Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Caindo na Braquiária

 

Prognósticos irreversíveis para nosso futuro

Utilizando as informações trazidas do campo, quero convidá-lo a uma reflexão sobre as tendências da cria analisadas pelo prisma da genética, onde, inexoravelmente, temos de ampliar nossa visão trazendo fatos que cercam a pecuária e que determinarão o modus operandi da atividade daqui para frente.

Antes de tudo, devemos lembrar que os índices produtivos da bovinocultura de corte brasileira são reflexo, primeiro, da tradição extrativista herdada do nosso antepassado.

Primeiramente, devemos falar da Inseminação Artificial, a qual disparou nos últimos oito anos através da utilização da Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), ferramenta que, para muitos profissionais, apresenta o mesmo grau de importância para a pecuária que o trator teve para a agricultura, traduzindo-se em uma verdadeira revolução no meio.

Iniciamos citando a IATF como fator relacionado às tendências genéticas para nosso rebanho, pois é a partir dela que observamos um aumento significativo do cruzamento, onde, pelos cálculos dos produtores, os 30 kg de sobrepeso dos bezerros cruzados desmamados em relação aos não cruzados custeiam toda a reprodução da fazenda. O que estamos já vivenciando no campo é o uso de até 2 IATF na mesma vaca ou a chamada “Ressincronização” nas matrizes que não emprenhem na 1ª IATF. De acordo com pesquisas recentes, a economia que se consegue com o uso da ressincronização é substancial, visto que, nesse caso, a quantidade de touros alocados na fazenda para servirem no repasse da IATF cai pela metade.

Outro fator que influenciará no direcionamento genético dos rebanhos diz respeito à reposição de matrizes de qualidade, na qual uma simples análise de custo mensal por cabeça nos leva a buscarmos matrizes o mais precoce possível, pois se a 1ª cria de uma novilha vier 12 meses antes que outra mais tardia, economizaremos 2 @ no custo de produção do bezerro nascido de uma novilha precoce (considerando um custo anual de 2 @ por novilha no pasto).

Analisando pelo âmbito do manejo e seus custos, temos estudos de experientes analistas e consultores demonstrando que o custo fixo da propriedade é o maior peso na conta final de um boi. Em alguns casos, tais custos fixos (depreciações, salários, contas fixas) de um animal criado, recriado e abatido na fazenda podem chegar a 60% das despesas totais, ou seja, quanto mais jovem o animal for para o abate, menor o gasto para se criar, aumentando assim o lucro da fazenda dentro da porteira.

Já pelo ângulo da nutrição e disponibilidade de resíduos da agricultura, vemos farta disponibilidade de farelos advindos da lavoura que vem dominando as terras férteis de nosso país. Dessa maneira, veremos possivelmente rações formuladas com preços finais muito atrativos para quem deseja intensificar seu sistema de engorda.

Não poderíamos nos abster de discorrer sobre a carne que compramos, onde mesmo sabendo que o maior consumo seja por carne de panela, ao destrinchar o mercado consumidor com mais detalhes, enxergamos o interessante mercado da alta gastronomia, onde, na busca dessa carne macia, frigoríficos criam marcas de carnes, com cortes especiais, que tenham em sua proporção maior grau de raças taurinas, pois pesquisas no mundo todo concluíram que quanto maior o grau de sangue taurino maior a maciez da carne. Tais programas levam a pagamentos de prêmios que chegam a 8% sobre o preço da arroba quando atendem todos os requisitos no abate.

Em vista desses aspectos, se quisermos fazer uma pecuária mais rentável, a tendência para os próximos anos será o direcionamento da seleção do nosso Nelore buscando precocidade e habilidade materna, devendo haver uma maior procura por “touros maternos” que transmitam essas características e que ainda sejam vendidos com melhores preços apenas os animais geneticamente superiores avaliados em programas de melhoramento.

Veremos também o aumento do uso da “Ressincronização” da IATF utilizando sêmen de raças europeias britânicas, para produção de femeas F1, as quais serão expostas à reprodução com 14 meses de idade

Também veremos o aumento da venda de touros taurinos adaptados como Bonsmara, Senepol e Caracu, os quais trabalham muito bem no repasse da IATF, gerando 100% de heterose, com adaptabilidade e com carne de maciez inigualável quando cruzados com as matrizes F1 Angus ou F1 Hereford. Da mesma forma, crescerá a demanda por touros Braford, Brangus e Canchim que cobrem muito bem no campo e produzem bezerros com metabolismo ideal para ser terminado no confinamento.

Precisamos pensar em lucro por eficiência de produção na fazenda, assim não há outro caminho que não seja manter vaca no pasto, melhorando-a paulatinamente através da seleção, e utilizando-a no cruzamento industrial com raças maternas, para assim produzir os excepcionais tricross que deverão ser confinados, seja após uma pequena recria nas áreas de Integração Lavoura-Pecuária, ou mesmo confinados tão logo sejam desmamados.

Alexandre Zadra
Zootecnista zadra@crigenetica.com.br