Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Caindo na Braquiária

O decálogo do que acredito piamente

1.Acredito no equilíbrio da natureza e na força dela. Quem já passou num desmatamento na Amazônia e voltou nessa área intocada por 10 anos, sabe do que falo. A natureza se recupera com uma força brutal quando a deixamos em paz. Acredito no equilíbrio da densidade populacional: basta olharmos os números de nascimentos (taxa de natalidade ou filhos nascidos por casal nos últimos anos) para constatarmos que o mundo terá uma população mais velha nos países ricos, e esses pagarão àqueles em desenvolvimento para ter filhos, financiando a educação e a saúde, assim essas crianças melhor nutridas e educadas podem ser a mão de obra futura dos países desenvolvidos (essa imigração por sinal já vem acontecendo há muito tempo para a Europa).

2. Acredito que a natureza tende ao equilíbrio, basta que a deixemos expressar-se. Passaremos por mudanças, tais como concentração de chuvas e aumento do período da seca, mas, como falei, haverá regiões onde choverá mais, e outras passíveis de desertificação. Se não estivéssemos passíveis de mudanças climáticas, da flora e fauna, talvez teríamos dinossauros caminhando pela Av. Paulista. Nossos filhos serão muito mais adaptados que nós a ácaros, fumaça, poluição, raios solares, alimentos transgênicos (AGM), inseticidas, CO2, sofrendo muito menos que nós. Na agricultura, teremos plantas com diversas características introduzidas através da genética molecular, tais como sabor, menor probabilidade de bactérias que possam destruí-las quando expostos ao consumo e, consequentemente, menos conservantes ET I, ET II e etc. Comeremos mais saudavelmente, com menos herbicidas nos alimentos e mais vitaminas.

3. Acredito na volta das pessoas ao campo, para a pecuária, pois os alimentos de proteína animal serão mais caros que atualmente, estimulando a criação mesmo em terras mais caras e com melhores salários. E os produtos industrializados serão cada dia mais baratos, desfavorecendo possíveis investimentos e pagamentos de salários caros.

4. Acredito na lei da oferta e demanda, quando penso no caso de falta de alimentos para a população mundial em decorrência da migração das terras para produção de Etanol. No momento em que a oferta de grãos cair, sabemos que o preço subirá, forçando o dono da terra voltar a plantar grãos. O mesmo ocorrerá com a carne, que será um produto nobre, pois o boi deverá ser valorizado para se manter viva a pecuária extensiva e, consequentemente, o frigorífico terá de repassar ao varejo. Aliás, comeremos em dias normais somente miúdos e carne de segunda preparada como cozidos.

“Acredito piamente na responsabilidade humana, que torna a população cada dia mais consciente da importância da reciclagem. E, no futuro próximo, será proibido embalagem que não dissolva com água”

5. Acredito que o Etanol terá vida curta (até 2020), com a vinda de uma fonte menos poluente do que a fabricação do Etanol (queimadas que prejudicam nosso pulmão), como o Hidrogênio, ar comprimido ou mesmo eletricidade. Dessa maneira, as usinas se voltarão para a produção de açúcar e energia elétrica. Áreas de cana serão usadas para plantio de grãos ou frutas, com preços diferenciados, estimulando construção de inúmeras fábricas de industrialização.

6. Acredito piamente na responsabilidade humana, que torna a população cada dia mais consciente da importância da reciclagem. E, no futuro próximo, será proibido embalagem que não dissolva com água.

7. Acredito que cada casa deverá ter seu sistema de tratamento de esgoto e sistema de valas para armazenar a água da chuva, economizando o produto mais importante desse planeta.

8. Acredito piamente no uso da Caatinga como uma das principais fontes de fornecimento de bezerros para o Centro Sul do país, bem como o continente africano se firmando, futuramente, como um dos maiores exportadores de carne bovina global.

9. Acredito no decréscimo do uso da madeira para industrialização de papel, sendo seu uso voltado para indústria moveleira, geração de energia elétrica e como biomassa para fornos siderúrgicos.

10. Acredito no fim da “escravidão não declarada” da China, onde sua competitividade diminuirá e as pessoas consumirão muito mais, incluindo carne bovina brasileira no cardápio.

Alexandre Zadra - Zootecnista
alexandre.zadra@merck.com