Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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MERCADO DA CARNE

Espaço conquistado

O Brasil pode orgulhar-se de ter finalmente conquistado a posição que lhe é devida no cenário mundial por seu pujante e incomparável agronegócio. O clima, precipitação pluviométrica, áreas agricultáveis, conhecimento das técnicas de manejo e gestão do gado, difusão da informação e de novas tecnologias são alguns dos fatores que contribuíram para que a pecuária bovina, em particular, atingisse o patamar atual.

O rebanho bovino brasileiro, com um efetivo de 207 milhões de cabeças (IBGE) é o maior rebanho comercial do mundo. Em 2006, o Brasil produziu 9 milhões de toneladas de equivalente-carcaça de carne bovina, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, cuja produção beira os 12 milhões de toneladas de equivalente-carcaça.

Em 2003, atingimos a liderança mundial ao exportar 1,3 milhão de toneladas de equivalente-carcaça ou US$ 1,5 bilhão, finalmente ultrapassando o volume de exportação da Austrália. Em 2004, ultrapassamos a barreira dos US$ 2 bilhões de faturamento e exportamos 1,4 milhão de toneladas de equivalente-carcaça. Em 2006, o Brasil ultrapassou a Austrália, até então líder, em valor de exportação, tornando-se o maior player mundial em valor e volume. Exportamos, em 2006, US$ 3,9 bilhões e 2,5 milhões de toneladas de equivalente-carcaça e certamente, em 2007, estes valores vão ser novamente superados.

O Brasil já vende carne bovina para mais de 180 países. Hoje, de cada 3 quilos de carne bovina comercializados no mundo, um quilo é brasileiro. Vale lembrar ainda que exportamos apenas 27% de nossa produção, ou seja, nosso maior mercado ainda é o doméstico. Isto tudo determina que o Brasil impacte em todos os mercados mundiais e seja acompanhado de perto tanto por seus concorrentes como por seus investidores.

Mas nem tudo são boas notícias. Nossa competitividade assusta muitos de nossos concorrentes, e temos o acesso limitado a vários mercados por intermédio de cotas, taxações sobre exportação ou mesmo barreiras completas de acesso aos mercados. Não podemos comercializar carne bovina in natura (refrigerada ou congelada) para os Estados Unidos, Canadá, México, Japão e Coréia do Sul, mercados que mais remuneram por este produto. O resultado é que estamos fora de 61% do mercado mundial em valor.

Isto sem falar na campanha difamatória organizada contra o produto brasileiro, perpetrada particularmente pelos irlandeses e ingleses. Em duas missões clandestinas ao Brasil (maio de 2006 e maio de 2007), jornalistas de um veículo semanal irlandês dirigido aos pecuaristas (Irish Farmer’s Journal) coletaram “evidências” de que o Brasil não tem rastreabilidade, controle de fronteiras, programa sanitário, que nossos pecuaristas usam hormônios de crescimento e que abandona os campesinos sem-terra às margens das estradas, dentre outras acusações. A missão foi secreta e não visitou nenhum local exportador, entidade de classe ou governo, portanto teve um cunho claro de encontrar falhas em nossos sistemas e divulgar estas informações de maneira distorcida e exagerada. Abusou também da boa vontade de nossos pecuaristas, hospitaleiros e sempre dispostos a receber uma visita inesperada, mostrar suas instalações e deixar que sejam feitas imagens de sua propriedade, sem nem cogitar que possa haver alguma má intenção por trás da visita.

Em julho de 2007 estas informações foram levadas pelos pecuaristas irlandeses, ingleses e escoceses até o parlamento europeu, exigindo o embargo das importações de carne bovina do Brasil. Foi uma das sessões mais tensas e longas dos últimos tempos, porém felizmente os técnicos que tratam das visitas de inspeção à cadeia da carne produtiva da carne brasileira foram lúcidos e disseram que visitaram o Brasil oito vezes nos últimos dois anos (nenhum país foi tão auditado) e que não havia motivos para realizar um embargo às exportações do Brasil.

A guerra de imagem, porém, começa a chegar ao consumidor e já causou impacto nas exportações de carne para a Inglaterra. Já foram publicadas matérias questionando a qualidade da carne bovina brasileira em vários outros países europeus.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) tem uma série de ações efetivas que visam a promover a carne brasileira no cenário externo. São proferidas dezenas de palestras anualmente, para os mais diversos públicos, tanto no Brasil quanto no exterior. A entidade trabalha em estreita parceria com o governo brasileiro, particularmente o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério das Relações Exteriores (MRE), contato freqüente com o Itamaraty e suas representações diplomáticas internacionais e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). A entidade foi criada em 1979 e conta com vinte sócios, que são os principais exportadores de carne bovina brasileira e representam 86% das exportações.

A Abiec mantém, desde 2001, um convênio de promoção de exportações em parceria com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). Nos cinco anos dos dois primeiros convênios, de 2001 a 2005, foram investidos R$ 7,6 milhões na promoção internacional, e nos dois anos do convênio atual (de 2006 a 2008) os investimentos devem ultrapassar os R$ 7,8 milhões. Em torno de 40% dos recursos são da Apex Brasil, e a contrapartida é das indústrias frigoríficas exportadoras.

No âmbito do convênio, são realizadas três ações diferentes: participação em feiras internacionais, realização de workshops com churrasco, em parceria com as Embaixadas Brasileiras no exterior, e os chamados “Projetos-Imagem”, que são visitas de jornalistas ao Brasil. Vamos detalhar cada uma destas.

Desde 2001 já foram realizadas 21 feiras internacionais: quatro na Alemanha (feira de Anuga, a maior de alimentos do mundo); três na França (Sial Paris, a segunda maior feira do mundo); duas na Malásia; seis na Rússia; duas na Jordânia; duas na China; uma em Portugal e uma em Dubai.

Nas feiras em mercados já estabelecidos, como os da Alemanha e França, contamos com uma área que hoje ultrapassa os 1,3 mil metros quadrados (configurando a maior área de um único país em todo o setor de carnes), sendo que cada empresa conta com um estande individual e a Abiec organiza um restaurante de degustação de carne brasileira. Nas feiras de mercados em desenvolvimentos, contamos com um estande institucional único, compartilhado por todas as empresas participantes.

Além das feiras, são realizados também os chamados workshops, organizados em parceria com a Embaixada do Brasil no país em questão. São eventos realizados na própria Embaixada do Brasil ou então no melhor hotel da cidade. São convidadas em torno de 200 pessoas, entre autoridades governamentais, importadores de carne, potenciais novos compradores como redes de hotéis, restaurantes e alimentação coletiva e a imprensa. O evento inicia-se com uma rodada de negócios, onde os importadores se encontram com os exportadores, seguida de um coquetel de recepção. É feita uma apresentação sobre o Brasil e as exportações de carne para aquele país, além do discurso do Embaixador. Finalmente, é servido um churrasco tipicamente brasileiro, acompanhado de buffet de saladas e acompanhamentos quentes como em uma churrascaria do Brasil. Nos países onde não há restrições ao consumo de álcool no evento, servimos também a típica caipirinha, feita com limão, cachaça e açúcar do Brasil.

Sucesso garantido. Já foram realizados 11 workshops: dois no Egito (às margens do Rio Nilo); dois na Bulgária (em Sofia e Silistra); um na França (no Palácio Eliseu, do governo francês); um na Holanda (Haia); um na Argélia (norte da África); um em Dubai (defronte ao famoso Hotel Burj Al Arab); um em Roma (na própria Embaixada do Brasil na Piazza Navona); um na Jordânia e um no Marrocos. A carne é exportada especialmente do Brasil, assim como são levados os churrasqueiros profissionais. Nos países árabes, servimos carne halal (produzida seguindo os rituais islâmicos).

Hoje, temos parcerias com as entidades que promovem as exportações de frutas (IBRAF), vinhos (IBRAVIN) e café (ABIC), servindo, portanto, produtos genuinamente brasileiros em nossas feiras e churrascos internacionais.

Também realizamos duas ações denominadas “Projeto-Imagem” por ano, onde trazemos jornalistas de cinco países para passar uma semana no Brasil, com todas as despesas pagas, conhecendo a cadeia produtiva da carne bovina. São visitadas uma feira agropecuária importante (Expointer, Feicorte ou Expozebu), fazenda com criação de gado a pasto, indústria frigorífica, além de uma coletiva de imprensa com o Presidente da Abiec, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Além disto, a maioria das refeições são feitas em churrascarias. Desde 2005, foram trazidos ao Brasil 13 jornalistas dos seguintes países: Rússia; Argélia; Egito; Chile; Alemanha; Irlanda; França; Países Árabes (correspondente); Holanda, Bélgica; Inglaterra e Itália. Os jornalistas invariavelmente relatam, ao final da viagem, que não imaginavam o que veriam no Brasil e ficam extremamente surpresos e satisfeitos com a qualidade de nossos produtos e processos. Voltam aos seus países com muitos assuntos para divulgar e escrevem matérias extremamente positivas sobre o Brasil, ajudando a formar opinião positiva em outros países com muito mais credibilidade do que teria um anúncio pago, por exemplo.

Além das ações descritas, a Abiec acaba de contratar uma empresa de relações públicas européia para tratar da questão da imagem da carne brasileira na imprensa e junto aos parlamentares europeus.