Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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DOENÇAS E PARASITAS

Prevenção, controle e tratamento

Carbúnculo hemático

O que é

Carbúnculo hemático é o nome utilizado para a infecção aguda que acomete várias espécies animais. Inclusive o homem. A evolução da doença é rápida e fatal. O carbúnculo hemático é causado por uma bactéria chamada Bacillus anthracis, cuja capacidade de sobreviver no solo e em alimentos é impressionante. Os animais infectam-se pastando em campos contaminados. O Dr. Louis Pasteur, quando descreveu a enfermidade, denominou esses terrenos “campos malditos”, devido ao longo período em que a bactéria ali permanece.

Como reconhecer

A doença tem evolução muito rápida e é comum encontrar animais mortos sem nenhum sintoma detectado. Algumas vezes, notam-se tremores, dificuldades de locomoção e de respiração. Nos animais mortos, freqüentemente se percebe sangramento pelas narinas e outros orifícios naturais. O médico veterinário deverá ser chamado para a coleta de material para exame laboratorial e confirmação de diagnóstico.

O carbúnculo hemático não deve ser confundido com outras enfermidades que causam morte súbita, como a enterotoxemia e a hemoglobina bacilar, nem com envenenamento ou acidentes por raios.

Como tratar

Não existe um tratamento específico para carbúnculo hemático e a rápida evolução da doença torna a validade desses cuidados muito duvidosa. Sempre que houver suspeita da doença, é necessário recorrer rapidamente à orientação de um veterinário.

Como evitar

Por se tratar de enfermidade que provoca grande mortalidade, são necessárias medidas preventivas eficazes. A vacinação em zonas de ocorrência da doença deve ser realizada anualmente, em todos os animais suscetíveis. Como a vacina é viva, recomenda-se não utilizar antibióticos nos dias subseqüentes à vacinação.

Mas, além da vacinação, outras medidas profiláticas são necessárias. 1. Notificação às autoridades competentes. 2. Quarentena para animais recém-introduzidos nos rebanhos. 3. Queimar ou enterrar profundamente as carcaças dos animais mortos. 4. Isolamento dos animais doentes e da área contaminada. 5. Desinfecção rigorosa das áreas e materiais que entraram em contato com animais doentes. 6. É imprescindível a orientação de um veterinário.

Mosca-do-chifre

O que é A mosca-do-chifre (Haematobia irritans) atualmente é considerada um dos principais ectoparasitas de bovinos das Américas. As moscas permanecem no dorso dos animais, picando-os periodicamente e sugando sangue.

Isso provoca um grande estresse, levando a perdas na produção de carne, leite e baixo desenvolvimento de bezerros. As moscas permanecem sobre os bovinos e, quando eles defecam, algumas delas voam até as fezes e ali depositam seus ovos, retornando em seguida para o mesmo animal. As larvas eclodem, transformam-se em pupas e, depois, em moscas adultas.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela observação da presença da mosca no rebanho. A Haematobia irritans pode ser facilmente reconhecida, pois se encontram aos milhares sobre os animais e, freqüentemente, têm sua cabeça voltada para baixo. O comportamento dos animais também é um indicativo da presença da mosca, pois ficam inquietos e não se alimentam adequadamente. Há diminuição da produção de carne e leite, irritação da pele no local da picada, anemia e perda de qualidade do couro.

Como tratar

Para o tratamento dessa infestação, podem ser utilizados inseticidas aplicados por pulverização ou imersão (piretróides e organofosforados) e pour on (piretróides). Os medicamentos devem ser empregados segundo o controle estratégico.

Como evitar

Para controlar a presença da mosca-do-chifre em uma propriedade, deve-se realizar o controle estratégico, que recomenda dois tratamentos por ano.

O primeiro, no início da estação seca, com produtos à base de piretróides na forma de pulverização, imersão ou pour on. O segundo, no início da estação chuvosa, com produtos à base de organofosforados. Durante o período chuvoso, devem ser realizados tratamentos eventuais sempre que o número médio de moscas for 200 ou mais por animal.

O que é

É uma doença causada pelo Clostridium perfringens e pode ocorrer em animais jovens e adultos. A bactéria causadora da doença pode aparecer sozinha ou associada a outras bactérias semelhantes. Infecta o animal por via oral, ao ingerir alimentos contaminados. A partir daí, ela se instala no intestino e, em condições favoráveis, multiplica-se intensamente, produzindo grande quantidade de toxinas. A infecção ocorre com maior freqüência nos animais mais vigorosos do rebanho, entre 1 e 3 anos de idade, independentemente de raça.

Como reconhecer

A doença costuma acontecer no início da estação chuvosa. Muitas vezes, ocorre após situações de estresse metabólico – como os provocados por alterações bruscas de alimentação. O processo inicia-se com a diminuição do apetite e dificuldade de locomoção. A evolução passa por uma intensa prostração e o animal tende a ficar apenas deitado. A morte é quase inevitável. Em casos de evolução mais lenta, pode ocorrer diarréia com grande quantidade de sangue. Os animais, todavia, mantêm-se conscientes até o final do processo. Os sintomas da enterotoxemia são semelhantes aos do botulismo. Além disso, pode ocorrer a associação das duas enfermidades. Mas o diagnóstico diferencial não deve parar por aí, pois raiva e intoxicação por algumas plantas levam a quadros parecidos.

Como EVITAR

A prevenção se faz através da vacinação de todos os animais no período que antecede o início do confinamento. A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de um mês entre elas, sendo a primeira dose feita um mês antes da data prevista para o início do confinamento, e a segunda dose, na entrada do confinamento.

Como tratar

O tratamento geralmente é ineficaz. Normalmente não há tempo. Quando disponível, recomenda-se a utilização de soro hiperimune. Se não houver a possibilidade de encontrar esse soro, recomenda-se o uso de antibióticos.

Rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR)

O que é

A rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR, abreviatura em inglês) é uma doença viral e altamente contagiosa. O vírus se apresenta de duas maneiras: a forma respiratória e a genital, dependendo da via de penetração.

Quando ocorre em vacas, a forma genital chama-se vulvovaginite pustular infecciosa (IPV, abreviatura em inglês). No macho, essa forma chama-se balanopostite pustular infecciosa (IPB, abreviatura em inglês).

O vírus causador da doença é transmitido por contato direto entre os animais ou a curtas distâncias de até 8 km. O responsável pelo manejo dos animais pode transmitir o vírus pelas roupas ou por intermédio de cordas, baldes, etc. Na forma genital, a transmissão se dá durante a cobertura ou inseminação artificial, envolvendo touros infectados. Os machos, portanto, têm real importância na difusão da doença.

Como reconhecer

Bovinos de todas as idades podem ser afetados, sendo que a ocorrência é maior em animais acima de 6 meses de idade. O período de incubação varia de dois a seis dias.

A forma respiratória da doença (IBR) é a mais freqüentemente observada. Em muitos casos, os sinais são leves e os animais se recuperam em duas semanas. Mas a doença pode se prolongar devido às infecções bacterianas secundárias.

Os sintomas iniciais são febre e mucosas avermelhadas. Ocorre tosse e diminuição na produção de leite. Uma secreção purulenta, às vezes com estrias de sangue, pode escorrer pela narina do animal.

A forma genital é relativamente branda, mas pode ter como conseqüência uma infertilidade temporária e relutância à monta. Nas fêmeas afetadas pela IPV, observam-se bolhas com pus na vagina e na vulva. A doença até pode passar despercebida, mas quando é grave se percebe que a vaca urina freqüentemente e a cauda não retorna à posição normal após a eliminação de fezes ou urina. Nos machos, as membranas do prepúcio e do pênis são afetadas.

O abortamento é outra grande conseqüência da doença, sendo mais freqüente no último trimestre da gestação. Nem sempre ocorre morte do feto, e o animal pode nascer sem sintomas. Entretanto, pode eliminar o vírus e contaminar outros animais.

Todos os animais afetados pelos vírus tornam-se um constante perigo na disseminação. Toda vez que sofrerem um estresse voltarão a eliminar o vírus no ambiente e podem apresentar novamente os sintomas. Isso se chama ‘‘reativação viral’’.

Fatores como transporte, parto, tratamento com cortisona (antiinflamatório), infecções por outros vírus e infestações parasitárias podem reativá-la. O diagnóstico da doença pode ser confirmado por exames laboratoriais realizados com o sangue de animais suspeitos. O vírus pode ser isolado em amostras de secreção nasal ou fetos abortados.

Como tratar

Não há tratamento específico. O veterinário poderá prescrever a administração de antibióticos para impedir infecções bacterianas oportunistas.

Como evitar

A adoção de medidas de higiene favorece o controle da doença, pois o vírus é sensível à maioria dos desinfetantes comumente utilizados. Além desse recurso, há outro muito eficaz: a vacinação.

Berne O que é

É a larva de uma mosca chamada Dermatobia hominis, muito comum no Brasil. Durante o vôo, a mosca adulta do berne põe seus ovos em outra mosca qualquer. Esta, ao pousar no gado, despeja os ovos, agora transformados em larvas. Essas larvas perfuram o couro do animal e se instalam durante mais ou menos 35 dias. Após esse período, caem ao solo e passam por outra transformação, até se tornarem moscas adultas, fechando o ciclo.

Como reconhecer

Verificando os nódulos com as larvas sob a pele. Ao movimentarem-se no couro do animal, elas causam dor e irritação, prejudicando o estado geral do animal. Os nódulos podem ser contaminados por bactérias, originando abcessos.

Como tratar

Os tratamentos são feitos com inseticidas à base de piretróides e organofosforados na forma de pulverização, banhos ou aplicação pour on.

Como evitar

Deve-se aplicar o controle estratégico, ou seja, a realização de dois tratamentos por ano. O primeiro tratamento no início da estação seca com piretróide na forma de pulverização, imersão ou pour on. O segundo, no início das águas, com produtos à base de organofosforados. O controle da mosca do berne deve ser regional e realizado em todas as propriedades vizinhas, para ser realmente efetivo.

O que é

É causada pela bactéria Clostridium septicum, geralmente associada a outras espécies de clostrídios. Trata-se de uma enfermidade comum a vários animais domésticos e caracteriza-se por afetar o tecido que se encontra sob a pele, onde provoca a formação de gases. A doença ocorre devido à contaminação de qualquer ferida existente pelos agentes causadores.

Geralmente é fatal. A transmissão, em geral, ocorre por contato direto de pele lesada com materiais contaminados (terra, fezes, etc.). A infecção por via oral é possível, porém, pouco comum.

Como reconhecer

O animal doente apresenta apatia, perda de apetite, febre e alterações respiratórias. No local da lesão, há um aumento no volume das bolhas de gases, que podem ser sentidas na palpação. Nesses pontos, pode ocorrer a saída de um líquido de cor escura e cheiro fétido. Em casos de suspeita da doença, deve-se buscar auxílio veterinário, que encaminhará material para exames laboratoriais e fará diagnóstico diferencial em relação a outras enfermidades.

Como tratar

Os tratamentos, em sua maior parte, não são bem-sucedidos. De qualquer forma, deve-se buscar a orientação de um veterinário.

Como evitar

Recomenda-se a vacinação dos animais jovens entre 4 e 6 meses e a revacinação anual. Em áreas onde a doença ocorre sistematicamente, os animais devem ser revacinados antes do desmame e de castrações.

O que é

O nome “tristeza” representa bem o quadro que se vê quando um bezerro está sofrendo de babesiose ou anaplasmose. Essas doenças são causadas por microorganismos que parasitam o interior dos glóbulos vermelhos (hemácias) dos bovinos, gerando sintomas sérios, como forte anemia e apatia. Babesia e anaplasma, os agentes causadores da tristeza bovina, são transmitidos pelo carrapato. Assim, todos os animais que trazem carrapatos, isto é, praticamente todos os bovinos do Brasil, certamente já entraram ao menos uma vez em contato com tais agentes.

Como reconhecer

A doença costuma ocorrer em animais que estão entrando em contato pela primeira vez com os carrapatos. Isso pode acontecer com bezerros em processo de desmama, em seu primeiro contato com as pastagens, em animais que tenham sido mantidos confinados por um longo período de tempo, ou mesmo em animais trazidos de países ou regiões onde não existe o carrapato.

O quadro começa com uma intensa apatia e prostração. Ao serem examinadas as mucosas oculares (parte interna das pálpebras do animal), nota-se que estão muito brancas ou amareladas, indicando a anemia que se instala. A febre aparece e normalmente é alta, acima de 40ºC. Os animais ficam com a pelagem áspera e arrepiada. A urina pode ter cor de chocolate.

Os animais que se recuperam desenvolvem resistência à doença, mas podem sofrer recaídas se outra enfermidade provocar debilidade geral ou se forem mantidos longe dos pastos e, conseqüentemente, dos carrapatos. Quando o veterinário examinar os animais acometidos, poderá confirmar a doença pelos exames de sangue, relativamente simples de serem realizados.

Como tratar

Vários pontos devem ser levados em conta no tratamento da tristeza bovina. Essa “tristeza” que aparece decorre da combinação de dois fatores: febre e anemia. Assim, o tratamento deve ser feito à base de drogas que combatam a febre e com a medicação antianêmica. Nos casos de anemia profunda, o veterinário poderá, inclusive, indicar a transfusão de sangue. Deve ser feito também o tratamento específico com drogas que possuam ação direta sobre a Babesia spp e o Anaplasma spp.

Como evitar

Em primeiro lugar, deve-se dar atenção aos animais que estão sob risco de adquirir a doença, como bezerros. Ao primeiro sinal de febre, anemia e prostração deve-se recorrer ao auxílio de um veterinário.

Um cuidado muito especial deve ser dado a animais que venham de regiões sem carrapatos, como os importados. Se forem colocados diretamente no pasto, sem nenhum cuidado prévio, certamente irão desenvolver a doença e provavelmente morrer.

Esses animais devem ser submetidos a um tratamento prévio, conhecido como pré-munição. A pré-munição consiste basicamente em provocar a doença de maneira controlada, pela inoculação de sangue de um animal portador da doença. Esse procedimento, porém, só deve ser feito sob rigorosa supervisão veterinária, já que, além de ser fácil perder o controle da doença provocada, há o risco da transmissão de outras doenças pelo sangue de um doador que não seja adequadamente escolhido.

Atualmente, muito se pesquisa sobre vacinas contra a tristeza bovina, sobretudo para evitar os riscos de uma pré-munição. Trata-se de um desafio para os cientistas, que sabem da gravidade dessa doença no campo.

Brucelose O que é

Entre as doenças infecciosas que afetam o sistema reprodutivo dos animais, a brucelose é a que mais causa prejuízos, além de ser a mais conhecida. Nos bovinos, o agente causador é uma bactéria chamada Brucella abortus.

Animais com brucelose contaminam o pasto com a Brucella abortus no momento do parto ou aborto, pelos restos de placenta. Os outros animais são infectados ao ingerirem pastagem, forragem e água contaminada. Além disso, vacas podem adquirir a doença pelo hábito que têm de lamber fetos, placenta e animais recém-nascidos, assim como os órgãos genitais de outras vacas. O touro infectado também pode transmitir a doença. Se utilizado como doador de sêmen, multiplica em muitas vezes o potencial de disseminação da infecção entre rebanhos.

Como reconhecer

Nas vacas prenhezes, o principal sinal é o aborto, que geralmente acontece na segunda metade da prenhez. Também pode ocorrer o nascimento de bezerros debilitados ou mortos.

Apesar de o aborto ser o sintoma mais evidente, a brucelose leva a outro problema não menos importante: a infertilidade, que pode ser temporária ou não, acarretando sérios prejuízos ao criador. Num grande rebanho, a doença pode levar muito tempo para ser percebida, sendo por isso conhecida como “ladrão silencioso”. Brucelose é sinônimo de aborto, retenção de placenta e metrite. Quando a brucelose atinge um rebanho não-vacinado ou que nunca teve contato com o agente, a infecção se espalha de forma bastante rápida. Logo em seguida observa-se uma primeira onda, ocorrendo grandes perdas por aborto, infertilidade, queda na produção de leite e mesmo infecções genitais secundárias. Mais tarde, os abortos tornam-se mais comuns, mas a doença continua sem ser detectada. Nessa fase, suspeita-se de brucelose, quando ocorrem muitos casos de retenção de placenta e metrite e o intervalo entre partos começa a aumentar. Nos touros, a brucelose pode causar aumento no tamanho de um ou dos dois testículos, causando infertilidade e diminuição do apetite sexual (libido). O diagnóstico laboratorial da brucelose deve ser feito por meio de um exame do sangue ou do leite dos animais. Caso necessário, o veterinário poderá enviar para exame fetos abortados, placenta, leite, sêmen e outros materiais possivelmente infectados.

Como tratar

A doença pode ser tratada com alguns antibióticos. Mas a dificuldade de erradicar a brucelose numa propriedade, depois que ela ali se introduz, reforça a importância da prevenção.

Como evitar

A principal maneira de prevenir a brucelose é a vacinação. De acordo com a legislação em vigor, deve ser utilizada a vacina viva formulada com Brucella abortus cepa 19. Os anticorpos induzidos pela vacinação são idênticos aos induzidos em animais que contraíram a doença. É por isso que a vacinação só deve ser realizada em fêmeas entre 3 e 8 meses de idade. Assim, na idade adulta, a maioria das fêmeas vacinadas já não apresenta anticorpos no exame de sangue. Isso pode assegurar que os animais positivos nesse teste são os que carregam a doença. Animais positivos devem ser eliminados – assim, se erradica a brucelose numa propriedade e em toda uma região. A vacinação deve ser feita com supervisão veterinária. Outro problema da brucelose é que o próprio homem pode ser infectado por meio da ingestão de leite cru e de queijo fresco. A Brucella pode penetrar também por meio de pequenos ferimentos na pele ou pelos olhos, quando são tocados ou esfregados. Quem lida diretamente com os animais, como criadores, proprietários, veterinários, tratadores e funcionários de matadouros, pode infectar-se ao entrar em contato com fetos, placentas, secreções vaginais e excrementos de animais infectados. Essas pessoas, portanto, estão muito expostas ao risco quando manipulam animais contaminados. Medidas elementares, como o uso de luvas durante a palpação e o manuseio de fetos e placentas, são absolutamente necessárias.

Diarréia viral bovina (BVD) O que é

A diarréia não é uma doença. Na verdade, ela é um sintoma comum a diversas doenças. Uma grande quantidade de bactérias (Escherichia coli, Salmonella spp), vírus (Rotavirus, Coronavirus) e protozoários (Coccidia, Eimeria) está envolvida nos quadros de diarréria. Existe, entretanto, certa predisposição para determinados agentes, em função da idade do bezerro. Na primeira semana de vida, as diarréias causadas por E.coli e Rotavirus são mais freqüentes. Diarréias por Salmonella spp ou paratifo ocorrem mais freqüentemente em animais com duas ou mais semanas de idade. A Coccidiose costuma aparecer em bezerros com mais de um mês de idade. Diarréias de origem nutricional também podem ocorrer. Em animais jovens, estão relacionadas à excessiva ingestão de leite. Em adultos, pode ocorrer quando os animais são colocados em pastagem jovem, rica em brotos (diarréia da brota).

A doença é extremamente comum em bezerros criados confinados em bezerreiros, mas também ocorre em gado de corte criado a campo. Aparece com mais facilidade em bezerros debilitados ou submetidos à falta de higiene. Em bezerreiros úmidos e superlotados, a multiplicação dos agentes agressores é bastante favorecida e o desafio ao organismo do bezerro aumenta. Contudo, o aparecimento da doença depende muito da capacidade de defesa dos animais. Falta de colostro, desnutrição, altas cargas de parasitas debilitam o animal e facilitam o desencadeamento dos sintomas.

Como reconhecer

Em geral, antes do aparecimento da diarréia, os bezerros passam por um período de falta de apetite e depressão. Então, as fezes apresentam-se ligeiramente pastosas ou mesmo aquosas, e os bezerros já relutam em se alimentar. Às vezes, há febre.

Esse quadro, onde há perdas e não há reposição, leva a uma das principais conseqüências das diarréias: a desidratação, que torna a pele ressecada e sem elasticidade, olhos profundos e uma marcante apatia. Em casos graves, o animal pode ficar permanentemente deitado e com as extremidades dos membros frias. Algumas diarréias evoluem para a evacuação de sangue puro, dependendo principalmente da agressividade do agente causador.

Como tratar

A primeira medida deve ser a reposição de água e de eletrólitos. A reidratação é sem dúvida o ponto principal do tratamento das diarréias. Algumas drogas, porém, podem ser administradas sob indicação do veterinário, como sulfas, antibióticos e protetores de mucosa. Animais jovens, com diarréias severas, devem ter o fornecimento de leite temporariamente suprimido. Nesses casos, a aplicação de soluções com glicose é indicada como suporte. O leite deve voltar a ser administrado aos poucos, diluído na solução hidratante em concentrações gradativamente maiores.

Como evitar

A umidade é uma das grandes inimigas da saúde dos bezerros de maneira geral. Não há como manter bezerros sadios em ambientes muito úmidos. Por isso, recomenda-se que os bezerros estabulados sejam mantidos em bezerreiros suspensos sobre estrados, de forma a garantir que fiquem secos. A quantidade de animais no bezerreiro deve ser controlada. O ideal seria que os bezerros fossem mantidos em bezerreiros individuais e sobre estrado.

Os cuidados recomendados para recém-nascidos devem ser seguidos à risca: a administração do colostro nas primeiras horas da vida e o tratamento adequado do umbigo desses animais são vitais para que o estado geral dos bezerros seja bom. Algumas vacinas podem ser empregadas para determinados agentes. Matrizes no último terço da gestação devem ser vacinadas contra paratifo, colibacilose e rotavirose.

Verminose O que é

A verminose é uma doença causada por várias espécies de parasitas, uns mais patogênicos e outros menos, mas todos contribuem para o surgimento. A verminose causa grandes prejuízos, podendo reduzir em até 20% a produção leiteira e diminuir o desenvolvimento de animais jovens.

Os animais adquirem os vermes ao ingerirem capim contaminado com larvas. Bovinos infestados com os vermes adultos eliminam ovos desses parasitas com as fezes. Os ovos transformam-se em larvas que chegam ao capim. O gado pasta e o ciclo está fechado.

A gravidade da verminose e a intensidade da infestação por parasitas estão diretamente relacionadas com a idade do animal, o tipo de verme, o grau de infestação, a debilidade do animal e as condições climáticas.

Como reconhecer

Todos os bovinos criados a campo estão sujeitos à verminose, especialmente os bezerros. Todavia, o diagnóstico visual da verminose é muito difícil, a não ser em estágios mais adiantados da doença, quando os animais apresentam emagrecimento, pêlos secos e arrepiados, anemia, fraqueza e perda de apetite. Em alguns deles, aparece um aumento de volume sob a mandíbula, chamado no campo de “papeira”. Para a comprovação da verminose, é melhor submeter seu rebanho a exames laboratoriais, que devem ser solicitados ao médico veterinário.

Como tratar

Deve-se usar vermífugos adequados. Há várias formas de aplicação, como oral, injetável, intra-ruminal, pour on, etc. O criador deverá procurar orientação veterinária para escolher a melhor formulação. Em casos graves, poderá ser indicado tratamento antianêmico.

Como evitar

O controle requer medidas de manejo e aplicação correta de vermífugos (anti-helmínticos). A aplicação deve obedecer ao controle estratégico, o qual recomenda vermifugar os animais no início da estação seca, meio da seca e início das águas.

Leptospirose

O QUE É

É uma doença de distribuição mundial, sendo mais freqüente em áreas de clima quente e úmido. Essa doença é uma zoonose, isto é, pode ser transmitida ao homem. No bovino, a importância da doença é mais de ordem econômica, por influenciar o potencial reprodutivo do rebanho. No homem, porém, ela pode ser fatal. Essa doença nos bovinos pode ser controlada por vacinação, sendo a primeira dose aplicada entre 4 a 6 meses de idade, com reforço quatro semanas após. Todo o rebanho deve ser vacinado semestralmente. A contaminação se dá através do contato com fezes e urina de ratos contaminados, geralmente ocorrendo com animais estabulados.

COMO RECONHECER

Os principais sintomas, nos casos agudos, são: atonia ruminal, emagrecimento, temperatura elevada, falta de apetite, anemia hemolítica, hemoglobinúria e icterícia; nos casos crônicos: anemia, aborto, esterilidade, diminuição da produção leiteira. Também provoca febre de quatro a cinco dias, anorexia, conjuntivite, diarréia e diminuição brusca do leite (mastite atípica). Os sintomas mais notórios são o abortamento (uma a três semanas após início da infecção) e a hemoglobinúria. Pode apresentar retenção de placenta, nascimento de crias fracas e infertilidade como seqüela da infecção. Alta taxa de morbidade. Os bezerros são mais suscetíveis.

CONTROLE

Na fonte de infecção: controle de roedores. Isolamento, diagnóstico e tratamento de animais doentes.

Na via de transmissão: destino adequado das excretas, limpeza e desinfecção química das instalações (uso de derivados fenólicos). Drenagem da água das pastagens, não utilizar sêmen suspeito.

Nos suscetíveis: as vacinas contra a leptospirose são bacterinas (cultura morta) e por isso a sua imunidade é baixa e previnem contra a sintomatologia clínica. Há relatos de animais que apresentam leptospirúria após a vacinação. O esquema da vacinação adotado vai depender da prevalência da doença na região. Em locais endêmicos, recomenda-se vacinação a cada seis meses. Se não for o caso, uma vez por ano.

TRATAMENTO

Dose única de 25 mg/kg de diidroestreptomicina, por via intramuscular. A estreptomicina é nefrotóxica, não devendo ser fornecida aos animais em quadros agudos de leptospirose (pequenos animais, bezerros). Para estes, oferecer penicilina e outros, esperando que o animal saia dessa fase aguda para utilizar a estreptomicina.

Raiva O que é

Em termos de pesquisa, a raiva bovina é uma das doenças mais interessantes. Para o criador, no entanto, é radical: mata e acabou! O agente causador da raiva é um vírus, o mesmo que ataca o homem, os bovinos, os cães, os gatos e outros mamíferos. A diferença está na forma de transmissão.

A raiva humana está estreitamente vinculada à raiva canina e felina. Controlando-se a doença nesses animais, a incidência sobre as pessoas será mínima. Quanto aos bovinos, a raiva envolve um personagem que complica todo o controle da doença: o morcego-vampiro (ou morcego hematófago – que se alimenta de sangue).

Em várias regiões do Brasil, os bovinos são criados em áreas onde o morcego tem plenas condições de viver em grandes populações. Todo veterinário conhece a região onde atua, assim como o proprietário rural e o peão. Por isso, eles não se confundem quando encontram, pela manhã, manchas de sangue coagulado no pêlo dos animais. Todo morcego-vampiro se alimenta de sangue, mas só o morcego infectado transmite a raiva, deixando no local da mordida uma boa quantidade de saliva com vírus. Então, o vírus invade as células do sistema nervoso do bovino e vai “caminhando”, por assim dizer, até o sistema nervoso central.

Como reconhecer

Nos bovinos, a doença demora para aparecer: de 25 a 150 dias depois da mordedura do morcego. A doença em si mata o animal em no máximo 10 dias. A paralisia costuma aparecer logo nos primeiros dias. Começa com o animal se distanciado do rebanho, o pêlo fica arrepiado e se percebe falta de coordenação. Depois, sente dificuldade para engolir alimentos e água e emagrece rapidamente.

Os sintomas da raiva bovina, caracterizados por paralisia, tremores, sonolência e depressão, são bem diferentes dos sintomas de um cão raivoso.

Nos cães, a raiva manifesta-se por excitação e irritabilidade. Cães raivosos ficam perigosamente agressivos, daí a expressão “’cachorro louco”. Quando os sintomas de um animal indicarem a ocorrência de raiva, é indispensável recorrer a um veterinário, que mandará material para exames laboratoriais a fim de confirmar a doença. O material em questão refere-se a fragmentos do cérebro do bovino afetado, conservado em uma solução de glicerina ou sob refrigeração. Será enviado em um recipiente bem selado, dentro de um isopor hermeticamente fechado, com um aviso no lado de fora em letras grandes: “CUIDADO! MATERIAL INFECCIOSO PARA DIAGNÓSTICO”. Quando há suspeita de raiva, todo cuidado é pouco. O veterinário consciente estará devidamente vacinado e tomará todos os cuidados necessários na coleta do material para exame.

Como tratar

Não existe nenhum tipo de tratamento para a raiva. Os animais morrem rapidamente após o início dos sintomas, freqüentemente em três a quatro dias.

Como evitar

Para o controle de raiva, o ideal seria diminuir a população de vampiros na região, mas isso normalmente custa caro e é complicado de ser feito da maneira correta. Para buscarem sua fonte de alimento, os morcegos podem voar mais de 50 km de distância de seus abrigos.

Bicheira O que é

A popular bicheira é a designação usual dada à infestação da pele dos bovinos por uma grande quantidade de larvas de uma mosca, chamada Cochliomyia hominivorax. Tecnicamente, a doença recebe o nome de ‘‘miíase’’. As moscas que dão origem a bicheiras são uma ameaça, tanto para o homem quanto para os animais. As fêmeas depositam seus ovos sobre feridas e, depois de aproximadamente um dia de incubação, surgem as larvas.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela observação das larvas das moscas nos ferimentos. Estes podem ser causados por amputação da cauda, castração, cortes com arame farpado, umbigo de animais recém-nascidos, áreas lesadas por picadas de carrapatos, ferimentos por plantas espinhosas, etc. As larvas da bicheira são diferentes das larvas do berne. São bem menores e podem ser encontradas em grande número numa lesão, ao contrário dos bernes, que se instalam um a um. As larvas da Cochliomyia hominivorax alimentam-se apenas de tecidos vivos e jamais se instalam em cadáveres. As lesões causadas por essas larvas atrairão outras fêmeas adultas, que depositarão mais ovos, agravando o quadro.

Como tratar

A forma mais eficiente – porém mais trabalhosa – de tratar as bicheiras é por meio da remoção de todas as larvas que se encontram na lesão. Para tanto, devem ser cortados os pêlos ao redor da ferida e a área deve ser lavada com água e sabão. A seguir, faz-se a aplicação de produtos que matem as larvas, para facilitar a remoção. Por fim, devem ser aplicadas soluções antissépticas e repelentes. Em casos graves, pode haver a necessidade da aplicação de antibióticos.

Como evitar

Deve-se realizar dois tratamentos por ano. O primeiro, no início da estação seca, com produtos à base de piretróides, na forma de pulverização, imersão ou pour on. O segundo, no início da estação chuvosa, com produtos à base de organofosforados. Para controle efetivo das moscas da bicheira, o tratamento deve ser o regional, realizado por todos os proprietários.

Salmonelose (Paratifo)

O QUE É

Essa doença, também chamada de paratifo, é mais comum em animais jovens. A maneira de transmissão é sempre fecal/oral. Os animais doentes, ou com a doença subclínica, excretam os microorganismos em grande número, através das fezes, urina ou leite, contaminando o meio ambiente e alimentos. A água estagnada funciona como fonte significativa de infecção, e esses locais podem permanecer contaminados por longos períodos. A doença tende a mostrar incidência estacional distinta, ocorrendo nas regiões de clima subtropical, geralmente no início do inverno e, nas regiões de clima tropical úmido, no período menos chuvoso do ano. Costuma ocorrer com maior freqüência nos animais mal alimentados, nos intensamente parasitados e naqueles que permanecem concentrados em áreas alagadas, por períodos prolongados.

COMO RECONHECER

Provoca enterite (inflamação intestinal), acompanhada de diarréia, febre alta, descoordenação nervosa e morte em 24 a 48 horas. A salmonelose evolui geralmente com diarréia pastosa acinzentada, bastante fétida e, às vezes, com estrias de sangue. Dores abdominais, apatia, perda de apetite, fraqueza, respiração acelerada, temperatura elevada e tumefações nas articulações também são sintomas observados. A salmonelose pode ser confundida com a colibacilose, entretanto esta última afeta animais na primeira semana de vida, enquanto a outra ocorre em animais de maior idade. Na salmonelose, a diarréia geralmente é escura e mucosa e, na colibacilose, é clara e aquosa.

COMO TRATAR

O tratamento consiste, primeiramente, em eliminar a desidratação do animal, utilizando-se solução fisiológica glicosada a 15%, via subcutânea (500 ml) ou endovenosa (1.000 ml).

Como quimioterápicos, deve-se preferir produtos à base de trimetropim-sulfadoxine (1 ml/10 kg), cloranfenicol (22 mg/kg) ou ampicilina (25 mg/kg), durante três a quatro dias. Ainda como medida preventiva, a recomendação é de proceder à vacinação da vaca prenhe, no oitavo ou nono mês de gestação. Dessa forma, portanto, serão eliminados os anticorpos pelo colostro, que irão proteger o bezerro. As medidas higiênicas devem ser rigorosamente observadas.

Carrapatos

O que é

Provoca perda de apetite nos animais, em virtude da irritação. O carrapato pode causar sérios prejuízos, devido à transmissão de outras doenças (ver tristeza parasitária), perda da qualidade do couro e favorecimento de bicheiras. Os animais são infestados quando entram em contato com hastes de capim onde os carrapatos ficam instalados.

Como reconhecer

O diagnóstico da doença se faz pela constatação da presença dos carrapatos. Os animais parasitados tornam-se inquietos e não se alimentam corretamente. Ocorre, então, emagrecimento e queda na produção de carne e leite. Há também irritação da pele no local da picada e anemia, em decorrência da perda de sangue.

Como tratar

Podem ser usados produtos carrapaticidas na forma de pulverização ou imersão (piretróides, organofosforados e amidinas), pour on (piretróides) ou avermectinas (ivermectinas). A utilização desses medicamentos, porém, deve ser feita segundo o controle estratégico.

Como evitar

Não convém eliminar completamente os carrapatos. Devem ser mantidos em um nível tolerável, que proporcione equilíbrio entre a resistência do animal e as doenças por ele transmitidas. Para manter o parasita em nível satisfatório, é necessário o controle, concentrando os banhos carrapaticidas (cinco a seis banhos, com intervalos de 21 dias).

Febre aftosa O que é

Ainda é o grande problema da pecuária brasileira. Só que hoje, mais do que uma doença do gado, ela é a doença de um País. É bem possível que o jovem criador ou o peão nunca tenham visto uma vaca “afetada” (assim se denominavam os animais com sintomas de aftosa). Afinal de contas, são mais de 30 anos de vacinação obrigatória. O causador da febre aftosa é um dos menores vírus encontrados na natureza (aftovírus). Sua capacidade de disseminação é impressionante: pela água, com os ventos, na sola do sapato, na roda do caminhão e, principalmente, de animal para animal. Bovinos, cabras, ovelhas e porcos transmitem entre si a doença. Nesta lista também entram vários animais da fauna brasileira, como o veado, a capivara e os porcos-do-mato, entre outros. O vírus da febre aftosa, porém, não consegue infectar as células do homem.

Existe, sim, uma doença bastante comum, chamada estomatite herpética aftosa, que provoca aftas na boca do ser humano. Ela é causada por outro vírus completamente diferente.

A saliva do animal doente não é a única fonte de vírus para o ambiente, mas com certeza é a mais potente. Em geral, é ela quem contamina caminhões, aguadas, instalações, currais, cochos de sal e ainda gera gotículas que facilitam a disseminação de animal para animal.

Como reconhecer

Febre é o primeiro sintoma. Quem lida com o rebanho percebe logo no começo do surto a presença de animais arrepiados, tristes, diferentes. Logo começam a surgir as aftas (na verdade são vesículas) na boca, língua, gengiva, nos cascos, úbere, vulva, etc. Essas vesículas são bolhas cheias de líquido muito rico em vírus.

As conseqüências dessas lesões são sérias. As feridas nos cascos e na boca, assim como a febre, impedem o animal de pastar. Há perda de peso em torno de 10 a 15% e a quebra do leite pode ser de até 60%. Além disso, leva de quatro a seis meses para o animal recuperar seu potencial de conversão alimentar, reprodução e fertilidade.

Esses sintomas são quase inconfundíveis, porque existem outras doenças que podem levar a quadros muito semelhantes, como a estomatite vesicular e a rinotraqueíte infecciosa dos bovinos (IBR). O diagnóstico diferencial, portanto, é muito importante. À medida que a erradicação evolui, torna-se cada vez mais vital fazer a identificação correta. Mandar material para o laboratório é fundamental. Seu veterinário saberá como coletar e para onde enviar as amostras. Não deixe de fazê-lo.

Como tratar

O tratamento deve ser feito com a aplicação de soluções antissépticas nas feridas da boca e do úbere. Os cascos, se possível, devem ser protegidos com bandagens. Os animais em tratamento, porém, devem ser rigorosamente isolados, pois são fonte de infecção para outros animais.

Como evitar

Hoje em dia, combater a aftosa é uma questão de consciência. A erradicação na sua propriedade e no País acontecerá quando duas medidas básicas se tornarem automáticas: vacinação e vigilância sanitária.

Com relação às vacinas, o criador pode ficar tranqüilo. O controle rígido do governo e a busca da qualidade dos laboratórios fizeram com que o pecuarista tivesse à disposição as vacinas mais cuidadosamente produzidas no mercado.

O esquema para manter o rebanho protegido deve seguir algumas regras.

1. Mantenha as matrizes sempre imunizadas, para ter bezerros protegidos.

2. Vacine os bezerros aos 4 meses de idade e aplique o reforço 90 dias depois.

3. Revacine todos os animais a cada seis meses.

Para contar com maior segurança, faça uma vacinação extra de seus animais que vão a leilões, feiras e exposições. Nessas ocasiões, o gado poderá estar entrando em contato com animais não-protegidos, que podem estar incubando a doença. Nunca deixe para vacinar na hora do evento. Animais recém-nascidos devem ser vacinados e ficar isolados do resto do rebanho por aproximadamente 15 dias, em especial as novilhas e os garrotes.

A critério das autoridades sanitárias e sob a responsabilidade delas, poderão ser adotados outros esquemas de vacinação. No que diz respeito à vigilância sanitária, todos sabem que é uma função do governo, mas a responsabilidade é de todos. Nos últimos anos, a cooperação entre produtores, empresas privadas e órgãos oficiais tem sido motivo de excelentes resultados no campo.

Botulismo O que é

Para começar, é preciso esclarecer que botulismo não é uma infecção, mas sim uma intoxicação causada pela ingestão de toxinas produzidas por uma bactéria chamada Clostridium botulinum. Toxinas são como venenos e as do botulismo são consideradas as mais potentes já encontradas. O botulismo atinge mamíferos domésticos e aves. O ser humano também pode contrair o botulismo por alimentos em conserva contaminados. Uma das causas mais conhecidas do botulismo em bovinos é a ingestão da toxina em restos de cadáveres em decomposição no pasto. O criador, porém, deve ficar atento a outros meios de transmissão:

• Água parada, geralmente águas rasas e esverdeadas, com restos de cadáveres ou não. • Milho armazenado de forma errada, em putrefação, em condições de umidade e alta temperatura. • Feno úmido e em putrefação. • Ração armazenada inadequadamente. • Cama de frango que, sob determinadas condições de armazenagem, é um excelente meio de cultura de clostrídio e para produção da toxina. • Silagem, principalmente das laterais do silo, onde pode ocorrer putrefação.

Como reconhecer

A duração da doença é variável e dependerá da quantidade da toxina ingerida. Se a ingestão for alta, a morte pode vir em menos de 24 horas. Se for baixa, existe a probabilidade de o animal sobreviver, mas podem ficar seqüelas. O principal sintoma do botulismo é a paralisia dos músculos de locomoção, mastigação e deglutição. O problema manifesta-se inicialmente nas patas traseiras e o animal começa a apresentar um andar duro e desajeitado, preferindo ficar deitado. Por isso, o botulismo é também chamado de “doença da vaca caída”. Mais tarde, o animal começa a apresentar dificuldade em pastar e mastigar. Não há febre. Quando esse sintoma aparecer, é importante recorrer a um veterinário, que examinará os animais acometidos e estará atento a outros problemas que podem ser confundidos com o botulismo, como a raiva e a intoxicação por plantas.

Para obter a comprovação, o veterinário coletará conteúdo gastrointestinal, do fígado e sangue. Mas é bom ter em mente que, pelas características da doença, o diagnóstico de laboratório é muito difícil.

Como evitar

1. Mineralização do rebanho, pois carência mineral é a principal causa do hábito de roer ossos (osteofagia). A correção da deficiência de fósforo é fundamental, seja pela suplementação com sais minerais, seja pela correção do solo.

2. Eliminação das fontes de intoxicação: os cadáveres devem ser retirados das pastagens, incinerados e enterrados profundamente em local ao qual os bovinos não têm acesso. Quando há suspeita de que a intoxicação provém de alguma fonte de água ou alimento, deve-se impedir o acesso dos animais a esses locais.

3. Vacinação anual em todos os animais, após o desmame. Os vacinados pela primeira vez devem tomar um reforço, quatro a seis semanas depois.