Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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MERCADO DO COURO

Valorizado lá fora

O segundo maior produtor de couros do mundo deve fechar o ano com crescimento de 17% no número de embarques externos em relação aos doze meses do ano passado, o que representa, segundo o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), US$ 2,2 bilhões (ou R$ 3,8 bilhões). Mesmo com a tendência de ver estancado esse incremento em 2008, com a redução aguardada no número de abates no mercado interno, que pode ultrapassar 15%, como acenam algumas indústrias frigoríficas, o setor ainda só tem o que comemorar. O Brasil produz 44,4 milhões de unidades de couro por ano e exporta em torno de 35 milhões de peças, estando atraz apenas da China, que ostenta uma produção de 55 milhões de unidades/ano, conforme o CICB, tendo como base dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), de 2006. Nos nove primeiros meses deste ano, a alta nos embarques nacionais foi de 21%, representando receita de US$ 1,6 bilhão ante o US$ 1,3 bilhão de igual período anterior. Crescimento, no entanto, que vem sendo observado há oito anos. Entre 1999 e 2006 a alta das vendas externas foi de 213%, passando dos US$ 600,2 milhões para US$ 1,8 bilhão no ano passado, segundo o CICB. Entre os motivos para essa evolução está o aprimoramento de tecnologias aliado à elevada demanda mundial. “Hoje, temos um mercado mundial aquecido e mais de 60% das nossas exportações vão para indústrias de estofamento e setor automotivo”, revelou o novo presidente do CICB, Luiz Augusto Siqueira Bittencourt, que sonha ver chegar o dia em que todos os carros terão bancos de couro. A guinada no mercado interno, no entanto, ocorreu quando a indústria dos calçados, principal mercado comprador até então, foi em busca de competitividade no fim dos anos 90, início da década atual. “Com o setor calçadista demandando menos, optando pelo sintético, passamos a desenvolver tecnologias próprias para o setor automotivo e de estofamento, áreas até então inexploradas pelas indústrias de curtumes, que não tinham perfil para esse mercado”, considerou. Hoje, China e Hong Kong são os maiores importadores do setor curtidor nacional, respondendo por 35% do mercado, seguidos por Itália, 27%, e Estados Unidos, 10%. Outro ponto a se considerar é a agregação de valor conquistada pelas indústrias. Enquanto de janeiro a outubro do ano passado o couro salgado ou wet blue (de menor valor agregado) representou 52% das exportações, este ano, em igual período, somou 48% do total dos embarques. Na contrapartida está o crescimento do semi-acabado e acabado, que pulou de 48% para 52%. “A agregação de valor ocorreu exclusivamente pelas ações realizadas pelo setor curtidor brasileiro”, salienta o dirigente, que ainda revela o mercado de artefatos (confecção de bolsas, cintos, tapetes e almofadas) como um outro nicho comprador.

Para aumentar a atuação no mercado, entretanto, as indústrias de curtumes dependem da demanda por carne e dos cuidados na entrega da matéria-prima nas plantas frigoríficas. O CICB programa lançar campanhas de conscientização envolvendo trabalhos de melhoria do couro. “Essa ação acaba resultando em melhor rentabilidade para toda a cadeia produtiva da carne”, apontou. Atualmente, 800 empresas atuam na produção e no processamento de peças no País.