Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Bezerro

2011!
O ano do bezerro

Rogério Goulart*

E m praticamente todos os estados onde a pecuária é importante, a média do preço do bezerro esteve melhor nos últimos anos, como pode ser observado no gráfico da próxima página. Qual a razão disso? Acabaram- se os bezerros? Mediante à demanda, realmente a oferta diminuiu, consequência do forte abate de fêmeas ocorrido entre 2003 e 2007.

Diminuiu a quantidade de vacas nos pastos e com isso diminui-se também a produção de bezerros. Com a oferta menor, o preço sobe. Como pode-se ver no gráfico, essa alta está ocorrendo desde 2007. O que vemos ocorrer agora em 2011 é a continuidade do processo.

Como bem disse Luís Adriano, coordenador de Pecuária da Agropecuária CFM, um dos maiores produtores de touros e novilhas no Brasil, comentando sobre o mercado de cria ao redor de 2011: “O cenário recente de 2010 tem mostrado até agora uma ótima recuperação nos valores médios de venda de touros, já que a arroba do boi gordo subiu neste período, mas outro grande termômetro que avaliamos é o interesse e preços pelas fêmeas, já que estão totalmente relacionados com o investimento em cria. E, neste ponto, os números de 2011 são impressionantes. Aumentou-se a oferta de vacas prenhes e novilhas prontas para o serviço em quase 30% e, mesmo com crescimento, os preços médios ainda foram quase 20% maiores em relação a 2010, comprovando que a cria está em plena fase de investimentos efetivos para aumento da base de produção, assim como da qualidade dos touros de reposição.”

O bezerro é um animal muito sensível e arisco para variação de preço. É um produto caro de produzir. Pergunte para um criador quanto custa produzir uma bezerrada de qualidade e verá que a atividade não tolera preços em queda por muito tempo, como ocorreu entre os difíceis anos de 2003 e 2006. Numa situação assim, o fazendeiro se vê entre a cruz e a espada. Tem de pagar religiosamente as contas, mas somente com a produção de bezerro a conta não fecha no azul. Precisa, então, relutantemente, abater vacas produtivas também, que, em outra ocasião, não iriam gordas para o abate. Aumenta-se de forma brusca a oferta momentânea de gado para os frigoríficos. A arroba das fêmeas e a dos machos cai.

Porém, caro leitor, a realidade é outra. Não com os preços do bezerro em queda. Pelo contrário, e é um alívio.

Hoje, a atividade permanece lucrativa, no azul, e tem sido assim nos últimos anos. Sente-se otimismo no setor, pelos números crescentes de venda de touros e sêmen nos leilões dos últimos anos. O preço médio de um touro em 2011 também é recorde da última década, indo na esteira dos preços do bezerro. Observe os preços de touro comum para reprodução no gráfico Preço do Touro.

No ano passado, tratei um pouco sobre o ciclo pecuário no Brasil aqui na Revista AG. Ele é determinado pelo abate ou retenção de fêmeas. Em 2011, estamos no meio dele, com os preços encontrando seus melhores momentos. Se o meio não for neste ano, deve ocorrer em 2012.

Vemos neste instante que a retenção de fêmeas do início do ciclo está cedendo lugar para um aumento no abate de fêmeas. Esse movimento ainda é tímido, mas já dá para sentir, neste final de 2011, que a maré está querendo mudar.

Desde 2007, o criador parou de vender vacas e hoje elas estão nos pastos para aumentar a produção de bezerros. O criador quer aproveitar esses bons preços. A produção, de fato, subiu. É nítido o aumento na quantidade de animais. Os preços do bezerro não cedem, pois, apesar da quantidade de ter aumentado, ela ainda não é suficiente para atender a demanda. Por isso a solidez atual do mercado.

Mas, lembre-se, o criador em todas as regiões pecuárias está retendo vacas nos pastos. Essa retenção cresce ano a ano, e, em 2012, espera-se uma quantidade maior de bezerros. Em algumas regiões, essa realidade pode não se concretizar, por causa de questões de seca e perda de fertilidade momentânea de vacas. Entretanto, o barco continuará rumo a um maior número de bezerros.

Se esse aumento resultará em uma pausa na alta do bezerro, isso não é possível dizer. O importante é que a demanda por bezerros permanece forte, o que é bom. Pelo lado técnico, receio que se nós olharmos especialmente para o ciclo pecuário anterior, a possibilidade de 2011 ser, de fato, o melhor ano em média para o bezerro torna-se até um palpite prudente.

No final, caro leitor, refletindo nos prós e contras, a cria será também boa em 2012, porém, convenhamos, dificilmente melhor que em 2011.