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Especial Angus

Temporada chancela força do Angus

O reconhecimento da força da raça Angus no rebanho brasileiro foi comprovado a cada lance da temporada de primavera 2008. Boas médias e grande liquidez garantiram o sucesso dos 23 remates chancelados pela Associação Brasileira de Angus (ABA), sendo 20 deles no Rio Grande do Sul. “Houve crescimento de média e de quantidade de oferta partindo do ano passado que foi muito bom”, avalia o presidente da ABA, José Paulo Cairoli. Na temporada a raça faturou mais de R$ 20 milhões. Os resultados consolidaram a Angus como raça que se adapta bem ao cruzamento e tem a preferência dos compradores. “A tendência é que, quanto mais o mercado vai sendo competitivo e exigente, mais espaço há para os Angus pelo reconhecimento das qualidades da raça, como habilidade materna, rapidez na engorda, marmoreio e ciclo curto”, afirma Cairoli.

A preferência por animais de dupla marca chamou a atenção nas pistas. As médias destes exemplares atingiram valores de 20% a 30% maiores que os demais. “Isso mostra que o grau de exigência dos compradores está aumentando e que eles também buscam selecionar dentro do critério técnico”, afirma o gerente de operações da ABA, Fernando Velloso.

Um exemplo do êxito dos exemplares com avaliação do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) e da Angus foi o remate da Agropecuária Quiri, de Leonildo Pötter, em Dom Pedrito/ RS. Na ocasião, foram vendidos todos os 48 reprodutores Angus, que somaram R$ 382,2 mil. A média foi de R$ 8,61 mil para os 29 touros Angus dupla marca. “Esse ano, os compradores valorizaram muito a questão da qualidade e cada vez mais vemos a valorização do dupla marca”, destaca a administradora da Quiri, Vivian Pötter. A cabanha encara a oferta de exemplares com este diferencial como um chamariz por aliar qualidade e bons dados técnicos.

Já no remate Paipasso Red, a média dos reprodutores dupla marca foi R$ 6,74 mil, enquanto os demais exemplares da raça atingiram R$ 5,91 mil para touros e R$ 2,36 mil para fêmeas. “Isso é resultado do conhecimento do produto e reconhecimento de tudo que é necessário para produzir e gerar um exemplar de dupla marca. É um produto diferenciado, com avaliação muito rigorosa e que vai produzir animais superiores”, avalia o leiloeiro Eduardo Knorr.

Mas, apesar dos bons resultados, os criadores da raça apostavam em um desempenho ainda melhor a exemplo dos obtidos da Expointer, conforme assegura Velloso. “Os promotores ficaram entusiasmados com leilões da feira com médias de R$ 8 mil, R$ 9 mil, o que não aconteceu em todos os remates da temporada”, explica. Ele ressalta que a retomada dos preços e a falta de gado para reposição indicavam a melhora projetada, mas reafirma que os resultados foram muito positivos, com preços expressivos. Segundo Velloso, a grande maioria dos remates superou os R$ 6 mil de média para a raça. “A relação de troca superou quatro novilhos por touro, e usualmente é de dois ou três, o que mostra que o comprador investiu bastante. Foi uma temporada de muita liquidez e muito boas médias”, reforça o dirigente.

Satisfação e comemoração

O bom desempenho foi comemorado nas principais pistas de remate do Estado. Leilões como o das estâncias Santa Eulália de Joaquim Francisco Bordagorry de Assumpção Mello, e Pedra Só, de Roberta e Fernanda Ramalho Riemke. A média dos touros Angus foi de R$ 6,83 mil. Entretanto, o melhor desempenho da temporada na raça foi o da GAP Genética, de aproximadamente R$ 1,5 milhão. A média da raça no leilão foi de R$ 8,25 mil para touros PO, R$ 8,037 mil para touros PC, R$ 7,875 mil para fêmeas PO e R$ 2,625 mil para fêmeas PC. Tradicional por abrir a temporada, a oferta da propriedade de Eduardo Macedo Linhares teve pista limpa para todos os 147 touros e 151 ventres Angus. “Todo lugar que vendeu touro Angus de qualidade foi bem recompensado pelo investimento na preparação do animal”, afirma o gerente comercial da GAP, João Paulo Silva. Ele salienta que a raça puxou as vendas no remate, que teve faturamento total de R$ 4.155.075,00.

A primavera 2008 também foi marcada pelo aumento de ofertas com o aval da ABA. A Cabanha São Xavier tornouse chancelada neste ano com a expectativa de impulsionar os negócios com base na credibilidade e critérios técnicos que a associação confere aos eventos. O Remate Paipasso e o Leilão Só Angus buscaram a parceria no ano passado. “A chancela mostra que os produtores estão trabalhando em sintonia com a associação e é importante para os criadores e para a ABA que a entidade tenha o prestígio dos pecuaristas”, afirma o proprietário da Cabanha Santa Joana, Ulisses Amaral.

O remate Só Angus faturou R$ 680,95 mil com a venda de 166 animais Angus PO e PC, com oferta das cabanhas Santa Joana, Santa Amélia, Albardão, Tradição e Santa Amábile. A média geral foi de R$ 6,42 mil para touros Angus e R$ 2,141 mil para ventres da raça. Os touros dupla marca também foram destaque, com média de R$ 6,597 mil. “Tivemos pista limpa e alcançamos valores um pouco maiores que os do ano passado”, comemora Amaral.

O diferencial da chancela torna-se ainda mais importante para atrair compradores cada vez mais exigentes. Os pecuaristas que buscam alta genética nas pistas brasileiras querem dados da avaliação de desempenho, que se tornaram essenciais para definir as compras.

Diferenciais competitivos

O técnico da ABA Renato Paiva destaca o uso do marcador molecular. Pelo sistema é possível determinar os genes que garantem as características nos descendentes como musculatura, marmoreio e habilidade materna, por exemplo. Essa tecnologia de DNA foi o diferencial da Agropecuária Tellechea para faturar R$ 1.824.975,00 no leilão deste ano. “Ter o resultado certo deixa o comprador mais seguro”, afirma. Para ele, a realização deste teste veio para revolucionar o mercado e é uma tendência para a qual todas as propriedades estão se preparando ou devem se ajustar. “A cada temporada a raça está evoluindo mais. A pressão de seleção é muito grande. O criador já sabe o que quer e apresenta para o técnico um gado limpo”, destaca.

Além da qualidade e preparo dos animais, outro fator que tem atraído compradores aos remates da raça é a oferta de serviços e garantias, como seguro, transporte e transmissão pela televisão ou internet. “Quem atendeu estes itens alcançou melhor remuneração”, acrescenta Velloso. O foco dos compradores está mudando, e não se busca mais somente bons animais, mas boa disposição de informação. Estudam- se mais os exemplares e os serviços e garantias agregados. “No momento em que o investimento sobe, o comprador tem que se ater a detalhes e saber escolher quem dá mais informação e qualidade no produto”, explica o gerente comercial da GAP.

Outro destaque da temporada foi a oferta de terneiros Angus certificados pela ABA, que atingiram valorização diferenciada na Feira de Primavera de Caçapava do Sul. O preço médio dos terneiros, em geral ficou em R$ 2,65 o quilo vivo (kg/vv). Já o valor médio dos terneiros Angus certicados foi de R$ 2,71 kg/vv, valor 2,5% maior. Foram vendidos 1.310 terneiros, dos quais 303 eram Angus certificados. O preço médio verificado por animal, em pista, foi de R$ 728,75 e os terneiros Angus certificados foram arrematados ao valor médio de R$ 830,00. “O desempenho foi muito bom e mesmo os terneiros mais pesados foram bem remunerados na relação preço-quilo”, observa o leiloeiro Ênio Santos.

Preferência na hora da compra

Mais do que os dados técnicos, os irmãos Maurício e Fernando Weiand reconhecem que o desempenho dos animais em competições pesou na hora das compras. Depois de anos dedicados ao cavalo Crioulo, decidiram investir pesado na criação de gado e elegeram a Angus por seu potencial de crescimento. Em poucos meses, a cabanha Maufer adquiriu seis fêmeas e 50% da grande campeã da Expointer 2008, ASD 618 Major Gemada Kila. Em busca de êxito nas pistas de julgamento, os irmãos também adquiriram uma prenhez de irmã inteira da Kila, que resultou no nascimento de um macho. “O principal motivo é que Angus é raça que está com foco bom de crescimento, com boa perspectiva de mercado e aceitação.” A cabanha adquiriu somente exemplares premiados e segue a tendência de outros criadores de Crioulos de investir na Angus. “Estamos aprendendo, é uma raça fascinante.”

Resultado unânime

Os leiloeiros Marcelo Silva, da Trajano Silva Remates, e Fábio Crespo são unânimes ao classificar a temporada para a raça como excelente. Em muitos remates, especialmente nos maiores, a venda de exemplares registrou pista limpa. “Isso acontece pelas condições e qualidade intrínsecas da Angus”, justifica Silva. A grande procura e valorização da raça em todo o mundo se reflete no aumento em quantidade e em valor de animais adquiridos. O leiloeiro salienta que as fêmeas foram o grande destaque da temporada. “Como a raça vem sendo a que lidera em comercialização, quem quer produzir genética investe no Angus.”

Crespo chama atenção para as vendas nos remates que comandou. “Principal é ter liquidez e ninguém está vendendo com a corda no pescoço. Tem que ter procura.” Ele aponta que as médias ficaram entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, um pouco superiores aos resultados do passado. O leiloeiro Eduardo Knorr aponta que, se não fosse a crise financeira nos Estados Unidos, as médias poderiam ter sido entre 10% e 20% superiores, mas ainda assim, comemora o desempenho da raça. “Angus, mais uma vez, teve o melhor resultado em reprodutores e matrizes, o mercado quer e absorve a raça. Não se consegue esse desempenho a não ser que se esteja em um bom momento”, afirma.