Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

Pé no freio

Indústrias revêem metas de produção para 2009

O setor de alimentação animal aperta os cintos para conseguir manter a margem de 10% de crescimento prevista para 2008. Com o aumento da demanda mundial por alimentos, aliada à redução na oferta de insumos e à crise financeira global, a perspectiva do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) é de o Brasil alcançar 59 milhões de toneladas de rações produzidas e movimentar algo em torno de US$ 16,5 bilhões em matérias-primas. Em 2007, a produção nacional de rações contabilizou 51,4 milhões de toneladas contra os 48,3 milhões de toneladas do ano anterior. “Durante 2007 o setor importou mais de 800 milhões de dólares em vitaminas, aminoácidos e outros aditivos e produziu cerca de 54 milhões de toneladas de ração. Em 2008 a produção deve alcançar 59 milhões de toneladas de ração e mais de 2 milhões de toneladas de suplementos minerais, o que movimentará certamente mais de US$ 1,2 bilhão em importações”, explica Ariovaldo Zanni, diretor-executivo do Sindirações.

Paulo Roberto de Carvalho e Silva, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Fosfato na Alimentação Animal (Andifós), atesta que os resultados este ano não foram aqueles projetados pelo segmento. A projeção é encerrar o período com uma venda menor do que 900 mil toneladas de fosfato bicálcico, ou seja, um decréscimo de 5% a 7% com relação às 927 toneladas comercializadas em 2007. “Esperávamos crescer de 7 a 8% pelo que o mercado apresentava no final de 2007. Houve um aumento de demanda no final de 2007 e início de 2008, porque o mercado anunciou aumento de preços e isso fez a gente imaginar um mercado crescendo nessa faixa durante todo o ano de 2008 e foi assim até junho”, destaca.

O segmento de suplementos minerais também deve encerrar 2008 com um pequeno decréscimo, informa o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), Fernando Penteado Cardoso. “O mercado de 2008 será pouco inferior a 2007. Cinco por cento a menos é a nossa projeção. Não deixa de ser um resultado frustrante porque estávamos trabalhando com um acréscimo de 5%”, admite. Um dos principais motivos do quadro foi o aumento do preço da principal matéria-prima do produto, o fosfato de cálcio. “Mas isso é até positivo. Cair 5% quando o preço dos produtos teve um aumento de até 70%”, pondera Cardoso.

Perspectivas

A crise econômica mundial poderia pegar em cheio os custos com alimentação do gado. No entanto, para o Sindirações, os efeitos não devem ser muito prejudiciais ao segmento, já que a tendência do consumo de alimentos no mundo não sofrerá modificações. E, mesmo com uma perspectiva menos otimista para 2009, a indústria de ração animal é otimista, a não ser que a China e a Índia sofram grande desaceleração econômica. “Estamos trabalhando para retomar o crescimento para a faixa de 3 e 4%”, diz Paulo Silva, da Andifós. No entanto, ele ressalta: “O maior problema mesmo seria a limitação de crédito para o capital de giro e para financiar exportações”.

Recuperar o ritmo de 2007 já seria um bom resultado no ano que vem segundo Fernando Cardoso, da Asbram, já que, segundo ele, é difícil contruir um cenário futuro com tantas variáveis tendo que ser definidas. “Muitos preços que subiram astronomicamente no começo deste ano estão caindo. O petróleo caiu um pouco mais que a metade, isso tudo vai ter de encontrar um ponto de equilíbrio. A própria Rússia quer parar os embarques de carnes brasileiras para renegociar os preços”, enumera.

Para Zanni, para sobreviver às oscilações do mercado internacional, há necessidade de um plano de desenvolvimento da produção de insumos nutricionais em território nacional fomentado pelo Governo Federal e encabeçado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Driblando A ALTA DOS ALIMENTOS

O alto custo da alimentação obrigou os criadores a buscarem opções para reduzir as despesas com os grãos e rações, ao longo do ano. Segundo a Andifós, no setor de bovinos, a substituição por outros produtos foi pequena e quase não houve redução. Já no setor de aves, alguns produtos que substituem o bicálcio foram bastante utilizados na composição das rações, como enzimas e farinhas de carne e ossos.

As empresas também buscam aperfeiçoamento na melhoria e barateamento dos produtos. Fernando Penteado Cardoso Filho, presidente da Asbram observa, ainda, que os criadores compraram produtos prontos e diluíram com sal ou adquiriram produtos concentrados. “Ao invés de diluir com três sacos de sal, eles dobram esse número”, explica. “Em alguns casos, foi suspensa a mineralização, durante alguns meses, conforme a categoria de gado.”

O dirigente comenta que muitos produtores compraram a farinha de osso autoclavada, que é proibida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), visto que não elimina todas as bactérias, podendo transmitir o mal da vaca louca. O certo é adotar a farinha de osso calcinada, que é autorizada pelo governo porque é um produto rico em cálcio e fósforo e passa por um processo térmico que elimina os riscos de contaminação.