Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Touros

Evolução: a definição para 2011

Em outubro, leiloeiras já liquidavam o equivalente ao montante comercializado em todo o ano passado

Silvia Palhares

Iniciei a matéria sobre o mercado de reprodutores no ano passado enfatizando as qualidades que um pecuarista diz procurar ao analisar um animal para aquisição: umbigo correto, bons aprumos, costela comprida e precoce. Essas características são imprescindíveis para um bom touro e estão sendo conquistadas a cada dia com os trabalhos de melhoramento genético realizados pelos produtores de touros.

Aliás, esse mercado surpreendeu as espectativas neste ano. Começou patinando, segundo a análise de uma consultoria em fevereiro, sob a alegação de que a maioria das propriedades estava em estação de monta e que a reposição não é realizada nesse período. Na ocasião, ressaltou- se que os preços médios de 2010 caíram entre novembro e dezembro em função da redução de negócios e pela queda na cotação do boi gordo. Entretanto, não deixou de reforçar que o volume de vendas tinha tudo para crescer.

E o mercado realmente deu uma guinada. A arroba do boi gordo apresentou valorização e os criadores de touros comerciais aproveitaram o momento para ganhar, já que os pecuaristas decidiram aumentar os plantéis. Contaram, ainda, com a vantagem dos inúmeros trabalhos de melhoramento genético e avaliações de eficiência, oferecendo aos seus compradores animais de ótima qualidade e a possibilidade de bezerros precoces e com qualidade de carne.

De acordo com Maurício Tonhá, sócio-proprietário da Estância Bahia Leilões, em outubro, a empresa já havia ultrapassado o volume de vendas de todo o ano de 2010 (que chegou a 8 mil tourinhos). A previsão é de que feche 2011 com 15% a mais em negócios. Os preços médios também valorizaram, em quase 10%. Isso, em sua opinião, deu-se por conta da melhoria do cenário da pecuária como um todo e da qualidade dos animais ofertados.

José Vicente Ferraz, engenheiroagrônomo e diretor-técnico da AgraFNP, concorda com o que foi dito por Tonhá e complementa ressaltando que o cenário deste mercado se desenhou “coerentemente com o ciclo de alta da pecuária e com uma razoável boa rentabilidade da cria. Está se investindo mais na atividade e, portanto, o mercado de reprodutores cresceu”. Para ele, a venda de touros, como em qualquer outra atividade empresarial, depende muito da eficiência dos agentes. “Se bem feita, sempre foi e será um bom negócio. Claro que existem momentos, como o atual, que são mais favoráveis e outros menos.” Comparativamente com o mercado de elite, o consultor não vê grandes diferenças no que se refere a ser ou não melhor negócio.

Para Lourenço Campo, proprietário da Central Leilões, os touros comerciais andaram um pouco ofuscados pelos de elite quando se fala de compra e venda, mas lembra que, como os criadores profissionais de reprodutores nunca mudaram seu foco e seguiram selecionando para a produção a pasto, hoje colhem os frutos desta persistência. Ele ressalta que este segmento da pecuária tem atraído atenção mais do que nunca, haja vista os novos projetos surgidos atualmente.

Para Maurício Tonhá, o mercado de touros é um negócio bom e crescente

Em outubro, a Central já havia ultrapassado em 25% todas as vendas de 2010 (que somou 4 mil animais) e pretende fechar 2011 com 7 mil reprodutores comercializados. A média de preços também aumentou, em 11,4%, passando de R$ 7 mil no ano passado para R$ 7,8 mil neste.

Ferraz, da AgraFNP, analisa que este foi um ano muito bom para o segmento e que as últimas semanas no ano seguirão a mesma linha.

Incremento

Recentemente, foi possível verificar que a demanda por carne está crescente ao ponto de estar faltando animais para abate. Em Mato Grosso do Sul esse cenário resultou em alta no valor da arroba do boi gordo, que foi vendido no início de novembro por R$ 99/@ à vista, podendo ter o preço acrescido na comercialização a prazo, livre de funrural, chegando a R$ 101/@. Por conta da estiagem ocorrida na região, o gado criado a pasto não está pronto e todo animal produzido tem liquidez garantida.

Segundo Paulo Horto, proprietário da Programa Leilões, a necessidade de bois para abate é sempre muito maior que a oferta e aos poucos os produtores de bezerros vêm se dando conta disso, “tanto que a cada ano se vende mais touros”, frisa.

“A média de preços dos touros aumentou 20% em 2011”, ressalta Paulo Horto

A análise do empresário é correta, por isso o mercado de reposição tem andado tão aquecido, seja pela compra de tourinhos para monta ou sêmen e embriões para técnicas de inseminação artificial e transferência de embriões, respectivamente.

Na Programa Leilões, 2011 foi muito bom para a venda de touros, que iniciaram a partir de junho, tendo seu melhor momento em julho e agosto, segundo informações de Paulo Horto. A partir da segunda quinzena de setembro, a estiagem desacelerou as vendas, mas as médias voltaram a melhorar depois das chuvas em outubro. A expectativa da empresa é fechar o ano com 15 mil animais comercializados. Até outubro, as negociações foram 30% maior do que o mesmo período de 2010 e a média deve se manter até dezembro.

“Também houve aumento nos valores, mostrando que os produtores estão investindo cada vez mais no melhoramento genético dos produtos”, ressalta o empresário. Os preços médios passaram de R$ 6 mil para R$ 7,2 mil de um ano para outro. Para ele, a pecuária nacional tem um longo caminho pela frente, e para a estrada ser segura e rentável, é fundamental investir em genética de ponta, com a qual seja possível obter a melhor carne, pelo menor custo e no menor tempo.

“Plus” da genética

O boi ponta de boiada está cedendo cada vez mais espaço para os avaliados geneticamente

Compradores muito exigentes. Essa frase define a opinião de Lourenço Campo sobre o mercado de touros deste ano, da mesma forma que a de Horto e de Tonhá. “A diferença de um animal provado ficou muito acima daquele de genética duvidosa”, esclarece Campo. Não à toa que sua empresa, a Central Leilões, procura atender a todos os programas de melhoramento na raça Nelore. Hoje, a Central trabalha junto a inúmeros programas de avaliação genética, da raça ou particular de algum comprador. O objetivo, de acordo com o empresário, é ter certeza de estar atendendo ao mercado com “a melhor genética disponível na atualidade”.

Segundo Lourenço Campo, o mercado mostrou-se bom comprador para animais de genética comprovada

Campo destaca, ainda, possuir um estudo no qual relata que, de 2006 a 2010, os animais produzidos por criadores focados em melhoramento genético – que ele define como animais de genética provada – têm valorização média de 35% em relação aos de genética duvidosa. Por isso a importância das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). “Elas são a garantia do criador quando este vai investir na compra dos reprodutores que vão servir ao seu plantel. Como diz meu amigo Willian Koury Filho, elas são a bula do touro”, comenta o pecuarista.