Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Ameaças constantes

O ano de 2008 revelou-se muito

O ano de 2008 revelou-se muito dinâmico para os confinadores. Primeiro, com o aumento das exigências da União Européia (UE) com o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). Depois, com relação ao mercado do boi, que se apresentou bem movimentado no período. E, para encerrar, efetiva-se uma crise de proporções globais que nos vem ameaçando de forma constante.

O problema da rastreabilidade no Brasil vem de sua concepção, uma sucessão de erros que até hoje não foram consertados. A tão falada lista das fazendas habilitadas a exportar para a UE deu ao confinador o sonho da bonificação e da remuneração extra pela qualidade do gado, pelo menos no início foi assim. Com a chegada da crise e com os rumores de problemas na exportação e falta de crédito, os 10% e 15% a mais que eram pagos sumiram, pecuaristas que investiram muito dinheiro para se adequar às exigências do bloco perderam dinheiro. Em 2009, as coisas podem melhorar, mas talvez não. A segunda hipótese é mais tentadora. Não há muito que se dizer sobre o Sisbov, apenas que ainda há esperança.

Sobre a rastreabilidade podemos falar, pois como dizem, “só se controla aquilo que se mede”, somente aquilo que se conhece e que se entende. Os europeus, pelo menos na Sial – maior feira internacional de alimentação da Europa, realizada em outubro, em Paris (França) –, deixaram muito claro que não desistirão de rastreabilidade eficiente, mas também frisaram que, por conta da crise, não possuem muito dinheiro disponível para comprar. Quem sabe no próximo ano possamos trabalhar exatamente no foco das suas exigências?

O mercado do boi nesse ano de 2008 para os confinadores rendeu algumas surpresas favoráveis, principalmente aos iluminados que conseguiram entrar na lista da União Européia no período que antecedeu a crise. Ou então a alguns que utilizaram as ferramentas disponíveis no mercado para venda de animais como o hedge realizado em bolsa assegurando seus rendimentos. Em 2008, o preço do boi gordo encontrou seu pico entre a segunda quinzena de junho e a primeira quinzena de julho, conforme o gráfico acima.

Considerando a Assocon e seus 47 associados na época, quando o preço do boi gordo chegou ao pico, no mês de junho, tivemos aproximadamente 4% dos animais programados para 2008 abatidos e 11% em julho. Esses valores do mercado e do número de animais abatidos pela Assocon no período citado podem evidenciar que, pelo menos por enquanto, a melhor fase de preços do boi gordo não foi aproveitada pelos confinadores.

Os principais insumos utilizados para produção em confinamento acumularam, de janeiro a agosto, altas expressivas que acabaram diminuindo a margem de lucro de muitos pecuaristas intensivos, reajustando para baixo suas intenções de confinamento para 2008.

Margem apertada

Segundo os últimos dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre custos de produção do mês de agosto de 2008, a suplementação mineral, entre janeiro e agosto, acumulou alta de 92,72%; o bezerro, 42,34%, e medicamentos (vacinas, controle parasitário e antibióticos), 19,33%. Só para lembrar, no início de 2008, os confinamentos associados da Assocon indicavam um crescimento de mais de 22% na produção de animais confinados para esse ano. No último levantamento realizado, esse valor caiu para 1,1%. Isso pode ser explicado pelo gráfico acima, na disparidade de preço entre o bezerro e o boi gordo e nas altas dos insumos verificadas em 2008, mostradas anteriormente.

Esse movimento de alta nos custos de produção nos confinamentos não é algo enfrentado somente pelo Brasil. Estados Unidos e Austrália, nossos principais concorrentes, também sofrem com isso. Seja por elevação dos preços com alimentação e de compra de animais no caso dos americanos, ou por conta da seca no caso da Austrália. No Brasil, temos a alta de insumos bem como a elevação do custo do boi magro, visto a redução de matrizes devido aos abates, principalmente nos anos de 2005 e 2006. Obviamente que essa questão oferta e demanda tende a se estabilizar. Só não é possível dizer ao certo quando. Talvez em mais uns dois anos, mas uma previsão exata é difícil. Faltam estatísticas no Brasil.

Por fim, houve a crise, que quebrou bancos e deixou países à beira da recessão com falta de crédito e desconfiança. Tudo isso acabou sendo colocado num mesmo balaio. A grande verdade é que, com crise ou sem crise, ou melhor, na pós-crise, todos ainda têm que comer. Talvez um pouco menos de carne, ou então não com a mesma freqüência de antes. De qualquer forma, pelo menos, a cadeia de produção de carne bovina brasileira não foi destruída, pois nosso maior mercado ainda é o interno. E isso ainda a tem sustentado. Claro que esta instabilidade pode atacar a cadeia por vias indiretas, atingindo o trabalhador brasileiro, as empresas de outros segmentos e, por fim, frigoríficos e produtores. Mas, para evitar este quadro, o Estado não deve ficar parado e deve agir para que no final o Brasil tenha apenas pegado um “leve resfriado”.

A Assocon em 2009

Como prestadora de serviços, a Assocon nasceu com a proposta de trabalhar para unir a cadeia de produção da carne bovina. Com isso, ampliar suas vantagens e competitividade frente ao mercado aumentando o poder de barganha na compra de insumos, na efetivação de acordos comerciais com frigoríficos e com o comércio varejista. Isso além de acompanhar de perto os assuntos que envolvem direta ou indiretamente o interesse do confinador.

Para 2009 a Assocon trará novas propostas e projetos, tanto para os meios institucionais quanto para o de serviços. Entre os projetos em andamento, destaque ao Guia de Fornecedores, ao Programa de Qualidade Assegurada (PQA), ao acompanhamento técnico de abates e às visitas realizadas em fazendas parceiras em todo o país. Algumas novidades estão sendo preparadas para o próximo ano. Uma delas é a criação de diretórios regionais da entidade, idéia que surgiu durante o encontro dos associados no primeiro semestre e que, agora, será de fato colocada em prática.