Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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NUTRIÇÃO

Cocho cheio

O setor de alimentação animal composto por fabricantes de rações balanceadas, alimentos para animais de estimação (pet food), premix, suplemento mineral e suprimentos de ingredientes – teve um crescimento superior este ano, se comparado às estimativas realizadas no final de 2006 pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). Até o primeiro semestre era previsto um crescimento de 6,5% para 2007, porém este índice foi ajustado para 11%.

Enquanto em 2006 o ano fechou com uma produção de 48,4 milhões de toneladas de ração, este ano deve encerrar com mais de 53,5 milhões de toneladas – em um setor que deve movimentar US$ 10 bilhões. Em relação ao ano passado, analisando as projeções para o fechamento do ano, o maior crescimento percentual na produção de rações deve ser na bovinocultura, com mais de 21% – considerando-se apenas os bovinos de corte, essa porcentagem sobe para 35%. Já o consumo de ração na avicultura deve fechar o ano com 10% de aumento, impulsionado pelo consumo das galinhas de postura, que tem previsão de alta de 14%.

O diretor-executivo do Sindirações, Ariovaldo Zanni, considera que em termos de produção e quantidade produzida houve um crescimento razoável. Nas previsões do Sindirações, a bovinocultura deve fechar o ano com uns 20% de participação na demanda por ração. “A bovinocultura de corte foi alavancada pelos melhores preços pagos ao produtor, além da elevação da demanda pela carne exportada”, salienta Zanni. E continua: “Há também um fenômeno interessante, o grande avanço da lavoura de cana tem motivado o movimento de migração do boi de pasto para o regime de semiconfinamento, que usufrui dos produtos que o nosso setor disponibiliza”.

“No caso do leite, tivemos um crescimento razoável, o consumo de ração para vaca leiteira aumentou, o alavancador também foi a melhora no preço pago ao produtor”, comenta. De maneira geral, Ariovaldo acredita que foi um ano bom em termos de quantidade produzida.

Mas o dirigente relativiza os ganhos: “O aumento de preços que as rações sofreram em 2007 não foi suficiente para preservar as margens de lucratividade do setor”. E emenda: “O milho, no mesmo período, aumentou mais de 50% e só ele participa com cerca de 70% na formulação de rações para aves e suínos. Os aditivos nutricionais importados também apresentaram elevados custos de aquisição por causa da aquecida demanda internacional e altos custos dos precursores químicos, energia e transporte”.

Para não repassar esses custos ao produtor, o Sindirações tem tentado formas alternativas como qualificar a mão-de-obra. A entidade estabeleceu um convênio com o Senai para formação de mão-de-obra especializada (supervisores de produção) para alcançar maiores níveis de produtividade, menores índices de perdas e garantia da segurança alimentar, informa o diretor.

A perspectiva para 2008 é otimista, o Sindirações projeta um novo incremento na ordem de 10% no consumo de ração, baseado nos investimentos da agroindústria integradora que vem realizando fusões e investimentos no Brasil e no exterior. Além disso, fatores como a competitividade do complexo de carnes brasileiro no mercado internacional e a safra abundante de grãos sustentam os ânimos.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), Sérgio Morgulis, diz que 2007 foi um ano de recuperação para o setor, por conta da crise da aftosa que se iniciou no final de 2005. “Em 2007 começou uma reação no preço da arroba, no valor do bezerro e no preço do leite, repercutindo favoravelmente no mercado de insumos para pecuária”, comenta. Com as exportações de carne bovina e do leite aquecidas, Morgulis acredita que será possível contar com um crescimento de 5% em relação a 2006. Tal previsão mostra uma manutenção no ritmo.

O presidente da Asbram mantém-se otimista em relação às perspectivas do mercado. “Temos potencial para quadruplicar o nosso mercado, incluindo os suplementos com uréia, além do aumento do suplemento mineral normal, protéico, protéico energético e núcleos para formulação de rações concentradas para confinamentos e vacas de leite”, anima-se o dirigente.

O setor de suplementos à base de fósforo, muito ligado à avicultura e à suinocultura, também teve um bom desempenho e deve fechar o ano com uma elevação média de 6%, de acordo com o presidente da Associação Nacional das Indústrias de Fosfato na Alimentação Animal (Andifós), Paulo Roberto da Silva. Ele explica que isto se deve à expansão das exportações de frangos e depois à melhora na renda do pecuarista de corte e de leite, fato que se intensificou a partir do segundo semestre.

Em 2008, estima-se manter o ritmo de crescimento entre 5% e 6%. Isto só não acontecerá caso o Brasil volte a ter problemas sanitários, ressalta Paulo Roberto. “Para evitar esse risco, o sistema sanitário precisa ser continuamente monitorado. Qualquer erro que cometamos, os europeus e americanos não vão perdoar”, alerta.