Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Mercado achatado para 2017

Eduardo Muniz de Lima*

O mercado de receptoras de embriões FIV para o ano de 2017 ainda colhe os frutos da crise político-econômica que se arrasta desde 2014. Raças de corte e, principalmente de leite, veem margens caírem e muitas vezes até negativarem.

Os criatórios de gado puro, principalmente aqueles que não têm na pecuária sua principal atividade, continuam reproduzindo seus melhores fenótipos através da FIV, mas diminuíram investimentos devido à situação de instabilidade econômica. Estão retomando os negócios a passos lentos, no compasso da recuperação econômica iniciada em 2016, só que ainda necessitam de uma capitalização melhor para recuperar o fôlego.

Já os criadores de gado de corte posicionaram- se um pouco melhor, pois sentiram um pouco menos os efeitos da crise, devido a uma cotação da arroba em um patamar mais elevado e uma venda de tourinhos ainda aquecida. Do outro lado, a pecuária leiteira tem pouco a comemorar e amargou fortes prejuízos, com diminuição nos leilões, queda no preço ao produtor e aumento significativo no custo de produção, principalmente farelo de soja e milho.

Como as contas das fazendas de Gado Puro ficaram apertadas, além do fato de despesas com recursos humanos e nutrição animal não poderem ser muito enxugadas, o sacrifício foi feito na FIV. Isso ocorre em um primeiro momento para ajuste das contas, todavia, com sinais da recuperação da economia e estudos mais aprofundados em gestão por parte dos criadores, com uma visão mais de longo prazo, é possível que os grandes projetos pecuários retornem investimentos futuramente.

E como se fala que é “com a crise que se cresce”, surgiram também novos modelos de negócios no setor de receptoras, como a entrega de bezerros desmamados. Dessa forma, o criador elimina do plantel toda a categoria de receptoras, economiza pasto e, consequentemente, terra, além de poupar em mão de obra, estruturas e tempo, já que recebe o bezerro desmamado e com peso garantido.

Eduardo Lima estima o mercado de receptoras em R$ 300 milhões

Isso acaba viabilizando um aumento na multiplicação de material genético e na economia de tempo que pode ser dedicado à melhor escolha de acasalamentos e do mercado para o qual os animais serão comercializados, deixando a criação para empresas especializadas em reprodução. Agora, a meta é trabalhar para um 2017 mais positivo.

O mercado anual de reprodução é estimado em 150.000 vacas que, por sua vez, produzem 100.000 prenhezes e geram um faturamento aproximado de R$ 300.000.000,00, o que resulta em um preço de R$ 3.000,00 por receptora.

*Eduardo Lima é diretor da Minerembryo - diretoria@minerembryo.com.br