Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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PASTAGEM

Adubação: sinônimo de produtividade

As pastagens tropicais podem ser muito produtivas e suportar grande número de animais, atingindo com facilidade 10 UA/ha na época quente e chuvosa (UA= unidade animal/450 kg de peso vivo).

Entretanto, a realidade encontrada nas propriedades rurais destinadas à pecuária é muito diferente. A lotação animal média encontrada é inferior a 1 UA/ha. Isso ocorre porque grande proporção das pastagens brasileiras encontra-se com algum grau de degradação, o que limita a capacidade de suporte dessas pastagens. As principais causas dessa situação são o esgotamento da fertilidade do solo e o manejo inadequado da planta forrageira. E a principal conseqüência é a baixa produtividade, com 50 kg/ha de carcaça e 2.000 litros/ha de leite.

A reversão dessa situação se dá com a recuperação das pastagens, que garante o aumento da capacidade de suporte e produtividade acima de 300 kg/ha de carcaça e 20.000 litros/ha de leite. Esse aumento pode ser pequeno ou grande, dependo da necessidade de cada propriedade. Normalmente, nas propriedades que exploram bovinos leiteiros, adotam-se lotações mais altas, chegando a explorar praticamente todo o potencial de produção da pastagem, por estarem localizadas em regiões onde o custo da terra é mais elevado, e aquelas que exploram gado de corte adotam lotações menores. De qualquer forma essa intensificação é devida, em grande parte, à adoção de correção e fertilização das pastagens.

Quando o produtor decide intensificar sua pastagem ele deve rever alguns conceitos. O primeiro deles é que deve considerar a pastagem como uma cultura. As pastagens podem extrair mais nutrientes do solo do que a maioria das plantas cultivadas, dependendo do grau de intensificação. Também torna-se imprescindível procurar ajuda de profissional especializado e realizar amostragem de solo e análise em laboratórios de qualidade reconhecida. Atualmente existem selos de certificação que ajudam na identificação de bons laboratórios.

Depois, há necessidade de se realizar um planejamento da correção do solo e da fertilização da pastagem porque algumas atividades devem ser realizadas em determinadas épocas, de forma a garantir o sucesso da produção. Dessa forma, na tabela 1 são apresentados dois cronogramas, um para a formação de pastagens e outro para a manutenção delas.

Para cumprir todas as etapas do cronograma abaixo deve-se definir, de posse dos resultados da análise de solo, do número de animais que vão se alimentar daquela pastagem, da categoria deles (vaca, novilha, garrote, bezerro), do peso deles e com a ajuda de um profissional, as doses de calcário e nutrientes, a dose de nutrientes a ser usada. As fontes de fertilizantes a serem empregadas também devem ser definidas.

Em sistemas de manejo intensivo de pastagem, em que as doses de fertilizantes usadas são elevadas, o papel da calagem é bastante distinto dos sistemas extensivos, em que as doses de fertilizantes aplicadas são mínimas. A função da calagem é corrigir a acidez do solo e é muito importante porque a acidez do solo afeta o crescimento das plantas de várias formas e diminui a eficiência de uso de nutrientes aplicados por meio de fertilizantes. Apesar de algumas espécies de pastagens serem tolerantes às condições de solo ácido, notadamente as do gênero Brachiaria, isso não significa que elas apresentem sua máxima produção nessas condições. A calagem nos sistemas intensivos é importante para garantir a máxima eficiência de uso dos nutrientes dos fertilizantes aplicados e para reverter a acidificação dos solos ocasionada pelo uso dos fertilizantes químicos, especialmente os nitrogenados.

Nas pastagens estabelecidas, a calagem deve ser aplicada na superfície do solo, sem nenhum tipo de incorporação para não prejudicar o sistema radicular. É muito desejável que seja realizada 90 dias antes das fertilizações de correção (com fósforo, potássio e micronutrientes) que ocorrem no início da estação chuvosa. Depois são realizadas as adubações de cobertura parceladas após os pastejos da época quente e chuvosa, fornecendo nitrogênio, principalmente, e potássio ou enxofre, dependendo dos resultados da análise de solo. No estabelecimento de pastagem a calagem deve ser realizada previamente e incorporada a 20 cm de profundidade. As fertilizações corretivas, com fósforo e potássio, são realizadas em outubro/novembro. Na fertilização de plantio, normalmente são aplicados fósforo, potássio e micronutrientes. Depois é realizada a primeira cobertura nitrogenada, quando as plântulas iniciarem o perfilhamento.

A principal fonte de potássio usada em pastagens é cloreto de potássio. Para o fósforo existem mais opções, sendo os mais indicados os superfosfatos solúveis, o termofosfato magnesiano e os fosfatos de rocha reativos (Arad, Gafsa, Carolina do Norte). O superfosfato simples também é fonte de enxofre. Os fosfatos de rocha brasileiros devem ser evitados porque são poucos solúveis em áreas corrigidas, que possuem pH mais elevado. Para o nitrogênio existem várias fontes, a uréia é a mais usada pelo menor custo por unidade de nitrogênio, mas apresenta mais perdas, principalmente por volatilização. O nitrato de amônio e o sulfato de amônio também são usados, sendo este último também fonte de enxofre.

Para realizar as fertilizações, o pecuarista deve estar atento às condições climáticas. É necessário que haja disponibilidade de água e temperatura elevada. A temperatura basal (aquela abaixo da qual o capim paralisa seu crescimento) deve ser respeitada para realização das fertilizações. Ela varia em função da espécie, mas normalmente encontra-se ao redor de 150C, como pode ser visto na tabela 2. Então, toda propriedade que realiza fertilização de pastagem deve mensurar a temperatura mínima e a precipitação diariamente com o uso de um termômetro de máxima e mínima e de um pluviômetro para definir a duração da época de adubação das pastagens.