Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Exportação de Carne

 

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Isabela Camargo

O Brasil é o maior exportador de carne bovina e o segundo produtor mundial, seguido por Índia e Austrália. Aqui vale destacar que existem controvérsias quanto a essa classificação, para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o Brasil ocupa a segunda posição, perdendo somente para a Índia.

Em 2014, a exportação foi recorde em faturamento e volume.

Entretanto, após bons resultados em 2013 e 2014, em 2015 a exportação patinou. Foram exportadas 1,83 milhões de toneladas em equivalente de carcaça de carne bovina in natura, industrializada e miúdos, queda de 10,6% em relação a 2014 (MDIC).

O faturamento foi de US$ 5,7 bilhões, queda de 18,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A alta do dólar e a queda da produção mundial, resultado do encolhimento das produções nos Estados Unidos e na Austrália, favoreceram vendas externas no ano passado. Entretanto, já em janeiro de 2015, os embarques caíram 23,8% em volume.

A queda da exportação ocorreu principalmente pela redução das compras da Rússia e da Venezuela. A queda no preço do petróleo gerou instabilidade econômica nesses países e foi o principal responsável por esse cenário.

Entretanto, o câmbio permitiu que o faturamento em reais fosse bom. Na comparação com 2014, o faturamento melhorou 15,9%. Nada mal para um quadro de recessão nacional.

E EM 2016?

De janeiro a outubro a exportação de carne bovina in natura, industrializada e de miúdos, foi de 1,55 milhões de toneladas em equivalente de carcaça. Alta de 3,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O principal comprador em volume foi Hong Kong, cuja aquisição foi de 243,9 mil toneladas em equivalente de carcaça. Esse montante foi responsável por 21,3% dos embarques.

Na sequência, vieram Egito, China e Rússia. Juntos os quatro principais compradores adquiriram 57,9% do exportado (figura 1).

O primeiro semestre foi de bons resultados. Entretanto, em julho, o volume caiu e, daí para frente, o quadro repetiu-se nos meses seguintes (figura 2).

São quatro meses de queda em volume frente a 2015. Caso esse cenário mantenha-se, não será alcançada a meta de aumento de exportação esperada pelos frigoríficos.

As recentes quedas nos preços do dólar e a valorização do real foram o principal fator para a diminuição do desempenho.

Em outubro, o volume exportado foi de 140,09 mil toneladas em equivalente de carcaça, e em comparação com o mesmo período do ano passado, o faturamento caiu 21,1%.

A China foi a principal compradora em faturamento, propiciando uma receita de US$ 94,4 milhões, o que corresponde a 21,7% do total.

É importante destacar que a China havia bloqueado as compras da carne bovina brasileira em 2012, após a suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o mal da vaca louca, no Paraná.

O país voltou a comprar no segundo semestre de 2015, e em pouco tempo é um dos principais destinos da carne brasileira.

ESTADOS UNIDOS

Em agosto, foi aberto o mercado norte-americano para a carne bovina in natura brasileira.

O Brasil disputará a cota dos países da América Central, que é de 64,8 mil toneladas por ano, com tarifa de 4,0% ou 10,0%, dependendo do corte da carne. Fora da cota (sem limite de quantidade), a tarifa é de 26,4%.

Em outubro, os EUA foram o quinto comprador em faturamento, cuja receita com a venda foi de US$ 28,99 milhões.

CARNE BOVINA IN NATURA

Da carne bovina exportada de janeiro a outubro de 2016, 76,6% correspondem a carne in natura.

Em outubro foram exportadas 108,4 mil toneladas de carne bovina in natura, queda de 10,3% em relação a setembro e de 23,2% em comparação a outubro de 2015.

Ainda segundo a mesma fonte, até a segunda semana de novembro, foram exportadas 31,6 mil toneladas, média diária de 4,0 mil toneladas, queda de 20,8% em comparação a novembro de 2015.

Se esse volume se mantiver até o final do mês, deverão ser exportadas 80,0 mil toneladas.

EXPECTATIVAS PARA 2017

A exportação é uma via importante de escoamento da produção, principalmente em um ano como 2016 com a demanda interna enfraquecida.

Para 2017, segundo o último boletim Focus, de 11 de novembro de 2016, a expectativa é de que dólar seja trocado por R$ 3,40. A média em 2016 está em R$ 3,43.

Diante desse cenário, a expectativa é conservadora, projetando-se desempenho similar ao de 2016, ou um quinto da produção brasileira de carne bovina deverá ter como destino o mercado externo.

* Isabella é zootecnista é analista de mercado da Scot Consultoria