Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Nutrição

Recuperação do SETOR

Mercado de nutrição animal reage diante das perdas de 2009 e apresenta crescimento

Bruno Santos
redacaosp@revistaag.com.br

O último ano não foi fácil para a indústria de alimentação animal brasileira. A crise econômica forçou uma diminuição da demanda por insumos e os prejuízos aumentaram, resultando em quedas desenfreadas. Nos primeiros nove meses de 2009, o mercado registrou queda de 1,6% na produção, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o que gerou incertezas na indústria.

Já em 2010, a produção da indústria de alimentação animal começou a esboçar uma reação e registrou crescimento de 3,3% nos dez primeiros meses, em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a outubro deste ano, foram produzidas pouco mais de 50 milhões de toneladas de rações.

Conforme os dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) a previsão é que o ano feche com produção total de 60 milhões de toneladas de ração, que devem movimentar cerca de 16 bilhões de dólares, além de dois milhões de toneladas de sal mineral, com receita de 1,1 bilhão de dólares. A produção de sal mineral cresceu quase 10%, e o volume de 1,8 milhão de toneladas produzidas até outubro já é igual a todo o desempenho de 2009.

Segundo o vice-presidente executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, entre julho e outubro, houve alta de 36% do preço do milho e de 15% do farelo de soja, que refletiu no valor das rações – subiram 20% a 25% no período. “O valor da ração aumentou porque 60% do insumo vem do milho e 20% do farelo de soja”, lembra.

Entre os produtos que mais se destacaram neste ano, estão os destinados para as épocas de seca, como: suplementos minerais com ureia, suplementos minerais proteicos e suplementos minerais proteico-energéticos. “Neste ano tivemos um período de seca muito prolongado, resultando em um aumento na venda de produtos destinados para essa época do ano”, enfatiza o executivo.

BOVINOS DE CORTE

O setor de alimentação para bovinos de corte apenas compensou as perdas acumuladas nos anos anteriores e produziu até agora 2,2 milhões de toneladas, com crescimento de pouco mais de 2% em relação ao mesmo período apurado em 2009. Segundo Zani, de julho a outubro, houve alguma melhora na relação de troca entre boi gordo e bezerro, porém, ainda abaixo do ideal. “A nossa estimativa é encerrar o ano com quase 2,5 milhões de toneladas de ração para bovinocultura de corte”, informa.

Para o executivo, essa baixa do mercado se atribui à matança de vacas em anos anteriores, à restrita oferta de boi gordo por conta da longa estiagem e ao descompasso nas relações comerciais entre bezerreiros, produtores, confinadores, frigoríficos e varejo, que retroalimentaram o ciclo virtuoso de reajustes e alavancaram a arroba acima dos R$ 100,00, no pico da entressafra.

Outro fator negativo foi o desempenho comercial dos produtos destinados para confinamento, que também apresentaram grande queda. Segundo o levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o número de animais confinados poderá ser menor, em comparação com 2009.

BOVINOS DE LEITE

Já a produção de ração para bovinocultura leiteira respondeu à demanda estável e registrou volume de 3,9 milhões de toneladas. Segundo o vice-presidente executivo, desde outubro do ano passado, o preço do leite pago ao produtor não mostrou reação, ao contrário, recuou, mesmo diante da menor captação.

Zani comenta, ainda, que a longa estiagem disponibilizou pasto de baixa qualidade que exigiu maior uso de rações e concentrados inflacionados pelos custos do milho e farelo de soja, impactando ainda mais o desempenho dos produtores leiteiros. “A nossa estimativa é produzir em 2010, aproximadamente 4,6 milhões de toneladas de ração para bovinocultura leiteira”, ressaltou.


PARA 2011

Depois de um ano negativo, de grande retração em todo o setor, os resultados apresentados até então em 2010 mostram que o mercado de nutrição animal já está se recuperando da crise e apresenta uma leve tendência de crescimento em todos os segmentos.

A expectativa da indústria para 2011 e os próximos anos é que todos os setores, principalmente de bovinos, apresentem um crescimento real e significativo que recompense todas as perdas quantificadas no último ano.

A grande aposta do setor para o mercado bovino é que haja um crescimento elevado e que os produtores invistam mais na alimentação. “Com a manutenção da arroba do boi em alta, o pecuarista poderá investir mais nos insumos industrializados e mobilizar mais tecnologia”, finaliza o executivo.