Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

 

Cocho vazio

Redução de cabeças confinadas, mercado instável e queda acumulada estagnam o mercado de nutrição animal

bruno Santos
bruno@revistaag.com.br

"O cenário nebuloso, recheado de incertezas, limitou o avanço da cadeia pecuária e, por conseguinte, a produção de rações e suplementos, apurada de janeiro a setembro", é o que afirma Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Segundo o levantamento do sindicato, de janeiro a setembro deste ano, a indústria de alimentação animal produziu 46,6 milhões toneladas de rações e algo em torno de 1,6 milhão de toneladas de sal mineral. Se a previsão for confirmada, o resultado mostra estagnação do setor, que não conseguiu recuperar o recuo acumulado de 3% na produção no ano passado. "Embora a celebração das festas de fim de ano possam revigorar o consumo varejista de proteína animal e impulsionar ainda algum viés à produção de alimentos para animais, a apatia que prevaleceu nesse último trimestre não deve surpreender os empreendedores", analisa Zani.

Tudo indica que o setor termine com números semelhantes aos de 2012. No ano passado, a produção estimada contabilizou 63 milhões de toneladas de ração (2,3% menos do produzido em 2011), influenciada pela evaporação do capital de giro, em consequência das recuperações judiciais requeridas por produtores descapitalizados e por conta da alta dos preços do farelo de soja e de milho, bem como da redução do plantel de matrizes de bovinos.

Já os suplementos minerais fecharam 2012 com 1,95 milhão de toneladas (17% menos que em 2011). "Esse panorama se deu ano passado e deve se repetir em 2013, devido à redução do confinamento e o descontentamento com o preço da arroba do boi gordo. A quantidade de sal mineral comercializada até o momento não foi suficiente para compensar o profundo retrocesso verificado em 2012. Considerando o tamanho do rebanho bovino brasileiro, o mercado potencial para suplementação mineral supera 6 milhões de toneladas, ou seja, atualmente nem 30% do gado têm sido suplementado adequadamente", ressalta Zani. A ingestão ideal estimada é de 30kg/cabeça/ano.

Mesmo com consumo baixo, já registrou-se retração do número de animais confinados, houve grande procura por aditivos melhoradores de desempenho (anticoccidianos ionofóricos). "É importante salientar que, ainda em 2009, um experimento realizado na ESALQ/USP demonstrou que o grupo de bovinos sob manejo misto e tecnificado (com aditivo) reduziu quase 40% a emissão de CO2-equivalente/kg de carne produzida, quando comparado ao rebanho criado a pasto'', informa o vice-presidente-executivo do Sindirações.

Já a grande novidade no segmento, ainda segundo o dirigente, foi a introdução do bloco sólido e impermeável de sal para lambedura, com adição de melaço (cozido, sob vácuo, desidratado e misturado a óleos vegetais) de cana-de-açúcar e premix vitamínico/mineral.

BOVINOS DE CORTE

Apesar de a alimentação representar, em média, 25% do custo de operação do confinamento e ter pesado menos, desde janeiro, a demanda por rações para gado de corte alcançou 2,1 milhões de toneladas até setembro, ou seja, um retrocesso de 4,2%, quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram consumidas 2,6 milhões de toneladas (5% a menos que 2011).

Segundo Zani, esse retrocesso acumulado se deve a um conjunto de fatores. "O boi magro e o bezerro valorizados, combinados ao preço nada atraente da arroba do boi gordo, que determina uma relação de troca abaixo da expectativa, desestimula a reposição", contextualiza.

BOVINOS LEITEIROS

Apesar de o mercado de alimentação animal passar por um período de marasmo, o setor leiteiro se recuperou e avançou 2,5% na demanda. Até o mês de setembro deste ano, foram produzidas 3,9 milhões de toneladas de rações. Para Zani, isso se deu uma vez que o produtor tem desembolsado na nutrição do rebanho por conta do alívio no preço do milho e da soja. "Essa recuperação do poder de compra permitiu à atividade retomar o investimento na alimentação tecnificada, no entanto, o incremento de produtividade foi insuficiente para atender a demanda dos laticínios e, em consequência, os preços do leite pagos ao produtor seguiram trajetória ascendente e alcançaram os maiores valores já registrados", explica o executivo.

"Esse cenário nebuloso e recheado de incertezas pode limitar o avanço da cadeia pecuária em 2014", cita Zani

Ainda de acordo com ele, esse patamar elevado já sofre rejeição do consumidor e o efeito sazonal de maior oferta de leite no último trimestre deve pressionar os preços e conter de alguma forma o apetite futuro pelas rações e concentrados.

PROJEÇÕES PARA 2014

O ano de 2013 começou com muito otimismo por parte do setor, que esperava compensar as perdas acumuladas em 2012, algo que não aconteceu, pois o segmento apenas se manteve diante das oscilações do mercado. Já para 2014 o discurso é mais cauteloso. Para Ariovaldo Zani, a preocupante perda de competitividade e comprometimento da produtividade das cadeias de produção animal que modulam o ritmo da indústria de alimentação animal pode se acentuar em 2014, por causa do descaso com a persistente insegurança jurídica, falta de clareza sobre direitos e deveres, sucessivas alterações nas legislações e marcos regulatórios, além da burocracia estatal permeada por excessivos e complexos procedimentos, além da asfixiante carga de impostos que onera o setor.

O ano de 2013 começou com muito otimismo por parte do setor, que esperava compensar as perdas acumuladas em 2012, algo que não aconteceu, pois o segmento apenas se manteve diante das oscilações do mercado. Já para 2014 o discurso é mais cauteloso. Para Ariovaldo Zani, a preocupante perda de competitividade e comprometimento da produtividade das cadeias de produção animal que modulam o ritmo da indústria de alimentação animal pode se acentuar em 2014, por causa do descaso com a persistente insegurança jurídica, falta de clareza sobre direitos e deveres, sucessivas alterações nas legislações e marcos regulatórios, além da burocracia estatal permeada por excessivos e complexos procedimentos, além da asfixiante carga de impostos que onera o setor.

Outro fator que preocupa o setor é em relação às eleições que acontecerão ano que vem, as quais elegerão novos governadores, deputados e presidente. "Esse cenário nebuloso e recheado de incertezas que precede as eleições pode, mais uma vez, limitar o avanço da cadeia pecuária e, por conseguinte, a produção de rações e suplementos em 2014", finaliza Zani.


Exportações avançam

Se no mercado interno os números não foram bons, as exportações responderam bem e tiveram crescimento. No acumulado até setembro, a exportação de carne bovina cresceu 13% e alcançou 4,8 bilhões de dólares. No mesmo período houve embarque de mais de 1 milhão de toneladas, ou seja, um avanço da ordem de 19%, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mais carne, mais alimentos.