Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

Escolha do leitor

Dietas de ALTO GRÃO

Domênico Arruda* e Marcio Bonin**

A crescente valorização da arroba nos últimos meses estimulou o interesse do produtor em acelerar a engorda do gado, produzindo mais e aumentando a lucratividade e giro de capital.

A utilização de dietas ricas em grãos energéticos inteiros aumenta o ganho de peso, favorece a deposição de gordura na carcaça, facilita o manejo estratégico dentro da propriedade e diminui o tempo de confinamento, encurtando, assim, o ciclo de abate. Alguns resultados satisfatórios são conseguidos com este manejo, porém, a utilização deste tipo de dieta têm sido muito relacionada à alta incidência de enfermidades metabólicas, mostrandose principalmente na fase de adaptação, com manifestações frequentes de acidose ruminal, também conhecida como acidose láctica.

Os prejuízos da acidose dependem da intensidade da ocorrência. Em geral, é facilmente visualizada e contabilizada nos quadros agudos, pois os animais doentes se destacam dos demais. Já na forma subclínica, os prejuízos são de difícil avaliação ou visualização pelo produtor, visto que são pouco perceptíveis e o prejuízo econômico só é contabilizado quando parte do lote demora mais tempo do que o esperado para atingir o peso de abate, ou ainda, pela desuniformidade de desempenho do lote.

As dietas para confinamento tradicionalmente são formuladas com a participação de 40 a 60% de volumoso (feno, silagem, forragens frescas e outros) e o restante com concentrado (cereais, resíduos e outros). A falta de padronização do volumoso (ponto de corte, número de corte, tamanho de partícula e porcentagem de matéria seca) pode afetar o desempenho dos animais devido à variação do consumo. As dietas de alto concentrado (acima de 70% de concentrado), estabilizam o consumo e apresentam a vantagem de reduzir os custos operacionais do confinamento, além de aumentarem a densidade energética, melhorando o ganho de peso e reduzindo os custos da arroba engordada; no entanto, requerem ainda alguma fonte volumosa. São mais seguras em relação à incidência de distúrbios metabólicos no rúmen, pela maior capacidade física em promover a ruminação, atribuída aos alimentos forrageiros.

As dietas de alto grão são aquelas que possuem acima de 65% de grãos inteiros (milho) na matéria seca da ração, sem a utilização de volumosos. A padronização da composição nutricional dos ingredientes concentrados permite uma predição de desempenho e um melhor controle do consumo diário de matéria seca. A grande dificuldade da aplicação deste tipo de dieta é a adaptação dos animais, uma vez que a maioria deles nunca tiveram contato com dietas concentradas, causando oscilações de consumo individuais que predispõe a uma maior incidência de distúrbios metabólicos, pela massiva concentração de carboidratados rapidamente fermentáveis presentes nos grãos, e que afetam o equilíbrio do pH ruminal, possibilitando a ocorrência de acidose. Uma forma de reduzir os potenciais problemas de adaptação é a adoção de técnicas como o pré-condicionamento e/ou programa de escada, associados ao uso de aditivos com ação tamponante no rúmen, evitando as flutuações de pH.

O pré-condicionamento consiste no fornecimento do concentrado ainda no pasto, 30 dias antes da entrada dos animais no confinamento. Já o programa de escada (21 dias) é realizada com os animais dentro do confinamento, seguindo os seguintes passos: 1ª semana - dieta com 58% de concentrado; 2ª semana - dieta com 68% de concentrado; 3ª semana - dieta com 78% de concentrado; 4ª semana em diante - dieta com 85% de concentrado. Estas medidas podem resultar em um aumento de até 8% no desempenho dos lotes.

As dietas de alto grão apresentam vantagens quanto ao menor emprego de mão de obra, maquinário, estruturas de armazenamento, área de plantio, praticidade de manejo da dieta, redução do tempo de confinamento e maior ganho de peso. São mais simples; todavia, apresentam um maior risco técnico e econômico. Enquanto que dietas com a participação de algum volumoso são mais seguras, o que proporciona um menor risco de desempenho e, consequentemente, uma maior segurança financeira. Visto que esta técnica exige um maior e mais cauteloso período de adaptação, comparamos os custos de um confinamento realizado com uma dieta de alto concentrado (85%) com um confinamento de alto grão:

- Dieta de alto concentrado: período de adaptação de 15 dias + 50 dias confinamento x R$ 3,70 custo/cabeça/dia da dieta = R$ 240,50 custo total.

- Dieta de Alto Grão: período de adaptação 20 dias + 50 dias confinamento x R$ 5,65 custo cabeça dia da dieta = R$ 395,50

Os diferentes tipos de dietas podem ser aplicados aos mais variados sistemas de produção, com bons resultados técnicos. Deve-se ponderar sempre as necessidades e facilidades, frente aos riscos e a rentabilidade de cada manejo.

*Supervisor Técnico Comercial da Connan
**Gerente Técnico da Connan