Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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SANIDADE

Revertendo o passado

O ano de 2006, na questão sanitária da pecuária brasileira, não passou por nenhuma grande crise, porém o país amargou as conseqüências dos focos de aftosa que assolou o Centro-Oeste em outubro do ano passado. Para se ter uma idéia, ainda no mês de novembro havia cerca de 50 países com embargos às importações da carne produzida no país, o que significa prejuízo de milhões de reais para o Brasil.

De acordo com Emílio Salani, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), essas barreiras ainda estão vigentes por conta da burocracia que é para conseguir reavê-las. “Não é possível solucionar um problema dessa gravidade em curto prazo. As barreiras impostas são um dos principais pontos que levam a restringir a penetração da carne, principalmente naqueles mercados com valor agregado. E a conseqüência disso é, sem dúvida, financeira. O preço da carne atingiu níveis baixíssimos por arroba, e com isso, fica muito difícil estimular o pecuarista a investir em sanidade, solo, nutrição animal, entre outras coisas. Mediante essa situação econômica, a tendência do criador é cuidar apenas da sanidade essencial, ou seja, evitar que o gado morra”, analisa.

Segundo Jamil Gomes de Souza, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), crises como essas não podem acontecer. “Não se pode permitir que doenças como a aftosa se repitam. Além dos efeitos sobre a economia brasileira, ainda perdemos todo o trabalho que vem sendo feito na área sanitária da pecuária. Aquela região já possuía o status de área livre da aftosa com vacinação, dada pela Organização Mundial de Saúde Animal, e com essa crise, esse status foi perdido. Estamos trabalhando há mais de um ano para conseguirmos reverter essa situação, mas isso deve ocorrer apenas em março do próximo ano”, conta.

Salani afirma que o Governo tem feito tudo o que lhe cabe para solucionar o problema da maneira mais rápida. De acordo com o presidente do Sindan, imediatamente após a confirmação do foco de aftosa, o governo interditou a área, sacrificou os animais e passou a monitorar a região para assegurar que o problema havia sido solucionado. Jamil vai mais além e diz que nesse momento o Brasil está trabalhando na divulgação do processo realizado para os países com o bloqueio à nossa carne, divulgando a sorologia feita na região, bem como todo o programa desenvolvido para a solução definitiva do problema.

Os investimentos na área de sanidade são altos. De acordo com dados do Mapa, em 2006, o Brasil investiu aproximadamente R$ 100 milhões e para o próximo ano, estão previstas verbas na ordem de R$ 132 milhões.

Maior programa de vacinação contra aftosa do mundo

O Brasil ostenta o título de maior rebanho do mundo. Atualmente, o país conta com cerca de 200 milhões de cabeças de gado. Com esses números, o Brasil também conta com o maior programa de erradicação da Febre Aftosa do planeta. Segundo dados do Sindan, 2006 deve fechar com aproximadamente 370 milhões de doses de aftosas comercializadas e 120 milhões de doses contra a raiva. “Esses números mostram que o país está preparado para vacinar todo o rebanho e com isso evitar novas crises. O que precisa ser feito é conscientizar os pecuaristas da necessidade de não se deixar de vacinar o gado, bem como os riscos do trafico de animais na fronteira”, diz Salani.

Para o próximo ano, os cálculos são ainda maiores. O Sindan estima fechar 2007 com aproximadamente 400 milhões de doses de vacinas contra a febre aftosa comercializadas - produzidas por seis laboratórios diferentes -, passando pelo controle da Central de Silagem, que é o órgão responsável pela fiscalização e colocação do selo holográfico cujo objetivo é de evitar as falsificações.

Além dos programas oficiais de erradicação da raiva e aftosa, Jamil esclarece que o ministério conta também com programas contra a brucelose e tuberculose. “Esses programas tem menos visibilidade, mas não menos importância. O Governo tem trabalhado no reconhecimento de propriedades livres dessas doenças”, conclui.

Fiscalização de fronteiras

Um dos principais problemas sanitários brasileiros é, na verdade, a grande extensão de fronteira seca que o país tem. Dados indicam que o foco de aftosa ocorrido no ano passado se deu devido ao trânsito de animais ilegais nessa região. Para combater esse problema, Jamil afirma que o Governo aumentou a atuação nas divisas bem como na conscientização dos pecuaristas que ficam nessas áreas. “A região de fronteira é extremamente complexa, principalmente quando se trata de fronteira seca. Esse controle necessita de fiscalização. Naturalmente, além disso, o ministério tem trabalhado na informação sobre os perigos do trânsito de animais ilegais. Estamos focando principalmente na liberação de recursos financeiros e melhoria do sistema de defesa da região”, afirma.

De acordo com o Mapa, há no país mais de 5,5 mil médicos veterinários para trabalhar na defesa sanitária da pecuária. Além disso, o ministério afirma que há também agentes estaduais que variam de acordo com o Estado.