Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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MERCADO DO COURO

De volta às origens

O setor curtidor encerra 2006 de olho nas exportações para os países emergentes da Ásia. Após um ano em que os embarques de couros somaram US$ 1,51 bilhão até outubro – receita 32% superior ao mesmo período do ano passado, o objetivo, agora, é engordar as cotas de países como Índia, China, Hong Kong, Taiwan, Coréia e até mesmo Vietnã e Indonésia. A estratégia está sendo montada dentro do Programa Brasileiro para Expansão da Exportação de Couro (Brazilian Leather), idealizado pelo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CIBC) e pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex – Brasil), e tem como objetivo aumentar os embarques de couro do Brasil para US$ 2,4 bilhões até o ano de 2008.

De acordo com o consultor do CICB, Flávio Alberto Lucchese, a Índia é um dos mercados mais almejados e que apresenta grande potencial consumidor. De janeiro a junho deste ano, o país já investiu no setor coureiro do Brasil US$ 8 milhões, a mesma quantidade aplicada durante todo o ano passado. “A Índia é o 2º maior exportador de calçados, perdendo somente para a China”, diz. O fato de o gado brasileiro ser de tamanho maior, gerando peças de couro grandes, seria o principal motivo da aposta. “Os bois da índia são pequenos, apesar do rebanho zebuíno brasileiro ser originário de lá”, argumenta.

A China também oferece boas oportunidades. De janeiro a setembro deste ano, o país já elevou as importações do couro brasileiro em 39% e, segundo Lucchese, deverá dobrar o volume em 2007. A expectativa ainda leva em conta uma possível demanda por couro semi-acabado, o que engordaria em até 80% a receita sobre o produto. “Eles estão tarifando o couro não-acabado porque o governo quer diminuir a entrada de produtos que precisem de continuidade de tratamento como o couro wet blue para diminuir o ataque ao meio ambiente”, explica o consultor. O país, que é o mais populoso do mundo, juntamente com Hong Kong, já compra 45% do couro brasileiro.

O Vietnã é outra possibilidade de crescimento para o setor. Os curtumes do país têm capacidade de produção para satisfazer somente 20% da procura nacional, resultando numa contínua dependência da aquisição do produto. O couro utilizado lá até é o brasileiro, mas adquirido de países vizinhos como a China, Taiwan, Coréia do Sul, Tailândia e Hong Kong, “Nosso objetivo é vender diretamente para o Vietnã, já que eles compram o nosso couro de terceiros e são um dos maiores exportadores e calçados do mundo”, revela o consultor. Os números já confirmam a tendência. De a janeiro a setembro, segundo o CICB, o país obteve um incremento de 216% nas importações do couro brasileiro, saindo de US$ 7,4 milhões para US$ 23,4 milhões.

Mudança de paradigmas

Além de ampliar a participação nas vendas de couro para a Ásia, o setor também entra o ano de 2007 disposto a investir na venda de couro semi-acabado (Crust) e acabado. Hoje, cerca de 65% da produção. brasileira, que gira em torno de 40 milhões de peças, é exportada diretamente inacabada (wet blue). A preocupação é rentabilizar os negócios, já que, com o produto acabado, há uma agregação de valor que chega a 100% ou mais. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), se todas as exportações de janeiro a julho deste ano fossem de couro acabado, o Brasil receberia US$ 951,68 milhões, ao passo que as de wet blue renderam US$ 341,62 milhão. A diferença seria de US$ 610 milhões. “Isto representa um grande desperdício de potencial de geração de riqueza e empregos. Se tivéssemos um cenário que oferecesse maior competitividade para a agregação de valor ao nosso couro, as exportações, que este ano deverão render para o país US$ 1,8 bilhões, poderiam gerar muito mais em divisas”, ressalta o presidente da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul. Cezar Müller.

Uma das principais estratégias de ação para o período é o apoio às empresas do setor para participarem de feiras, mostras e exposições internacionais, promovendo maior visibilidade dos produtos brasileiros e proporcionando a oportunidade de contato e de negócios diretos com grandes importadores. A indústria da moda é o principal alvo, principalmente para os pequenos e médios empreendedores. “Estamos incentivando os curtumes a criar moda em couro”, salienta Lucchese. A Europa é o destino escolhido para a divulgação das peças. “Quem visita estas feiras são os olheiros das grandes grifes. Eles nem perguntam o preço”, conta. As mais importantes no segmento da moda são a Le Cuir a Paris, em Paris, França, e Lineapelle, em Bolonha, Itália. “Em 2006, o mais importante foi a evolução de muitas empresas do setor no desenvolvimento de produtos diferenciados, com agregação de muita tecnologia e design, conquistando espaço no mercado internacional”, coloca Müller.