Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

DO PASTO AO PRATO

Gordo e caro

Desde o final de outubro, a arroba não pára de subir em todo o Brasil, sendo cotada em 28/11 a R$ 77,60, em São Paulo (indicador Esalq/BM&F). As expectativas e previsões eram de que a arroba do boi não deveria ultrapassar os R$ 65, em SP, devido à importância da exportação e a constante desvalorização do dólar, frente ao real. No entanto, a oferta de gado gordo se reduziu muito e o mercado interno mostrou sua força.

Nas últimas semanas, em muitos momentos, o alto preço do boi gordo era acompanhado pelo alto preço da carne no atacado e no varejo, mais do que compensando a alta do boi. A diferença entre o preço do boi gordo e da carne no atacado, que é um bom indicativo da margem bruta do frigorífico, mostrava que a relação estava positiva para a indústria, em especial ao operar no mercado interno.

Os dados recentemente divulgados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) facilitam a análise da situação atual. Comparando-se os abates de janeiro a outubro de 2005, 2006 e 2007, percebe-se que o abate de bovinos no Brasil cresceu consideravelmente em 2006 (em relação a 2005). Em 2007, até maio, também houve crescimento, da ordem de 10% em relação a 2006. No entanto, no período de junho a outubro, a produção de 2007 é muito inferior a 2006.

Em 2007, com o aumento dos abates nos cinco primeiros meses do ano, houve a falsa impressão de que a oferta de gado gordo continuaria alta. Nos 5 meses seguintes, ocorreu justamente o contrário. O abate de junho a outubro de 2007 está menor do que no mesmo período de 2006, gerando um déficit de 1,3% no acumulado de 2007. Esse é o principal fator da alta considerável do preço do boi gordo, pois a demanda continua firme.

Vamos analisar os dados de dois Estados que tiveram queda na produção de 2007. São Paulo, em 2006, teve menor abate entre jan-mai e ficou estável entre jun-out, em relação a 2005, fechando os 10 meses de 2006 com redução de 3,6% no abate “sifado” de bovinos. Em 2007, a redução continua, mesmo com o abate de jan-mai 10,6% maior que no mesmo período de 2006. No acumulado de 10 meses, o abate em SP caiu 1,7% em relação a 2006. Em 2007, a situação de São Paulo é similar à do Brasil como um todo.

Um dos motivos do menor abate em 2006 é que, com a aftosa em outubro/05 no MS, São Paulo teve restrições à exportação, em especial da UE. Assim, animais de outros estados, como MG, GO e até MT, que antes eram direcionados a SP, foram abatidos nos estados de origem. Isso fica mais evidente, ao se avaliar que o abate foi menor de janeiro a maio e cresceu (pouco) nos cinco meses seguintes.

No RS, a situação de redução de abates é ainda mais acentuada. O ano de 2006 foi de crescimento dos abates, com aumento de 16,7% nos 10 primeiros meses, em relação a 2005. Crescimento superior ao do Brasil como um todo. O que poderia indicar aumento da produção, na verdade se mostrou uma redução da capacidade produtiva. Em 2007, o acumulado dos 10 primeiros meses é de queda de incríveis 44,3%. O setor frigorífico do estado paga o mais alto preço do Brasil (média ano). As indústrias (e até varejo) buscaram carne em diversos outros estados, quando os preços do gado gordo no RS estavam muito acima das demais regiões brasileiras.

Vale lembrar o último artigo desta seção, sobre a preocupação com os altos e baixos do mercado. O RS teve um significativo aumento do abate “sifado” em 2006, mas amarga uma grande diminuição em 2007. O preço é alto: mesmo com o melhor status sanitário para exportação do Brasil (acesso à UE e Chile), o RS tem suas exportações diminuídas em 2007.

A situação para 2008 ainda não está muito clara, mas deve-se esperar preços firmes para bezerro e gado gordo para os próximos meses. Qual sua expectativa sobre os preços de bezerro e gado gordo para o próximo ano? Qual sua expectativa sobre a produção (abate) em 2008? Participe, enviando seu comentário para redacao@agleiloes.com.br