Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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O Confinador

MÃO DE OBRA no meio rural

Dizem que o trabalho no campo tem uma dinâmica diferente, também dizem que o trabalhador do campo é distinto. Quem diz isso tem razão, pois não é fácil trabalhar exposto ao sol, dia após dia, à mercê das mudanças do clima, com dias muito quentes e outros chuvosos. Então, por conta dessas extremas condições, vamos tratar aqui dos direitos do trabalhador rural. Mostrar como é possível oferecer dignidade e respeito ao profissional do campo.

Inicialmente, o empresário deve cumprir com as obrigações sociais e trabalhistas, das quais tratam a legislação. Assim, todos os funcionários devem ser registrados ou ter um contrato de trabalho formalizado, sendo o prazo máximo de vigência de 90 dias, devendo ao final os contratados serem admitidos ou demitidos. A legislação também aborda horas de trabalho, horas extras, alimentação, moradia e aviso prévio que devem ser observados no momento da contratação e/ou desligamento do funcionário, além das obrigações fiscais e tributárias.

Às vezes tem-se uma interpretação errada do termo “ambiente ótimo de trabalho”. Por exemplo, é difícil tentarmos comparar os afazeres em uma mineradora do que é feito em uma lavoura de café. Entretanto, para que os mineiros exerçam sua função de forma correta, sem oferecer risco a si próprio e aos demais companheiros, é tomada uma série de normativas e regras de comportamento e de obediência aos procedimentos de execução. Na lavoura de café, cana ou na produção pecuária não deve ser diferente.

Essas regras e procedimentos de execução de tarefas visam ao melhor andamento das atividades. Uma empresa bem estabelecida deve, em uma primeira etapa, treinar seus funcionários. Todo profissional, independente do setor que trabalhe dentro da fazenda, seja no administrativo, mecânica, operacional, segurança patrimonial, serviço geral ou doméstico deve receber instruções completas sobre como proceder nas atividades diárias. Às vezes, com cursos de capacitação e reciclagem, com equipamentos de proteção individual (EPI), necessários para a execução das tarefas; roupas ou uniformes limpos e em boas condições de uso, além de um ambiente seguro, que promova a proteção coletiva dos funcionários, como faixas sinalizadoras, extintores de incêndio, grades, boa iluminação, placas de identificação, entre outros. Portanto, promover a segurança no trabalho é indispensável para colher um bom resultado dentro da empresa.

A saúde dos trabalhadores também é um item que deve ser acompanhado. Dessa forma, instruções sobre higiene, saúde pessoal e pública, disponibilização de kits de primeiros socorros e correta orientação sobre manipulação de substâncias perigosas a saúde precisam ser repassadas aos funcionários.

A interação entre o administrador e funcionários é algo que enriquece a empresa. Reuniões periódicas para discussão sobre o trabalho, proposição de metas, formas de atuação e divisão de trabalho podem solucionar alguns problemas que no dia a dia não são possíveis de serem observados. Em um encontro como esse, é possível notar aptidões especificas de certas pessoas e o nível de satisfação e entendimento do ofício. Para o administrador ou proprietário rural, essa é uma ferramenta que pode ser utilizada para entender melhor as pessoas e assim obter uma vantagem competitiva, auxiliar na construção de um planejamento mais coeso e ter uma administração mais pró-ativa.

Na empresa rural, é comum os funcionários residirem na fazenda onde trabalham, pois, em muitos casos, são lugares distantes de centros urbanos ou então de difícil acesso. É necessário que o trabalhador esteja bem alojado, em residência bem construída, limpa e segura. Em casos onde o funcionário resida com sua família, o administrador da fazenda tem um papel social muito importante, como um agente facilitador ao acesso de cultura e lazer, principalmente às crianças, a quem deve ser dado ao estudo a máxima prioridade.

Algumas práticas, portanto, estão altamente relacionadas com o desempenho produtivo dos funcionários na empresa. O correto direcionamento dos funcionários às atividades que exercerão, o treinamento recebido, avaliação dos resultados, remuneração e desenvolvimento do trabalho associam-se diretamente à descoberta de conhecimento, habilidades e atitudes dos funcionários. Refletem em motivação, pode-se descobrir lideranças e ao final promove-se desempenho organizacional satisfatório.

Pensando em tudo isso, a ASSOCON tem dentro de seu programa de boas práticas em confinamento, o PQA ASSOCON, o módulo de Responsabilidade Social. Essa ideia já tem algum tempo, com o surgimento de novas demandas e a maior pressão por transparência nos negócios, as empresas são forçadas a adotar uma postura mais responsável nas ações.

O mercado deve prestar contas aos seus funcionários e aos outros agentes. Um diálogo mais participativo representa uma mudança de comportamento e significa maior legitimidade. Hoje, se preconiza mais transparência, assim, é necessário divulgar suas performances sociais e ambientais, os impactos da atividade e o que vem sendo feito para mitigar esses efeitos e prevenir acidentes.

Com o crescimento do consumo responsável, empregador e empregado se tornam cúmplices para uma produção segura e equilibrada, que não vá contra aos valores morais e legais que regem a sociedade.