Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Brasil de A a Z

 

Vida de consultor

Muita história para contar, algumas espirituosas

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, em novembro, amassei muito barro pelos currais Brasil afora, e agradecemos por isso, já que realmente o campo estava mesmo precisando de chuva. A grande maioria dos trabalhos foi Epmuras descritivo nas matrizes seguido de acasalamento dirigido por DEPs e morfologia – conceito Boi com Bula.

Além dos trabalhos em terras brasileiras, atendemos três novos clientes na Bolívia, início da consultoria BrasilcomZ naquele país com o mesmo conceito que trabalhamos por aqui, sempre com objetivo de produção de touros melhoradores - sementes. A experiência de trabalho foi muito bacana, ao lado dos técnicos Fernando Baldomar e Eduardo Jordan – em breve contaremos mais sobre essa história no país vizinho.

Nesta última coluna do ano, vou falar um pouco da rotina de um consultor. Ou melhor, da falta dela!

Como a maioria dos leitores desta coluna já sabem, sou consultor em melhoramento genético, trabalho basicamente com seleção e acasalamento dirigido, além do que chamamos de gestão genética.

O ano de um consultor é repleto de viagens por todo o Brasil e outros países. As viagens propiciam-nos a oportunidade de conhecer muitas pessoas e lugares diferentes, com chances de adquirir vivência e conhecimentos. Muito dessa “rotina” tenho passado para os amigos leitores através desta coluna, site e mídias sociais. Assim, para descontrair um pouco e mostrar o lado “engraçado” dessa falta de rotina, vou falar um pouco dos perrengues que passamos através do relato de minha última viagem, o retorno de Cáceres/MT. Para quem me conhece melhor, certamente, não estranhará tanto, mas desta vez eu creio que me superei.

Para sintonizar no tempo e espaço, depois de um ano de muito trabalho, com todo o bônus e ônus de viajar muito, vai chegando o final do ano e, praticamente, já entregamos todos os compromissos assumidos em 2016. Ufa! Momento em que fico mais com a família e tenho tempo para investir em projetos de longo prazo.

Vamos então ao tal fato: estava eu preste a retornar da Nelore Grendene, em Cáceres, depois de uma semana lá. No último dia de trabalho, sexta-feira pela manhã, estive no curral acasalando um lote de doadoras, na hora do almoço relatei ao Ilson o que havia feito – ele participa e acompanha de perto todo o trabalho. Saímos da fazenda, tomei um banho, peguei minha mala no hotel e ingressei rumo à Cuiabá, onde pegaria o voo para São José do Rio Preto – deixei o carro lá na segunda bem cedo. O suporte de logística da Grendene sempre é muito bom, desta vez o Lelo, motorista, conduziu-me ao aeroporto na companhia do amigo Dr. Carreto, também consultor da Grendene em outra área.

Até aí, tudo bem, no aeroporto encontrei mais dois amigos consultores – sexta é o dia para encontrar colegas no aeroporto – e um deles iria para Goiânia; outro, para Campinas; e eu, para Rio Preto. Vários eram os voos da Azul que decolariam em um curto espaço de tempo. Desta vez, eu estava mais tranquilo que na maioria das viagens, em relação à antecedência no aeroporto. Chegou minha vez! Encaminhei-me para a fila de embarque, e o pessoal de solo indicou-me; último avião à esquerda. Fui em direção à aeronave, embarquei, peguei o fone de ouvido e fui para meu assento.

Pedi licença a pessoa que estava sentada no corredor e me sentei na janela, falei ao telefone com minha esposa - estava todo feliz por estar voltando para casa depois de uma longa semana. Após 15 minutos de voo, escutei o comandante dizer: - O tempo em Londrina encontra-se coberto e a temperatura local é de 16 graus. Fiquei imobilizado por uns instantes e perguntei ao passageiro ao lado:

- Por favor, para onde este avião está indo?

- Curitiba – ele respondeu.

Em estado de choque chamei a comissária e disse a ela:

- Peguei o avião errado.

Pois é, houve uma confusão de comunicação: minha direita era a esquerda da pessoa que me instruiu em Cuiabá, fui a pé para a ponta oposta, e embarquei no avião errado. Para meu azar, no voo lotado, parece que o único assento vago era o D4, onde eu estava. Mas a Aeromoça me tranquilizou dizendo:

- Sr., não se preocupe, o Sr. desce em Londrina e o pessoal de solo irá lhe ajudar a encontrar a melhor solução.

Em Londrina, a companhia aérea foi muito atenciosa comigo e me entregou dois bilhetes, um para Campinas e outro de lá para Rio Preto, onde estava meu carro. Puxa, respirei aliviado e pensei: “como tenho sorte, peguei o rumo do Sul e não um avião para o Rio Branco ou Manaus, e ainda tem conexão hoje. Chegarei em Rio Preto até meia noite”. E ainda: “mais uma hora e meia de carro até Jaboticabal – onde moro... é... antes das 2 da madruga de sábado estou em casa!”

Tudo foi tranquilo até Campinas. Lá o voo não saia e quando fui perguntar o que estava acontecendo para alguém da companhia, informaram-me: “o sistema está fora, breve daremos mais notícias”. Para resumir, o voo foi cancelado e nos deram duas opções: dormir em Campinas e pegar o voo da manhã seguinte, ou ir para Rio Preto de ônibus fretado. No meio daquele monte de gente inconformada, estava eu tranquilo conversando com outro consultor amigo que encontrei em Campinas – sexta é dia de encontrar os colegas no aeroporto:

– André, comigo está tudo certo, você não tem ideia de como essa viagem começou para mim.

Nas 5 horas de ônibus em direção a Rio Preto, tivemos tempo de conversar sobre esse causo verídico, e mais outras inúmeras situações espirituosas que passamos nessa vida de consultor. Fazer o quê.

Feliz Natal! Comemorem o final de ano – ufa passou! E que o ano novo seja repleto de honestidade e boas intenções em nossas vidas e que isso ecoe no País em que vivemos. Nos falamos em 2017! Valeu!