Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Bubalinos

Consumo garantido

Setor aposta no valor agregado dos derivados do leite de búfala

O desempenho negativo nas bolsas de valores em todo o mundo não será páreo para interromper a trajetória de crescimento na bubalinocultura. Para este ano, a expectativa com a comercialização de produtos derivados do leite, como a mozzarella, queijo frescal, entre outros, é manter a taxa de crescimento anual de 30% desde 2001 com a implantação do Selo de Pureza da ABCB (Associação Brasileira de Criadores de Búfalos), que garante um produto elaborado 100% com leite da espécie bubalina. Mais do que isso, existe a possibilidade de atingir 40% até o final do ano. “Outubro foi o mês em que meu laticínio registrou o maior volume de vendas no ano”, ressalta a proprietária do Laticínio Almeida Prado e coordenadora do Selo de Pureza, Maria Cecília de Almeida Prado.

Maria Cecília justifica que o incremento nos negócios é fruto do trabalho de divulgação dos benefícios da mozzarella para a população, principalmente para as classes A e B, maiores consumidoras deste produto. Para ela, esta população vai continuar adquirindo derivados de búfalo normalmente, independentemente da situação econômica mundial e brasileira. “A mozzarella está ficando cada dia mais conhecida entre o público elitizado e a crise não será suficiente para afastar o consumidor”, destaca. Segundo ela, a projeção para 2009 é muito boa e tem a expectativa de manter o nível de crescimentos dos últimos oito anos. “O consumidor vai continuar adquirindo sua mozzarella sem maiores problemas”, estima a coordenadora do selo.

A estimativa para este ano é de que haja um aumento médio entre 3 e 4% no rebanho bubalino brasileiro em comparação a 2007, sendo que em regiões de bacia leiteira esta projeção pode atingir até 8%. A captação de leite de janeiro a setembro – levantamento mais recente da ABCB - foi superior a 3,7 milhões de litros, dado válido apenas para os nove laticínios membros do Selo de Pureza. As vendas foram tão intensas até o mês de outubro que muitos produtores não terão estoque para repor no período de entressafra, que dura de setembro a janeiro.

Otávio Bernardes, criador de búfalos há 35 anos, presidente do conselho da ABCB e proprietário da Fazenda Paineiras da Ingaí, localizada em Sarapuí/SP, afirma que o consumo de lácteos costuma variar em função do poder aquisitivo da população. Assim, caso o país seja atingido pelo processo recessivo anunciado pelos economistas, espera-se uma retração no consumo. Em relação aos produtores, Bernardes alerta que eles sentirão dificuldades com a queda de renda para o próximo ano e o aumento nos preços dos insumos em 2010 com a disparada na cotação da moeda norte-americana. “Este ano não haverá reflexos nos custos de produção, pois os insumos já foram todos adquiridos”, complementa Bernardes.

Mesmo com as dificuldades já esperadas para o ano que vem, o criador comenta que em razão das características benéficas dos produtos derivados do leite de búfala o consumo não terá uma queda significativa e vai proporcionar remuneração aos produtores até 100% superior pelo litro de leite em relação à matériaprima de origem bovina. “Desta forma, o criador se obriga a elevar o número de cabeças, principalmente para a elaboração de produtos derivados do leite”, salienta Bernardes. O preço do litro oferecido pelos laticínios que industrializam produtos à base de leite bovino está na faixa de R$ 0,65 centavos, enquanto o de leite de búfala fica entre R$ 1,00 e R$ 1,20.

Bernardes afirma que em regiões onde há laticínios organizados a produção tem aumentado, o que favorece toda a cadeia. “As cadeias leiteiras estão ficando cada vez mais organizadas, e no caso da produção de derivados de leite há facilidades, pois é necessário apenas que um criador inicie o processo. Isto não ocorre com a produção de carne em razão da baixa escala de abate, além do produto ser comercializado no mesmo valor em relação ao bovino’’, critica Bernardes.