Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

Sobrevoando

 

Leilões

Toninho Carancho
carancho@revistaag.com.br

Acabo de ler um livrinho bem interessante sobre leilões. Escrito por Vidal Faria Ferreira, gaúcho, já falecido, leiloeiro e grande conhecedor de bovinos e ovinos, leva o nome de "Milésimo Remate...um milhão de amigos".

Consta no mesmo livro que o primeiro remate realizado no Brasil foi no ano de 1918, a menos de 100 anos, em Uruguaiana/RS, na Sociedade Agrícola e Pastoril, tendo como pioneiro o leiloeiro Alberto Nelsis Pinto.

Muitos anos depois, através do leiloeiro Trajano Antonio de Lima e Silva, o conhecido Trajano Silva, pai do Marcelo Silva (hoje ainda mais conhecido), é que os leilões foram tomando conta do Brasil, lá pela década de 60/70. E vieram para ficar.

Tornaram as vendas mais ágeis. Transformaram o antigo modo de vender, lento, distante e morno em uma venda dinâmica, ágil e quente. Além disso, possibilitou o encontro de muitas pessoas com os mesmos interesses num mesmo local e ao mesmo tempo.

O leilão é, além de negócio, um lugar de encontro. De troca de ideias, de reencontro de amigos, de confraternização.

E as modernidades não pararam por aí. Na década de 90, o leiloeiro Fausto Crespo (já falecido, pai do Fábio, Mauro, Alexandre, todos leiloeiros), também gaúcho, inaugurou as vendas por satélite. Em maio de 1994, foi realizada a Feira de Terneiros de Guaíba, com a venda de mais de 1.600 terneiros, sendo a grande maioria vendida para fora do estado, via antena parabólica. Foi o maior sucesso.

Logo após, em 95 foi criado o Canal do Boi e, posteriormente, outros canais foram entrando no mercado. Hoje, muitos leilões são televisionados, feitos por internet e de outras formas que até nem sei quais, mas a verdade é que o leilão, nas suas diferentes formas, é a forma mais moderna e prática de vendas.

Já estive em muitos leilões por este Brasil todo e gosto muito do som, do cheiro e da movimentação. Pode ser o mais simples leilão de gado comercial, daqueles que acontecem todas as semanas do ano ou o mais sofisticado, como os da Mata Velha, em Uberaba (estava lá quando venderam uma vaca por mais de 7 milhões). Leilão é um happening.

Quando não posso ir, algumas vezes vejo pela TV, não é a mesma coisa, mas quebra o galho.

Só acho complicado comprar pela televisão. Gosto de olhar com muita calma, ver o gado de perto, com detalhes, analisar o catálogo, trocar uma ideia com amigos e técnicos, me sentar numa posição boa, conversar com o pisteiro e com o leiloeiro. E estar ali na hora do vamos ver.

Quem gosta de leilão sabe do que eu estou falando.

Agora, para quem não gosta, recomendo nem ir. Realmente, deve ser um saco tentar entender o que o leiloeiro está dizendo, ver aquelas vacas que parecem todas iguais passando na sua frente por mais de duas horas e, ainda por cima, ficar comendo pastel frio e bebendo Pepsi morna.