Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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CRUZAMENTO

Demanda em crescimento

A elevação da média de matrizes abatidas nos últimos anos e conseqüente escassez de bezerros deve impulsionar o cruzamento no próximo ano, de acordo com especialistas do setor. As grandes centrais de genética esperam um aquecimento no setor. Vasco Beheregaray, gerente de produto corte europeu, da ABS Pecplan, acredita em expansão da atividade para os próximos anos. “Será um crescimento maduro, com criadores já experientes, menos aventureiros. Será também um crescimento sustentável, baseado em resultados consistentes e limitado a algumas regiões do país”, prevê.

“Em 2006, iniciou-se uma franca recuperação no mercado de sêmen para cruzamentos, pois tivemos um crescimento expressivo sobre o ano anterior, em torno de 50%, conta o diretor geral da CRI Genética, Auro Andrade. Ele também destaca uma mudança no perfil dos criadores. “No caso específico da linha de trabalho da CRI Genética, pudemos observar neste ano uma inversão nos critérios e preferências dos criadores brasileiros, que passaram a priorizar touros com melhores índices de Diferença Esperada de Progênie (DEP´s).

Em consonância com o depoimento do representante da ABS Pecplan, ele também aposta numa retomada do mercado de cruzamento com mais profissionalismo, “atendendo a orientação de toda a indústria de inseminação artificial”.

Na Lagoa Genética, em 2005 foram comercializadas 200 mil doses de todas as raças taurinas, para este ano a empresa estima um incremento de 15%, informa Lúcio Cornachini, vice – presidente da central. Everardo Resende de Carvalho, diretor da Alta Genética, não divulga os números da empresa, mas afirma que a expectativa para 2007 é boa. “Acredito que teremos um resultado bem melhor no ano que vem. A média de matrizes abatidas nos últimos anos é muito superior à média de reposição de 23% . Passamos para 40% nos últimos anos.

Existe a tendência de que falte bezerro no mercado”, analisa.

A raça britânica tem crescido na preferência dos produtores. Elas são as mais utilizadas no mercado junto com as raças sintéticas formadas a partir de raças britânicas. Na ABS Pecplan, destacam-se as sintéticas formadas com bases britânicas: brangus, red brangus e braford. “Nos últimos anos sentimos uma aceleração desse processo. Isso se explica porque elas são muito precoces e, segundo os frigoríficos, normalmente tem a capa de gordura mais cedo que as outras raças”, diz Carvalho, da Alta Genética.

“No nosso caso, as raças mais procuradas são as taurinas, onde a aberdeen angus assume o 1° lugar, seguido da red angus e da charolês, devido as suas características de precocidade, fertilidade e ganho de peso, além da disponibilidade de material genético oferecidos ao mercado”, informa o diretor da CRI Genética.

Na Lagoa Genética, no topo da lista aparece a angus e depois a simental. “A raça angus tem um trabalho muito forte em todo o mundo, pela qualidade da carne e também pela precocidade de acabamento dos produtos, e é mocha de natureza, isto ajuda no manejo. Já a raça simental responde bem àqueles que buscam um animal de maior carcaça e fêmeas para receptoras”, comenta Cornachini.

Novas tecnologias para 2007

O cruzamento é uma ferramenta que, sem dúvida, pode trazer inúmeras vantagens ao criador - algumas relacionadas à qualidade da carcaça e da carne, outras referentes à fertilidade e precocidade de acabamento. No entanto, os bons resultados dependem de sanidade, nutrição e manejo adequados. A fazenda que não possui essas condições não deve investir na técnica.

Quando esses elementos estão entrosados, utilizar o sêmen de animais geneticamente provados é a próxima etapa necessária para garantir o sucesso. Além disso, na genética é fundamental definir claramente os objetivos: reposição de fêmeas, novilho precoce, venda de bezerros, venda de receptoras, entre outros.

De modo geral, as centrais genéticas defendem uma forte atuação junto ao Governo no combate à aftosa no próximo ano. No que se refere ao desempenho particular das empresas, para a CRI o maior desafio para 2007 é a ampliação da oferta de animais diferenciados (f1) “Só é possível obter esse produto se fizermos um programa de cruzamento através da inseminação artificial utilizando touros geneticamente superiores e para isso hoje contamos com inúmeras ferramentas, dentre elas, os programas de IATF e de terceirização, entre outros” comenta Andrade.

A Lagoa aposta no sêmen sexado de macho. “No passado, nem todo criador queria ter a fêmea no rebanho. Agora, se pode definir o sexo do produto através desta nova técnica. Hoje, já temos fila de espera para este produto”, diz o vice-presidente da companhia.

Criar diferencial e ajudar os clientes a ganhar dinheiro, é o que o diretor da Alta Genética define como meta. “Esse sempre foi e sempre será o nosso desafio”.

No mercado internacional, o atendimento de nichos é uma tendência que pode ser muito beneficiada pelo cruzamento. Na opinião do diretor geral da CRI Genética, o produtor brasileiro está preparado para atender a esse consumidor. “Havendo a viabilidade econômica, o produtor brasileiro poderá oferecer produtos de melhor qualidade. Ele vem mostrando a sua capacidade de assimilar conhecimento e tecnologia para melhorar o seu negócio”.

Mas, de acordo com o diretor da Alta Genética, antes de se discutir a qualidade da carne no Brasil será preciso resolver a questão da padronização. “Um dos caminhos para isto passa pela genética, com a utilização de animais mais uniformes. Outro ponto é o sistema de criação da fazenda, não pode haver vários sistemas de criação para animais de mesmo padrão”, adverte. O executivo arremata: “O cruzamento realmente serve ao atendimento de nichos de mercado, mas, de qualquer forma, ele é vantajoso pelo ganho que traz, quando bem feito”.