigilância e defesa nas áreas de fronteira e apoiar os vizinhos mais carentes são ações fundamentais em nosso continente. Evita episódios negativos, como o recente caso do Equador, que prejudicou a Colômbia com um foco em Ipiales, localizada a cinco quilômetros da fronteira entre os dois países”, explica Salani.

Segundo ele, outra ação da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) que merece destaque é a prioridade dada aos territórios de risco desconhecido, como a região do Baixo Amazonas e os estados do Nordeste, também reconhecida por Guedes, do CNPC. Mas não só por ele. Em agosto, autoridades sanitárias da Indonésia comunicaram a aprovação de cinco plantas frigoríficas brasileiras, em virtude das ações para controle sanitário do rebanho brasileiro.

Neste âmbito, as vendas retomadas para o Chile são mais um motivo de comemoração. É o quarto melhor preço pago pela tonelada de carne bovina brasileira. É uma sequência de resultados positivos também atribuída à maior conscientização do pecuarista. “Hoje, o produtor sabe com clareza que é preferível investir na prevenção e no combate às doenças a arcar com prejuízos futuros”, aponta Salani. Quanto à indústria veterinária, o presidente do Sindan aponta que o desafio é adequar custos. “Hoje, destaca-se quem tiver preços competitivos e uma linha de produtos na qual se levem benefícios mensuráveis para o criador, até porque a mudança no cenário mundial exige dele a melhor produtividade”, define.

Fim do falso positivo

Na opinião de Sebastião Guedes, do CNPC, ainda é cedo para avaliar o desempenho das vendas da vacina livre de proteínas não estruturais – responsável pelo chamado falso positivo. Mas ele acredita que de 70 a 75% das doses aplicadas nesta campanha sejam da nova tecnologia, que ficou fora de parte da primeira etapa. “Em relação à eficácia, só teremos uma resposta concreta com a sorologia em 2010”, analisa. Para ele, os prognósticos para a tecnologia são os mais favoráveis possíveis. Os laboratórios estão adequando a produção e o grau de confiabilidade que ela pode agregar às análises. “Este é um grande avanço na erradicação da febre aftosa. As investigações sorológicas das autoridades brasileiras terão maior precisão, essencial para assegurar a condição de área livre com vacinação”, acredita Emílio Salani, do Sindan.

Segundo ele, além disso, a carne brasileira poderá ter maior valor comercial no mercado internacional, já que a vacina diferenciada proporciona maior segurança aos programas de sanidade animal e atende exigências de muitos dos países que impõem barreiras sanitárias ao Brasil. “Se os avanços continuarem, é bem possível que o território nacional esteja totalmente controlado com vacinação no próximo ano”, aposta Guedes. Por meio da Central de Selagem de Vacinas, localizada em Vinhedo/SP, o Sindan mantém armazenagem de estoque de segurança estimado em 60 milhões de doses, aproximadamente 15% do consumo nacional. Todos os frascos possuem selo holográfico atestando a genuinidade da vacina e o controle de qualidade pela indústria e laboratórios oficiais do Governo.