Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Sobrevoando

 

Velhos

Toninho Carancho
carancho@revistaag.com.br

Velho – Conforme o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, datado de 1975, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (porque me nego a consultar a Wikipedia), é: 1. Muito idoso: homem velho. 2. De época remota; antigo: Os velhos homens tinham outros costumes. 3. Que tem muito tempo de existência: Esta casa é velha, mas está em bom estado. 4. Gasto pelo uso; usadíssimo: camisa velha. 5. Que há muito possui certa qualidade ou exerce certa profissão: É um velho advogado. 6. Desusado, antiquado, obsoleto. 7. Empregado ou usado há muito: método tão velho quanto eficaz. 8. Homem idoso. 9. Pai, papai: O meu velho comprou um carro. Meu velho; tratamento de intimidade, de camaradagem, dado a quem não seja velho.

Faço essa introdução acima porque gostei demais da entrevista do José Bento Sterman Ferraz na AG de novembro como um todo e principalmente da parte onde ele comenta sobre a utilização de touros velhos (e consagrados) nas IATFs e FIVs de hoje (quem ainda não leu, dê um jeito de ler). Ele faz um comentário contrário ao uso desses touros, segue trecho da entrevista: “...Estive olhando os touros famosos, disponíveis nas centrais de inseminação artificial do Brasil, com uma idade média de mais de 20 anos e altos preços de sêmen. Eles foram espetaculares para fazer a base de nosso rebanho, mas utilizá-los hoje é não reconhecer que o mercado mudou e que os critérios mudaram. Todos eram ganhadores de peso, critério de eleição na época, mas acabaram gerando animais tardios tanto sexualmente quanto no acabamento. Sustento isso em todas as discussões. Usar um touro desses e pagar caro pela dose de sêmen (o pessoal de FIV faz isso frequentemente) é o mesmo que pagar mais caro por um VW Santana 1996 do que um Honda Civic só porque ele era um dos melhores carros daquela época...”. Sensacional, é isso mesmo. Para um veterinário, mestre e doutor em genética, realmente isso é um absurdo. E para todos que mexem com genética e melhoramento de gado, também parece e é um retrocesso total.

Porém, para jogar mais pimenta no assunto já bastante quente, porque os criadores fazem isso? Será que eles são burros? Que não sabem o que estão fazendo? Estão rasgando dinheiro?

Acho que não. Acho que boa parte deles sabe exatamente o que está fazendo. Usar touros velhos e famosos com certeza pode e deve ser um retrocesso genético, mas não necessariamente um mau negócio para quem vende esse touro ou vaca proveniente desse sêmen. Quem não gostaria de ter um touro filho do genearca Karvadi? Ou do King Rob? Ou de outro touro famoso? Muita gente paga uma boa grana por esta genética. Seja por status, por exibimento ou qualquer outra coisa que não sejam os frios números dos geneticistas. Negar que este mercado existe e ainda é pujante (bem menos do que já foi, mas ainda assim importante), pode significar rasgar dinheiro.

Lembro bem de leilões de gado Braford, já faz um tempo, em que todos os touros tinham suas réguas de DEP cheias de números e Decas, mas ao final das contas os touros mais bem vendidos eram aqueles mochos (alguns touros eram de chifre), com a pelagem mais popular (camiseta), mais pesados e com muita bola (altas CEs). Nada a ver com os números apresentados no catálogo (a não ser a CE). Uso a raça Braford como exemplo, mas poderia ser qualquer outra.

Você pode dizer que foi há muito tempo atrás, que as coisas mudaram muito. Discordo! Continuo indo a leilões regularmente, tanto no Sul do Brasil quanto do Sudeste para cima, e não vejo uma mudança realmente substancial nos critérios dos compradores. Em algumas vezes, sim, mas na maioria das vezes vejo que os touros mais bonitos, maiores, mais gordos, filhos de touros famosos e também provenientes de fazendas conhecidas, são os mais valorizados.

E como comentei antes, acho que existe um grande exagero na valorização das CEs. Mas, isso comento em outra oportunidade.

No mais, tenham um excelente 2017, com muita saúde, gado gordo, com genética e dinheiro no bolso.