Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Na Pista

Feileite reúne setor lácteo

2.000 animais e 100 eventos paralelos são alguns dos números da edição 2012

A Feileite 2012 – 6ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva do Leite, realizada de 19 a 23 de novembro, no Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista, reuniu produtores e profissionais de vários elos da pecuária leiteira. Um dos grandes destaques do evento foi a programação técnica, caracterizada pelo Congresso Via Láctea.

Carlos Pagani Neto mostrou todos os aspectos do Programa Cati Leite, inclusive as informações necessárias para o produtor participar do projeto, que é aberto a todos os pecuaristas de leite do Estado. “Trabalhamos todas as etapas de produção, como pastagem, reprodução, diagnóstico da reprodução, diagnóstico das doenças e tudo o mais que está ligado à produção de leite com qualidade”, detalhou.

Alfredo Ferrari de Souza, também monitor do Cati Leite, tratou da Biotecnologia de reprodução, chamando a atenção para o fato de que quanto maior a produção de leite de uma vaca, menor a eficiência reprodutiva, pois se corre o risco de o tratador perder o cio da fêmea. Destacou, também, a importância da nutrição: “90% da reprodução vêm da nutrição”, alertou.

O tema “A qualidade do leite, da eficiência do produtor à saúde do consumidor” foi apresentado por Luiz Carlos Roma Jr. e Márcia S. Vieira Salles, da APTA (Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócios). Segundo os palestrantes, diversos estudos realizados em todos os continentes por entidades governamentais ou empresas privadas apontam tendência dos consumidores buscarem alimentos mais saudáveis e palatáveis. “Os consumidores estão cada vez mais conscientes da relação entre a ingestão de alimentos e a saúde”, explicaram.

Os desafios do Código Florestal para o produtor de leite” foi um dos grandes destaques do Congresso. A apresentação relembrou o histórico sobre a aprovação do novo Código. O debate reuniu o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), Rodrigo Justus, advogado e consultor jurídico da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), e Fernando Brasileiro, vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Em um ponto os três debatedores concordaram: não foi o melhor, mas o possível para que se equilibrassem as forças entre ambientalistas e setor produtivo.

Colatto, que contou toda a trajetória da criação e os caminhos para a aprovação do novo Código Florestal e explicou todas as suas nuances no que diz respeito à Reserva Legal e às APPs, ressaltou a importância de cada estado e município fazer seu código e suas leis. “São 5,2 milhões de propriedades e é um trabalho para ser realizado via prefeituras, por meio de um plano diretor municipal, descentralizado, e que cada estado e cada município tenha competência para resolver os problemas ambientais. Cada propriedade é uma realidade, precisamos usar o bom senso”, destacou o deputado, acrescentando: “A decisão política foi tomada, agora, precisamos ouvir a ciência e tomar decisões técnicas”.

André Luiz Monteiro Novo, pesquisador da Embrapa Sudeste, mostrou como é possível conduzir uma Produção Intensiva de Leite a Pasto e que o interesse dos pecuaristas pelo manejo intensivo de pastagem está relacionado com a necessidade de intensificação da atividade leiteira, com foco principal no aumento da produtividade dos fatores de produção, especialmente da terra, e consequente aumento na escala de produção. Segundo ele, o manejo intensivo de pastagens é uma das melhores alternativas de uso eficiente da terra, pois possibilita a produção de grande quantidade de forragem por área, aliada a um bom valor nutricional desta forragem.

O 1ª Congresso Via Láctea foi encerrado com um grande debate sobre o tema “O que vem por aí no leite”. Sob a mediação do jornalista Sérgio Braga, contou com a participação de Ricardo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária); Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil; Carlos Humberto Mendes de Carvalho, presidente do Sindileite, e Rafael Ribeiro, analista da Scot Consultoria.

REMATES

Até o fechamento da edição, o Agrocentro informou apenas o resultado de cinco dos oito leilões promovidos, que renderam um faturamento de R$ 1.484.572,00 com a venda de Gir Leiteiro, Simental e ovinos (Dorper e Suffolk). O Leilão 50 Anos de Seleção Estância Silvania, de Gir Leiteiro, realizado dia 20 de novembro, foi o destaque da mostra.

Os 29 lotes arrematados renderam R$ 743.100,00 e média geral de R$ 26.076,68 para animais e prenhezes. O 4º Leilão Mulheres de Gir Leiteiro, dia 22/11, faturou R$ 469.920,00 com a venda de 30 lotes pela média de R$ 15.929,49. Já o leilão de Liquidação de Plantel Simental Fazenda Guayçara (virtual), dia 22/11, vendeu 24 fêmeas pela média de R$ 4.080,00. Também foram realizados dois leilões de ovinos, durante a Feileite.

O Leilão Suffolk da Fazenda Alvorada, dia 19/11, faturou R$ 57.960,00 com a venda de 32 lotes pela média de R$ 1.811,25. Outro leilão, o Dorper da Fazenda Alvorada, dia 20/11, apurou R$ 124.672,00 com a comercialização de 50 lotes pela média de R$ 2.493,44.

JULGAMENTO

A raça Girolando foi o destaque da Feileite com a participação de 410 animais, trazidos por 76 expositores, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. O Gir Leiteiro, que até então dominava os julgamentos, inscreveu 246 exemplares.