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Sanidade

Brasil expande vacinação

97,7% do rebanho nacional foi imunizado contra a febre aftosa no primeiro semestre. A meta é todo país livre da doença (com vacinação) até 2013

Foi concluída a segunda etapa de vacinação obrigatória contra a febre aftosa em bovinos e bubalinos no Brasil. Na primeira fase, que teve início em maio, imunizou-se 97,7% de animais, superando os 93,4% alcançados em 2010. O resultado da segunda etapa da campanha, que se encerrou no início de dezembro, será publicado apenas no início de 2012, quando os relatórios de serviços veterinários oficiais dos estados envolvidos serão enviados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No primeiro semestre, foram vacinados 164.809.239 bovinos e bubalinos no período regular das etapas de imunização. O norte e nordeste apresentaram um índice de cobertura de 92,8%, resultado considerado satisfatório. “No entanto, estados como a Paraíba, Rio Grande do Norte e, em menor grau, Piauí têm espaço para melhorarem os índices vacinais”, salienta Plínio Leite Lopes, coordenador Nacional do Programa de Febre Aftosa.

Segundo ele, a vacinação transcorreu com normalidade na maioria das unidades federativas, exceto no Amapá, que demonstra certa dificuldade. “O estado apresentou índices muito baixos de vacinação na etapa de maio e, por isso, é avaliada a possibilidade de alteração na estratégia de vacinação daquela região para o próximo ano”, destacou o Coordenador.

O Amazonas, considerado crítico devido à dificuldade de acesso, no início deste ano, teve a última etapa de vacinação realizada diretamente pelo serviço veterinário oficial na calha do Rio Amazonas. Foram quatro anos seguidos de trabalho, que começou com seis e terminou com 12 municípios.

Em maio, a vacinação transcorreu com bons resultados nos demais municípios do estado, pois os 12 municípios da calha do Rio Amazonas foram excluídos daquela etapa, como também desta que aconteceu em novembro. “Esperamos que o estado alcance bons resultados nesta etapa, pois contribuirá na mudança do status de febre aftosa que está pleiteando” afirma Lopes.

Já em Rondônia, os trabalhos da defesa sanitária animal têm garantido status de livre de febre aftosa com vacinação. Em maio deste ano, conseguiu-se o reconhecimento internacional da região que faltava, eliminando-se as restrições sanitárias que existiam para essa área, localizada em Porto Velho, na divisa com o Amazonas.

Em função de fronteiras com áreas de status inferior, uma forte estrutura foi instalada para prevenir a reintrodução viral, que precisa ser mantida em pleno funcionamento pelo serviço veterinário oficial. Além disso, novos investimentos estão sendo feitos na fronteira com a Bolívia, para fortalecer cada vez mais a vigilância na região.

As iniciativas de apoio aos serviços veterinários oficiais da Bolívia e do Amazonas feitas pelo governo de Rondônia foram primordiais para manutenção da segurança sanitária na região. “É importante destacar a grande parceria entre o serviço veterinário oficial e a iniciativa privada, primordial na consolidação do status atual para a endemia”, enfatiza Lopes.

Na Bahia, alguns municípios optaram por vacinar apenas os animais de até 24 meses nessa segunda etapa. A estratégia, autorizada pelo Ministério da Agricultura, segue critérios técnicos e legais estabelecidos, sendo segura se aplicada conforme o protocolo. Entretanto, segundo o coordenador do Programa de Aftosa, foi mantida a vacinação semestral de todos os bovinos e bubalinos na zona de proteção do estado em função do maior risco que essa região apresenta.

Expectativas para 2012

Para 2012, as autoridades esperam que os estados da zona não livre de febre aftosa do Norte e Nordeste consigam melhorar os serviços veterinários oficiais e avançar no status sanitário, contribuindo com a melhoria da produção e do comércio pecuário. “Continuaremos trabalhando para prevenir nossas zonas livres de febre aftosa da reintrodução do agente da doença, evoluindo com o processo de erradicação e conquistando novos mercados para os produtos pecuários brasileiros”, justifica o coordenador.

O Ministério da Agricultura tem trabalhado para que os serviços veterinários oficiais, principalmente do norte e nordeste, melhorem e se consolidem como condição principal para o avanço das zonas livres de febre aftosa com vacinação do país. Nesse sentido, o apoio dos governos estaduais é fundamental e o bom trabalho dos serviços veterinários oficiais será imprescindível. “A meta do Ministério da Agricultura é conseguir o reconhecimento de todo país livre de febre aftosa até 2013”, finalizou Lopes.