Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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O Confinador

Importância econômica do CONFINAMENTO

Embora represente apenas uma fração do total de gado terminado, nos últimos cinco anos, o confinamento fez circular na economia mais de 16 bilhões de reais. Somente em 2010, foram R$ 3,7 bilhões. Com as empresas frigoríficas aumentando a capacidade de produção, exportando ano após ano maiores volumes de carne e demanda mundial aquecida para o consumo de proteína animal, os confinamentos vêm ampliando a produção e mais unidades de engorda são construídas por todo o país (Figura 1).

O confinamento espalha-se por todo o Brasil, em todos os biomas. Entretanto, estima-se que por volta de 75% do rebanho confinado estejam distribuídos pelos estados de Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Goiás e Mato Grosso são os dois principais estados confinadores, localidades que reúnem todas as características favoráveis à atividade, como grande oferta de insumos (boi magro, bezerro, grãos e farelos), plantas frigoríficas habilitadas para exportação e clima condizente com a produção em confinamento.

Atualmente, a ASSOCON tem o cadastro de 891 confinamentos distribuídos pelos estados de GO, MT, SP, MS, PA, BA, RO, PR, RJ, MA e PB. Um levantamento iniciado em julho de 2011 no estado de MG, pela Emater-MG, identificou 721 unidades. Dessa forma, podemos assegurar a existência de no mínimo 1.612 propriedades pecuárias que realizam a atividade de confinamento. Juntas, elas possuem uma capacidade instalada para o alojamento de 1,6 milhão de animais. A produção de gado confinado pode variar de um a três vezes o valor da capacidade instalada, dessa forma, a terminação de gado confinado pode variar entre 1,6 a 4,9 milhões de animais/ano nessas propriedades identificadas. Enfim, a produção de gado confinado no Brasil pode ser maior do que os números atuais de mercado expressam.

O confinamento também tem promovido o melhor uso do solo e preservação ambiental, produzindo resultados 4,7 vezes superior em produção de kg de carcaça/hectare quando comparado com a produção extensiva. Esse movimento é benéfico ao meio ambiente, pois em 2010, se o volume de gado confinado fosse produzido em sistema extensivo, ocuparia uma área correspondente ao estado de Alagoas.

O consumo do segmento também é expressivo, estima-se que de janeiro a dezembro de 2011 a atividade de confinamento consuma o total de 241 milhões de reais em milho e 338 milhões de reais em farelo de soja: 579 milhões de reais em apenas dois produtos. O processo de intensificação é continuo e nos próximos anos a inclusão de grãos e farelos nas dietas será maior, tornando a atividade mais representativa.

Em relação à mão de obra, diferentemente da produção a pasto, os confinamentos trabalham com intensos processos de capacitação do pessoal empregado. Muitas vezes essas propriedades operam processos através de softwares de controle e gestão, necessitando de um melhor nível de conhecimento dos funcionários. Fazendas que partem para a terminação do gado em confinamento também são reconhecidas pelo alto investimento que é realizado no treinamento dos funcionários, para melhor execução dos processos diários, manejo com o gado, operação de máquinas e equipamentos e produção de silagem.

O salário médio pago para os funcionários de confinamentos nos anos de 2008 e 2009, segundo o Censo de Confinadores de MT e SP, foi de R$ 908,64. No caso de MT, o valor médio encontrado é 34,8% superior a média dos salários pagos na zona urbana.

Outro aspecto importante do sistema é a venda em período em que oferta gado gordo para o abate é limitada, geralmente, na época seca do ano, quando os pastos estão secos e os animais perdem peso. A oferta, por conta do volume de gado criado de forma intensiva, tem sido constante, assegurando ao varejo fornecimento interno contínuo de proteína animal de qualidade (Quadro 1).

Entretanto, a atividade de confinamento está atrelada a diversos riscos: na aquisição de animais, insumos, clima e venda do produto pronto. As margens desse segmento são estreitas, com rentabilidade média entre 3% a 5% (Figura 2).

Investir na atividade de confinamento poderá tornar-se uma saída para regulação da oferta de proteína animal, proteção ambiental e melhoria dos índices sociais com fixação do homem no campo, mas faz-se necessário a criação de linhas de crédito mais efetivas para custeio da atividade de confinamento, para aquisição de insumos e animais (boi magro). Por fim, a terminação de gado de corte através do sistema de confinamento ainda está em seu começo e possui grande potencial de crescimento no Brasil, por este ter área disponível para crescimento, grande produção de insumos e clima favorável.

Escola de capacitação

Pelo 3º ano, a entidade também realizará a Escola de Capacitação em Confinamento. Serão realizados cursos de capacitação em Goiânia e Jataí/ GO (em fevereiro), Barra do Garças/ MT (em março), Três Lagoas/MS (em abril) e Paraíso do Tocantins/TO (em maio).

Na Escola de Confinamento, peões, capatazes, tratoristas e pecuaristas que queiram entender melhor sobre a parte técnica do confinamento terão acesso a diversas informações, como: nutrição, manejo racional, sanidade do rebanho, produção de silagem, melhoramento genético, reprodução animal, planejamento da atividade em 2012, identificação animal, operação com máquinas e equipamentos e aulas práticas.

O curso tem duração de uma semana (de segunda a sexta) em cada uma das cidades citadas e as inscrições serão abertas a partir de janeiro de 2012. As inscrições serão limitadas. Para mais informações, acesse www.assocon. com.br ou entre em contato pelo telefone (62) 3432-0395.


Assocon realiza cursos em 2012

No ano que vem, a Assocon realizará seu primeiro Ciclo de Palestras sobre a atividade de confinamento. O projeto será realizado em três municípios: Cuiabá/MT, Redenção/PA e Barreiras/ BA. O foco é apresentar ao público participante informações objetivas sobre o mercado e área técnica para o melhor posicionamento do pecuarista que pretende iniciar com o confinamento no ano de 2012 e também para auxiliar o planejamento dos confinadores que já utilizam tal sistema de produção. Os eventos estão programados para acontecerem em março, abril e maio de 2012 e detalhes da programação e inscrições poderão ser consultados no site da ASSOCON (www.assocon.com.br) a partir de janeiro de 2012.