Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Avestruz

Rumo à Europa

Estrutiocultores organizam-se para conquistar mercado internacional

Elas são aves, mas não voam. Chegam a ser maiores que os seres humanos, mas não oferecem risco. São animais diferentes e comer sua carne ainda provoca estranheza na grande maioria dos brasileiros. Mas a produção de carne de avestruz tem se tornado cada vez mais comum e o Brasil já é, hoje, o segundo maior produtor desta carne do mundo, ficando atrás apenas da África do Sul, país de origem dos animais.

A criação desta ratita (ave que não voa) iniciou-se no Brasil em meados de 1995. Nestes 13 anos de desenvolvimento da cadeia produtiva, é possível afirmar que o setor começa a se consolidar, uma vez que está em pleno desenvolvimento industrial. Estimativas da Associação dos Criadores de Avestruzes do Brasil (ACAB) revelam que, atualmente, o país possui cerca de 1800 produtores.

Em 2008, pela primeira vez, o plantel deve cair 30%, passando dos 450 mil animais para cerca de 315 mil exemplares. “As vendas de matrizes e reprodutores caíram vertiginosamente e os preços são bem inferiores aos praticados no início da atividade”, afirma Luis Robson Muniz, presidente da ACAB. O motivo, segundo ele, está ligado ao aumento significativo dos abates nos últimos anos, aliado à saída sistemática de muitos produtores e investidores. Mas, apesar disso, hoje, a produção industrial situa-se entre 700 toneladas e 900 t/ano.

Porém, esse crescimento não teve simetria na outra ponta da cadeia, ou seja, no aumento proporcional do consumo da carne de avestruz pela população brasileira. “Infelizmente, este descompasso ocorre porque a carne do avestruz continua sendo uma franca desconhecida da grandíssima maioria do público, uma vez que, cronicamente, em todos estes anos de sua colocação no mercado, o setor não se esmerou em organizar e produzir uma campanha nacional de popularização da carne de avestruz”, diz o presidente da associação. Por conta disso, o setor vê na exportação uma válvula de escape para o estrutiocultor, pois o mercado europeu consome entre 80 a 90% da carne produzida anualmente, com uma demanda de aproximadamente 5 mil a 7 mil toneladas.

Aproveitando esse potencial, a ACAB, em comunhão com a União Brasileira de Avicultura - UBA, já traçou os caminhos para conquistar a entrada da carne de avestruz brasileira no mercado europeu. As ações realizam-se junto ao Ministério da Agricultura, por meio do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, que mostram grande possibilidade de a carne de avestruz brasileira atravessar o Atlântico, rumo ao velho continente entre o final de 2009 e início de 2010. “Este cenário anuncia um grande revés na atividade, impulsionando investimentos nos criatórios como novas tecnologias e manejos que possibilitem uma maior competitividade, como menores custos com maior produção, dando foco para a questão do bem-estar animal”, analisa Muniz.