Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Reprodução

Mais vacas, tourinhos e insumos

Douglas Coelho de Oliveira*

Não há melhor promotor de vendas do setor de reprodução que os mercados do boi gordo e reposição. Com o produto da cria valorizado, o produtor tende a investir, uma vez que o negócio vai bem. Obviamente os custos devem ser considerados. Mas, de maneira geral, a cria no Brasil não utiliza insumos de maneira intensiva.

No caso da alimentação, uma suplementação mais consistente não é prática difundida, fato este comprovado pela última estação de monta. Quando a chuva falhou, a vacada, dependente de pasto, não recuperou condição corporal a tempo e os resultados foram menores que o esperado. Com isto, ao longo do ano, ficou a expectativa quanto aos efeitos da última estação no desejo de investir.

Os mercados firmes do boi gordo e da reposição ao longo do ano, salvo nas desovas, como na entrada da seca e saída do confinamento, parece ter superado os tropeços da última estação.

Receptoras

Dos mercados ligados à reprodução, o de receptoras tem sido o mais comedido. Em 2011, os negócios com esta categoria não tiveram boa movimentação, na comparação com anos anteriores. O mercado vem se retraindo nos últimos dois anos. A utilização de fêmeas do próprio rebanho tornou-se uma prática comum entre os pecuaristas. Quando comercializadas, as cotações giram em torno de 12@ de boi gordo. Na figura, está a evolução dos preços médios das receptoras, em R$/cabeça.

A pressão dos custos sobre pequenas e médias centrais aumentou, e algumas delas deixaram a atividade. De maneira geral, a utilização de transferência de embriões (TE) e fertilização in vitro (FIV) para a produção de tourinhos cresceu, quando comparada à produção de animais de pista. Nestas ocasiões, como o volume de embriões transferidos é maior, os preços cobrados pela prestação do serviço são menores.

O aumento do número de profissionais ligados à reprodução tem gerado concorrência neste setor, o que também colabora para a diminuição dos preços. Em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço médio da fêmea prenhe, com serviço incluso, está em torno de 22@ de boi gordo.

Inseminação

Em 2010, o mercado de inseminação artificial registrou recorde nas vendas de sêmen. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), foram 10,4 milhões de doses, ante 9,16 milhões em 2009, aumento de 13,7%. Desde 1990, as variações anuais das vendas foram positivas 16 vezes. Houve queda em quatro anos. Os dois últimos foram em 2005 e 2006, devido à derrocada dos preços pecuários.

Neste ano, a movimentação foi boa e o aumento das vendas de sêmen dos últimos anos tende a se manter em 2011. Considerando o período desde 2007, quando o mercado retomou o crescimento, após patinar na fase de baixa do ciclo de preços, o aumento anual da comercialização tem sido de 11,5%, em média. Estimando esta variação para 2011, teríamos cerca de 11,6 milhões de doses.

Tourinhos

Em 2011, o mercado de tourinhos tem tido boa movimentação.

Considerando a média das praças pesquisadas, o preço dos tourinhos Nelore PO entre agosto e outubro deste ano foi de R$ 4.420,00. Houve queda de 2,3% em relação ao mesmo período de 2010, quando eram negociados a R$ 4.520,00. Apesar de preços ligeiramente menores, os volumes têm superado os observados no ano passado.

Perspectivas

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2009 e 2010, o rebanho bovino cresceu 2,1%, atingindo 209,5 milhões, um recorde. Entre 2007 e 2010, o aumento no efetivo bovino foi de 4,9%. Um rebanho maior significa mais fêmeas, com maior demanda por tourinhos, sêmen e insumos relacionados. Este mesmo aumento de rebanho, que movimenta o mercado de reprodução, deve ser observado com atenção.

A partir de um certo nível de oferta, os preços da reposição podem se tornar menos atrativos e gerar retração no investimento. Um mercado mais frouxo para a reposição influencia fortemente o retorno do investimento atual em genética, que deve ser avaliado com critério. Taxas de prenhez em alta de nada valem se o caixa estiver negativo.

*Zootecnista e consultor da Scot Consultoria. Colaborou Hyberville Neto, médicoveterinário