Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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AG NA FAZENDA

Tradição preservada na Fazenda Cachoeira 2c

Desde que decidiu seguir para a Índia, em 1957, e dar início ao sonho de ter seu próprio plantel de seleção com animais zebuínos, o pecuarista Celso Garcia Cid – pioneiro importador de zebu para o Brasil – não parou mais de apostar na raça, vislumbrando, já naquela época, um caminho seguro para a produção de carne a baixo custo, nas condições de clima e pastagem das regiões tropicais.

Meio século depois, a Fazenda Cachoeira 2C ainda guarda muito do tempo do seu patriarca, história que se traduz no grande amor pelo zebu e na persistência para formar um dos mais importantes criatórios de seleção do País. Gabriel Garcia Cid, neto do pecuarista e um dos responsáveis pela atual administração do rebanho conta que, após a morte do avô, a presença e a sabedoria da avó, dona Francisca, serviu de esteio para toda a família. “Foi ela quem sempre incentivou o nosso trabalho, nos apoiando com sua presença e permanecendo sempre ao nosso lado”, lembra Gabriel, que destaca a participação da mãe Beatriz, do irmão Gustavo e dos primos Lucas, João e Cristiane nos trabalhos da fazenda.

As memórias do criador Garcia Cid, retratadas no livro “O Tempo de Seo Celso”, dão conta que do lote de 112 animais da primeira importação 60 foram cedidos para outros criadores brasileiros. Na visão de Celso "ceder" essa genética a pecuaristas não significava apenas vender, mas fazer negócios propícios à continuação das linhagens, além de formar laços de amizade entre parceiros para o futuro. A partilha do criador foi a maior já feita de uma importação de gado indiano.

Aliás, da viagem à Índia nasceu também uma grande amizade com o Marajá de Bhavnagar, aquele que autorizou a importação de gado gir para ser criado no Brasil. Nascia aí uma relação entre os Garcia Cid e os indianos que transcende gerações e já rendeu frutos de valor genético inestimável. Apaixonado por genética e também encarando como missão pessoal a salvação de uma raça tão dócil e resistente, o marajá procurava há algum tempo um guardião para seu tesouro. E, de fato, alguns anos mais tarde, em 1965, após a sua morte, seu herdeiro e novo marajá de Bhavnagar, Virbhadra Singh, enviou uma carta ao Brasil, expressando a última vontade de seu pai: doar o seu rebanho à família Garcia Cid.

Pioneira também na seleção da raça gir no Brasil, a fazenda Cachoeira 2C tem na sua galeria alguns dos mais importantes expoentes da raça. É o caso do reprodutor Krishna, que permanece até hoje na sede da fazenda embalsamado em redoma de vidro. “O rebanho da Cachoeira sempre preservou as principais linhagens POI importadas da Índia e a seleção sempre se baseou no equilíbrio entre raça e produtividade”, destaca Gabriel, para quem a raça gir vive, hoje, um de seus melhores momentos graças ao trabalho das associações e criadores que realizam o trabalho de controle leiteiro na seleção.

A fórmula do sucesso

A trajetória da Fazenda Cachoeira 2C na produção de gado elite logo entrará na 4ª geração, mantendo o mesmo prestígio e confiança entre os criadores. O segredo para conservar um trabalho de seleção de tanto tempo, preservando a qualidade e constância na produção de reprodutores para um mercado tão exigente, está na herança deixada pelos avós de amor pelo trabalho e preservação das amizades conquistadas ao longo dos anos.

No melhoramento genético dos animais, tanto o rebanho nelore quanto o gir são avaliados pelo programa Geneplus, da ABCZ/Embrapa, ferramenta que auxilia o processo de seleção em busca de animais melhoradores. “O objetivo da Cachoeira 2C é manter o equilíbrio entre raça e produtividade, com opção de famílias diferenciadas para refrescamento de sangue”, destaca Daniel de Oliveira, gerente da propriedade, que mostra que a fórmula mágica para selecionar gado está na observação diária dos animais. “Nunca descuidar da nutrição, sanidade e bem-estar do rebanho. É essa filosofia que a Cachoeira segue à risca por meio dos muitos testes a que são submetidos os animais”, explica Oliveira.

O manejo é direcionado de acordo com o calendário da fazenda, que também participa do circuito de exposições e leilões oficiais da ACNB. Para isso, a preocupação com a condição corporal do plantel começa cedo. Além do aleitamento materno, a bezerrada recebe suplementação mineral no creep-feeding. A partir daí, é feita uma primeira avaliação. A outra ocorre aos 12 meses. Os animais que não atingem os índices mínimos são descartados. A vida reprodutiva das fêmeas também começa cedo:

normalmente perto dos 16 meses e 370 kg de peso, quando elas são testadas juntamente com os machos.

Todo o rebanho elite PO e POI nelore e gir fica na própria Fazenda Cachoeira, em sistema de pastejo rotacionado intensivo. Já o plantel de campo, fica na Fazenda Barra Mansa, em Amaporã/PR, em regime de pastagens de tanzânia, mombaça e gramíneas, também sem sistema de pastejo rotacionado.

Trajetória vitoriosa

A Cachoeira 2C tem trajetória vitoriosa nas pistas de julgamento tanto no nelore como no gir. O reflexo desse resultado espetacular é comprovado nos concorridos leilões da fazenda, que marcam médias de preços bastante expressivas. Alguns exemplos na história recente do criatório: em 1997, os Garcia Cid conquistaram o vice-campeonato no Ranking Associação dos Criadores de Nelore do Brasil. Nos últimos seis anos, a fazenda conquistou quatro grandes campeonatos e diversos campeonatos da raça Gir na Expozebu, em Uberaba/MG. “Nossa principal doadora, Shakuni 69 DC POI, além de ser o nosso animal mais premiado em pistas, duas vezes campeã na Expozebu, também é mãe de recordistas de preços (uma delas, a recordista mundial Nisha 16 DC TE). Está é a prova da forte pressão de seleção na Cachoeira. Nosso desafio é o de sempre levar, com rapidez, o melhoramento genético conquistado nas pistas até o pecuarista que produz carne. Trabalhamos de olho nesse objetivo”, ressalta Gabriel Garcia Cid.