Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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SEGURO

Riscos divididos

O mercado de seguro rural cresce impulsionado principalmente pelas políticas de incentivo ao produtor, adotadas pelo governo federal. Entre elas, está a liberação de R$ 61 milhões para subvenção federal ao prêmio. “Na prática, essa atitude indica que o governo quer que todos os produtores tenham acesso ao seguro”, diz Geraldo Mafra, diretor comercial da Brasileira Rural e recém desligado do Ministério da Agricultura. Com a soma desse valor, os prêmios do seguro rural (incluindo agrícola e pecuário) poderão totalizar R$ 130 milhões em 2006.

Este é o primeiro ano em que o seguro pecuário receberá esse incentivo federal, que prevê subvenção máxima de 60% ao prêmio do seguro. “O efeito direto para o produtor é que, à medida que o governo o apóia, a taxa do seguro é reduzida”, defende Mafra.

Apesar do crescimento, a atividade ainda é pouco difundida no mercado brasileiro. O seguro rural representa apenas 2% do faturamento de seguros em todo o País, sendo que 75% desse total é referente ao penhor rural, uma espécie de seguro do financiamento tomado pelo produtor, mas que não assegura a própria produção.

Para alavancar o mercado, é necessário um conjunto de políticas adicionais que incluem a abertura do mercado de resseguro (atualmente o governo detém o monopólio nessa área) e a criação de um Fundo de Catástrofe (projeto que ainda está sendo formulado no Congresso) como garantia de estabilidade ao produtor e à seguradora, com Governo realizando aportes de valores.

No entanto, a prática securitária encontra resistência nos próprios produtores, que alegam o alto preço do prêmio como o principal desmotivador. “Atualmente, o prêmio é equivalente a 2% do valor segurado, enquanto a taxa de mortalidade do rebanho bovino não passa de 1%”, compara Ângelo Gemignani, engenheiro agrônomo e um dos acadêmicos fundadores da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP).

As seguradoras se defendem dizendo que para o setor crescer, não adianta apenas a subvenção do governo federal ao prêmio. “O principal entrave para o crescimento é o mercado fechado. Se o País permitisse a atuação de outras resseguradoras, o aumento da oferta melhoraria a atividade securitária”, afirma Federico Marina, consultor de seguros do Portal Rural Seguro. Hoje, o PIB agrícola brasileiro é de R$ 109 bilhões e somente R$ 1,5 bilhão está segurado, ou seja, menos de 1% do total.

Para 2007, Marina acredita no aumento do volume do mercado segurador, que hoje equivale a 3,5% do PIB nacional. Na Europa e nos EUA, por exemplo, esse valor chega a 8%. “O seguro rural, assim como todo o mercado securitário, é uma atividade em que os resultados se avaliam a médio e longo prazo”, justifica o consultor.

Tranqüilidade necessária

Morte, acidentes, asfixia, eletrocussão, insolação; os riscos que o produtor pecuário enfrenta são inúmeros. Para minimizá-los, a solução pode estar em dividir essas preocupações com uma seguradora. “O produtor que possui o seguro pecuário não fica à mercê de decisões políticas e tem um parceiro com quem dividir seus prejuízos”, alerta Geraldo Mafra, da Brasileira Rural.

As contratações de seguro estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. “Hoje, o seguro rural promove uma garantia maior ao produtor do que o empréstimo bancário”, defende Mafra, lembrando que a cultura do seguro ainda não é difundida no campo. “O fazendeiro médio possui seguro de automóvel para a sua caminhonete, mas não se lembra de proteger seu meio de vida que é a produção”, compara. Uma saída pode ser a ação de cooperativas que divulguem massivamente o seguro rural.

Federico Marina, consultor de seguros, concorda com a falta da cultura de seguro do produtor brasileiro. “O empresário que vive da venda da carne e do leite deve enxergar a seguradora como uma parceira nos momentos difíceis”, defende. A pouca procura se reflete no mercado. “Por mais que exista um potencial enorme de massa segurada no País, há poucos corretores que atuam no segmento pecuário”, sinaliza Ângelo Gemignani, da ANSP.

Em casos de sinistro, o valor indenizado deve ser dividido entre a seguradora e o produtor, mas quando não há um contrato de seguro, o prejuízo é todo dele. “A taxa de franquia vem caindo gradualmente e, hoje, é cerca de 2% do valor total do rebanho”, afirma Gemignani.

Estão cobertos riscos de morte e acidentes em geral, no entanto, algumas doenças infecto-contagiosas requerem atenção. “A febre aftosa, por exemplo, não é coberta nas condições gerais do seguro pecuário”, alerta Federico Marina, lembrando que as seguradoras entendem que nesse tipo de sinistro o próprio governo é quem deve indenizar os produtores.

Em todos os casos, para ter direito a indenização, o animal deve ter sido vacinado. Assim, a seguradora atua como uma parceira do produtor, ajudando-o a reduzir a mortalidade e provocando a profissionalização e a especialização do rebanho. “A seguradora envia um veterinário inspetor para avaliar o rebanho que ajudará o produtor a trabalhar de forma correta”, elucida Marina.

Enquanto o seguro pecuário cobre o rebanho, ou seja, mais de 250 animais confinados, outro tipo de seguro, mais específico, protege animais de alto valor agregado. O seguro animal é mais procurado pelos produtores que transportam o animal para eventos e para cobrir riscos de roubo “Há dois anos, morreu eletrocutada uma vaca cujo valor chegava a R$ 1 milhão. Se o produtor não tivesse o seguro desse animal teria sofrido uma perda incrível”, exemplifica Marina.