Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Mercado de Corte

O boi gordo em 2011

Analisando-se o cenário da pecuária de corte em 2011, o país manteve o patamar de grande exportador de carne bovina com alguns momentos em que o valor da arroba do boi gordo foi mais baixo e, em outros, mais alto, conforme discutiremos no decorrer da edição.

No cenário geral, algumas mudanças na política ocorreram em 2011, como troca do Ministro da Agricultura, que assumiu o cargo em 23 de agosto; fechamento do acordo entre Brasil e Argentina relacionado às cotas e preços para importação de leite em pó da Argentina; estiagem em algumas regiões do país e excesso de chuvas em outras que alteraram a produção de grãos em algumas regiões, aumento no preço de insumos agrícolas, como alguns adubos e sementes de forrageiras, dentre outros fatores.

Já se analisarmos o ano de 2011, até o dia 14 de novembro, o valor médio da arroba se manteve acima de US$ 60,00 para o Brasil, Argentina e EUA, somente mais baixo na Austrália, cuja arroba máxima chegou a valer US$ 53,07 em abril de 2011. Para o período atual de 19/10 a 14/11 (18 dias úteis), o valor da arroba no mundo, comparado ao período anterior (20/09 a 18/10; 20 dias úteis) teve um aumento para Brasil (US$ 54,30) e Austrália (US$ 48,93). Mas houve uma queda na Argentina (US$ 67,84) e nos Estados Unidos (US$ 70,13), como pode ser observado na tabela do boi gordo no mundo.

Em relação às propriedades habilitadas a exportar carne bovina in natura para a União Europeia, até o dia 17 de novembro de 2011, houve uma diminuição no número de propriedades que compõem a lista de fazendas ERAS/TRACES, totalizando 2.046 propriedades. As fazendas estão assim distribuídas, por estados: 11 no Espírito Santo, 295 no Mato Grosso do Sul, 441 no Mato Grosso, 35 no Paraná, 171 no Rio Grande do Sul, 149 em São Paulo, 474 em Minas Gerais e 470 em Goiás. Em novembro, houve uma queda de 7,8% em relação a janeiro de 2011, quando eram 2.219 as fazendas habilitadas a exportar (Fonte: European Commission). Mesmo diante desta queda no número de propriedades habilitadas, no mês de outubro, as exportações totais de carne bovina in natura somaram 74,7 mil toneladas, valor acumulado em 20 dias úteis. Este número é 0,7% maior do que em setembro de 2011 (74,2mil toneladas em 21 dias) e 2,2% menor do que em outubro de 2010 (76,4 mil toneladas em 20 dias úteis) (Dados da SECEX – Secretaria do Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

O abate de bovinos no país, até o dia 17 de novembro, totalizou 302.555 cabeças, sendo 113.164 no Mato Grosso, 25.415 em Minas Gerais, 34.557 em São Paulo e o valor restante distribuído nos demais estados. Esse valor, até o momento, corresponde a 20,3% do valor do abate em outubro, que foi de 1.489.454 cabeças. Já de janeiro ao dia avaliado em novembro, foram abatidas 17.982.355 cabeças, valor este 9,58% menor que o mesmo período de 2010 (19.888.900 cabeças) (Fonte: MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). É importante ressaltar que no ano de 2011 os valores ainda podem aumentar até o fechamento do mês de novembro e que para 2010 foi considerado o valor do mês de novembro inteiro.

No período atual, observa-se um cenário especulativo e ao mesmo tempo firme, devido à dificuldade na compra de animais terminados. Este fato, demonstrado também pelas escalas curtas de abate, em média três dias, mantém o valor da arroba estável, sendo que em algumas unidades federativas, o valor tem aumentado. Assim, pode-se esperar uma sustentação e até mesmo um aumento no preço pago pela arroba, pois estes fatores citados são aliados a um aumento no consumo de carne no final do ano, quando muitos consumidores já começam a receber o décimo terceiro salário, tendo mais poder de compra, além das tradicionais confraternizações de final de ano que aquecem o mercado varejista.

Como pode ser observado no gráfico da evolução do preço de arroba do boi gordo, no período atual analisado (de 19/10 a 14/11), houve um aumento no valor pago aos pecuaristas para todas as unidades federativas analisadas, quando comparamos ao período anterior (de 20/09 a 18/10). No estado de São Paulo houve o maior aumento observado em 14 de novembro, a arroba chegou a valer R$105,00. Os demais estados acompanharam essa elevação, mas, o único estado em que a arroba não foi tão valorizada é Santa Catarina, onde o maior valor pago foi de R$ 95,00.

O deságio pago aos pecuaristas nas negociações à vista em relação ao valor a prazo (30 dias), no período de 19/10 a 14/11, foi de 1,86%, valor este 7,9% menor do valor observado no período anterior (de 20/9 a 18/10), que foi de 2,02%. Contrariamente ao observado nos períodos anteriormente analisados, o estado do Rio Grande do Sul permaneceu abaixo da média nacional, com um deságio no período atual de 1,83% (1,61% abaixo da média). Este fato é acompanhado por São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Já Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina permaneceram acima da média. Este último permaneceu comum deságio de 1,98%, ou seja, 6,45% acima da média.

No período atual de 19/10 a 14/11, o valor médio da relação de troca entre desmama e boi gordo foi de 2,27; 3,18% acima do valor do período anterior (de 20/09 a 18/10), que foi de 2,20. Apesar da valorização da arroba do boi gordo, que ocorreu no período, a relação de troca apresentou um aumento significativo devido ao aumento no preço do bezerro, oriundo de uma maior demanda por esta categoria animal, que vem ocorrendo em alguns estados do Brasil, principalmente devido à necessidade de reposição, fato que tem como uma das consequências, a valorização da arroba, como observamos anteriormente.

Em estados como São Paulo e Paraná, o preço médio por cabeça na categoria de desmama a oito meses de idade era de R$ 710,00 no início do período analisado, e fechou a R$ 730,00 em ambos. De modo geral, os estados de Minas Gerais e Goiás apresentam o cenário de relação de troca superior em relação aos demais estados. Já o Rio Grande do Sul permanece há algum tempo com a melhor relação de troca e, no período atual, esta é de 2,48; valor 9,2% acima do valor médio nacional. O quadro de pior relação de troca, no período atual, ficou com Mato Grosso do Sul, com uma relação de troca de 2,21, 2,64% abaixo da média nacional.

A relação de troca entre boi magro e boi gordo apresentou o valor médio nacional, no período atual, de 1,36. Este valor foi 3,8% acima do observado no período anterior, de 20/09 a 18/10, que foi de 1,31. Minas Gerais apresentou relação de troca acima desta média, 2,9% maior. Já Goiás e Mato Grosso do Sul apresentaram valores iguais ao valor médio nacional. Por outro lado, os estados de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul permaneceram abaixo da média nacional. O estado de São Paulo, durante todo o ano de 2011 e, como observado em 2010, está sempre com a pior relação de troca para esta categoria e, no período atual, pode-se apenas adquirir 1,34 bois magros com a venda de um boi gordo.