Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Mercado do Corte

o boi gordo em 2010

A nalisando-se o cenário de 2010, o Brasil passou por várias especulações de como se manteria diante de fatores como a forte estiagem que afetou a oferta de animais prontos para abate; as eleições presidenciais, que ainda geram certa cautela quanto ao futuro econômico do país; o aumento das exportações de carne bovina in natura e de bovinos em pé; a troca do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; a elevação no preço de insumos desde agosto e a queda do dólar em relação ao real, no segundo semestre de 2010, dentre outros. Um fato muito importante é que em 2009 houve uma expectativa muito grande de como o Brasil, em seus diversos setores, iria caminhar, devido, principalmente, à crise econômica mundial. Mesmo diante de todas as transformações, especulações e problemas associados à pecuária, o Brasil obteve o reconhecimento internacional nos últimos anos, por sua competitividade na produção e na exportação de carnes. Em 2010, manteve o patamar de ser competitivo e liderar o ranking nas exportações de carne bovina. Em novembro de 2009, 1.712 propriedades compunham a lista de fazendas ERAS/TRACES habilitadas a exportar carne bovina in natura para a União Europeia. Em novembro de 2010, houve um aumento de 515 fazendas, totalizando 2.227 propriedades. As propriedades estão assim distribuídas: 22 no Espírito Santo, 321 no Mato Grosso do Sul, 414 no Mato Grosso, 47 no Paraná, 137 no Rio Grande do Sul, 177 em São Paulo, 606 em Minas Gerais e 503 em Goiás. Em novembro, houve um aumento de 19% em relação a janeiro de 2010, quando eram 1.871 as fazendas habilitadas a exportar (Fonte: European Commission).

No mês de outubro, as exportações de carne bovina in natura somaram 76,4 mil toneladas, valor acumulado em 20 dias úteis. Este número é 0,6% menor de que em setembro de 2010 (76,9 mil toneladas em 21 dias) e 7,2% menor do que em outubro de 2009 (82,4 mil toneladas em 22 dias úteis) (Dados da SECEX – Secretaria do Comércio Exterior, do MIDC). No entanto, esta pequena queda é devida à pouca oferta de animais e não à diminuição da necessidade e garantia de compra dos nossos principais importadores.

Este fato, de baixa oferta, começa a ser revertido com animais de confinamento. O abate de bovinos no Brasil, até o dia 22 de novembro, totalizou 319.488 cabeças, sendo 108.944 no Mato Grosso, 32.135 em Minas Gerais, 56.338 em São Paulo e o valor restante distribuído nos demais estados. Até o momento, corresponde a 21,8% do valor do abate em outubro, que foi de 1.461.560 cabeças. De janeiro ao dia avaliado em novembro, foram abatidas 18.233.367 cabeças, valor este 6,36% menor que o mesmo período de 2009 (18.233.367 cabeças) (Fonte: MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). É importante ressaltar que no ano de 2010 os valores ainda podem aumentar até o fechamento do mês de novembro e que para 2009 foi considerado o valor do mês de novembro inteiro.

Em relação à exportação de bovinos vivos, segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria nos primeiros cinco meses de 2010, as exportações somaram 246 mil cabeças com um faturamento de US$ 224,5 milhões. Valor 30% maior em número de cabeças exportadas e 50% no faturamento, em relação ao mesmo período de 2009. A Venezuela foi o maior comprador, seguido pelo Líbano, com 210 mil e 26,4 mil cabeças, respectivamente.

No decorrer de 2010, para as unidades federativas analisadas, o valor pago pela arroba do boi gordo em novembro foi o mais alto observado em comparação aos meses anteriores. No estado de São Paulo, houve um aumento de 48% quando comparamos o valor médio em janeiro, de R$ 75,79/@ e o valor de R$ 112,23 pagos pela arroba, em novembro (considerando-se o valor médio até 20/11). Quando observamos o valor médio de todas, notamos um aumento no período compreendido entre janeiro a 20 de novembro de 2010, de 43,27%. Este aumento não era observado há um bom tempo, visto que podemos considerar fatores aliados, como acréscimo na exportação de carne bovina, no número de fazendas habilitadas a exportar carne bovina in natura para a União Europeia, a escassez de animais prontos para o abate, a forte estiagem que aconteceu nos meses de junho a setembro, principalmente, na maioria dos estados, o que gerou falta de bovinos prontos para abate enquanto ainda havia espera por animais confinados. Dessa forma, a demanda por animais prontos, com as escalas de abate curtas forçou os frigoríficos a um aumento no valor pago pela arroba do boi gordo. Entretanto, os únicos estados em que a diferença não foi maior que 30%, comparando-se janeiro e novembro, foram Santa Catarina (em janeiro o valor era de R$ 74,05/@ e em novembro, R$ 93,31/@) e Rio Grande do Sul (janeiro, R$ 2,43/kg, e novembro, R$ 2,85).

 

Em 2010, o Brasil manteve-se na liderança das exportações de carne

No período atual analisado (de 19/10 a 19/11), como pode ser observado no gráfico da evolução do preço de arroba do boi gordo, houve um aumento no valor pago aos pecuaristas para todas as unidades federativas analisadas. No estado de São Paulo, houve o maior aumento observado no valor pago pela arroba do boi gordo. Em 10 de novembro, chegou a R$115,00. Este preço se manteve até o dia 12, chegando, após uma queda gradativa, a fechar o período a R$ 110,00 a arroba (em 19/11). Mesmo com a queda, o valor foi um dos mais altos observados há alguns anos. Os demais estados a companha r am essa elevação, sendo que em todos foi observado um pico de preço e, no fechamento do período analisado, uma ligeira queda. O único em que a arroba não foi tão valorizada é Santa Catarina, onde o maior valor pago foi de R$ 95,00 a arroba. Contrariamente ao ocorrido em 2009, em que a entressafra foi atípica, com um grande volume de chuvas, o que ajudou a manter os bois no pasto por mais tempo; em 2010, a forte estiagem que durou até o mês de setembro, dependendo do estado, gerou falta de gado pronto para abate oriundo de pasto e uma espera pelos animais de confinamento. Em 2009, a venda de boi de pasto, que era para ter sido efetuada até agosto, início da entressafra, foi retardada e realizada juntamente à comercialização do boi de confinamento, em outubro, fato que ajudou a um aumento do preço da arroba, naquele ano. Entretanto, o aumento observado em 2009 não foi tão alto quanto o que obtivemos em 2010, em patamares há tempos não alcançados.

O deságio pago aos pecuaristas nas negociações à vista, em relação ao valor a prazo (30 dias), no período de 19/10 a 19/11, foi de 1,20%, valor 26,8% menor do observado no período anterior (de 20/9 a 18/10), que foi de 1,64%. Como visto nos períodos analisados anteriormente, o estado do Rio Grande do Sul permanece acima da média nacional, com um deságio no período atual de 3,61% (200% acima da média). O fato é acompanhado por Santa Catarina, com 108% acima da média (deságio de 2,5%). Os demais estados apresentaram valores abaixo da média.

Nas análises realizadas no decorrer de 2009, de fevereiro a novembro (considerando até o dia 19), a média do deságio no país foi de 2,88%, e estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul sempre permaneceram com valores acima da média, contrariamente à São Paulo, onde o deságio nunca ultrapassou o valor médio nacional. Já para os demais estados, houve inversão de posição em alguns períodos, como, por exemplo, o Mato Grosso, em que, em fevereiro, abril e maio, permaneceu abaixo da média nacional e inverteu o quadro nos demais meses. Em comparação com 2010, alguns cenários foram mantidos, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, bem como a inversão deste cenário para os demais estados, onde ora permaneciam com o deságio acima da média nacional e ora, abaixo

 

A expectativa pelo gado confinado foi grande

Já, comparando-se fevereiro de 2010 a novembro de 2010 (até o dia 19), houve uma queda de 57,62% no valor médio do deságio. Em fevereiro era de 2,84% e chegou em novembro a 1,20%. A queda demonstra que o mercado está demandado, devido à pouca oferta de animais, que gerou um aumento no valor pago pela arroba do boi gordo e, com isto, houve a pressão para que ocorresse a necessidade de negociações à vista, para se conseguir animais e, portanto, a diferença entre as formas de pagamentos tornou-se menor.

No período atual de 19/10 a 19/11, o valor médio da relação de troca entre desmama e boi gordo foi de 2,39, 8,6% acima do período anterior (de 20/09 a 18/10), que foi de 2,2. Apesar da valorização da arroba do boi gordo, que ocorreu no período, a relação de troca apresentou um aumento significativo, devido ao aumento no preço do bezerro, oriundo de uma maior demanda por esta categoria animal, que vem ocorrendo em alguns estados do Brasil, principalmente devido à necessidade de reposição, fato que é consequência da alta na exportação e da valorização da arroba, como vimos anteriormente.

 

Arroba alta pressionou para negociações à vista

Em estados como São Paulo e Paraná, o preço médio por cabeça na categoria de desmama a oito meses de idade era de R$ 710,00 e R$ 620,00, respectivamente, no início do período analisado e fechou a R$ 750,00 em ambos. De modo geral, Minas Gerais e Mato Grosso apresentam o cenário de relação de troca superior em relação aos demais estados. Já o Rio Grande do Sul permanece há algum tempo com a melhor relação de troca e, no período atual, esta é de 3,06. Este valor está 28% acima do valor médio nacional. O quadro de pior relação de troca, no período atual, ficou com o estado do Mato Grosso do Sul, com uma relação de troca de 2,24, 6,59% abaixo da média nacional.

A relação de troca entre boi magro e boi gordo apresentou o valor médio nacional, no período atual, de 1,42. Este valor foi 4,87% acima do observado no período anterior, de 20/09 a 18/10, que foi de 1,35. Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram relação de troca acima desta média. Por outro lado, os estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul permaneceram abaixo da média nacional. O estado de São Paulo, durante todo o ano de 2010 e, como observado em 2009, está sempre com a pior relação de troca para esta categoria e, no período atual, pode-se apenas adquirir 1,36 bois magros com a venda de um boi gordo.

 

Andrea Brasil e Rodrigo Paniago Boviplan Consultoria