Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

GESTÃO

O olho do dono

Há um conhecido ditado nosso que diz “O que engorda o boi é o olho do dono”, e claro, há uma verdade incontestável nisto. Mas vamos saber o que vem a ser “o olho do dono”.

Nos Estados Unidos, a produção média de leite por vaca por ano é de 8.881 lts/vaca/ano – segundo Food and Agriculture Organization, FAO. No Brasil, esta média é de 1.219 lts/vaca/ano, mais de sete vezes menor. Nossa produtividade por animal é pior de que na França, Alemanha, Itália, Argentina, México, Chile e outros dez países. Nosso rebanho leiteiro tem o dobro do tamanho do rebanho leiteiro dos Estados Unidos, 20,5 milhões de cabeças contra 9 milhões nos EUA, mas nossa produtividade é três vezes menor que no país norte-americano – 80 bilhões de toneladas de leite nos EUA contra 25 bilhões no Brasil. Ou seja, eles têm muito menos animais, mas sua produtividade é muito maior que a nossa.

Na Argentina, a produção de carne por cabeça de bovinos no país é 50% maior que no Brasil. Produzem proporcionalmente muito mais carne que aqui, mais rápido, mais profissionalmente e com mais lucro.

A média da produtividade animal no Brasil é de 5 arrobas por hectare anuais e 1.000 litros de leite por hectare ao ano, e com melhor gerenciamento, estes índices poderiam chegar a 57 arrobas e 43 mil litros de leite, respectivamente.

Mas por que o Brasil, apesar da grande quantidade de animais, tem uma produtividade tão fraca e tão ruim? Por que somos tão pouco produtivos e lutamos contra o caixa para manter nossas fazendas no saldo positivo, quando não levamos prejuízos consecutivos? O que há de errado com o “olho do dono” no Brasil?

“Dono” é a pessoa que mais se importa com o negócio, é quem vai desfrutar do lucro ou assumir a responsabilidade pelo prejuízo. É quem se expõe ao risco e quem gerencia o negócio, decidindo sobre compra, venda, contratações, demissões, etc.

O “Olho” é o controle e a supervisão do negócio. Gerenciar uma fazenda é o mesmo que gerenciar uma empresa. Há produção, há gestão de recursos humanos, investimentos, salários, balanços, contabilidade, etc.

O que aconteceria em uma fábrica se alguns funcionários produzissem pouco e mal? O bom Dono que protege o negócio os identificaria e trataria ou de ajudá-los em seu problema ou demiti-los.

Quem produz o produto de uma fazenda? Os animais, bois e vacas.

No Brasil, o que acontece com os bois e vacas que produzem pouco e mal? Nada.Isto mesmo, não acontece nada. Por isto a produtividade aqui é tão baixa.

Os Donos não identificam os animais ruins, os que só comem ração e não produzem carne nem leite satisfatoriamente. Não fazemos descarte dos animais certos ou mudamos sua alimentação.

Sim, aqui o “olho do dono” se limita somente ao seu alcance visual. Não acompanhamos a produtividade de cada animal, não registramos isto em um software, não reciclamos o rebanho de nossa fazenda para torná-o mais produtivo. Achamos caro um software de R$ 300 que nos ajudará a aumentar a lucratividade da fazenda e de nosso negócio. Também achamos caro R$ 200 em uma visita de um técnico que identificará problemas e encontrará soluções, isso é absurdo demais para compreendermos. Uma ração um pouco mais cara que dobrará a velocidade de abate é demasiada custosa. Não fazemos as contas de o quanto isto vai impactar no aumento da produtividade e lucratividade.

O que nos falta é controle, é supervisão. Nossos olhos não estão engordando nossos animais a contento porque falhamos em agir profissionalmente, investindo na hora que devemos e em ferramentas adequadas.

Temos excelente terra, volume gigantesco de animais, e grande capacidade para tornar nossas fazendas cada vez mais lucrativas; precisamos apenas controlar e profissionalizar. Pense nisso.