Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Aftosa

Erradicação exige um fundo PRIVADO SUPLEMENTAR

A erradicação da aftosa avançou muito no continente nas últimas décadas graças à grande cooperação público-privada.

A evolução no Brasil foi enorme, todavia são necessárias medidas baseadas em sorologia para eliminar as áreas de risco do Nordeste e da Amazônia Setentrional. A situação no Pará evolui para incluir Marajó e o restante do Sul do estado em área livre com vacinação. No Amazonas e na calha do Rio Amazonas, o programa sorológico está em franca expansão. O Amapá tem sido prioritário e em Roraima o programa cresce bem há vários anos.

Com os investimentos oficiais na Amazônia e no Nordeste estamos acelerando o processo para incluir estas regiões no status de livre com vacinação. A aftosa está presente na Venezuela e Equador, além de se mostrar inadequadamente avaliada na Bolívia. Nestes três países a integração de trabalhos públicos e privados é quase inexistente.

A Organização Pan americana de Saúde (OPAS), através do PANAFTOSA, está coordenando no continente e com outras organizações internacionais a elaboração de novo programa hemisférico de erradicação, provisoriamente batizado de PHEFA II. Este vai priorizar Bolívia, Equador e Venezuela, bem como ampliar a vigilância para evitar recidivas nos demais países do continente, muitos dos quais devem fazer a retirada gradual da vacinação.

Com relação à Bolívia questionase a falta de transparência nas ações governamentais, mas o Brasil e demais membros do MERCOSUL estão investindo no apoio e melhoria da infraestrutura sanitária O FOCEM, do MERCOSUL , tem priorizado investimentos principalmente nas províncias de Santa Cruz de la Sierra, Bení e Tarija, onde se constrói até mesmo currais para manejar o gado nas áreas carentes. O Ministério da Agricultura e o setor privado brasileiros nos últimos anos doaram vacinas ao governo boliviano. O setor privado brasileiro também tem colaborado com pequenos criadores bolivianos de comunidades carentes do Bení, que faz limites com Rondônia, inclusive com a doação de animais.

O PHEFA II foi debatido em 15 de Novembro passado em Montevidéu, Uruguai, e deverá ser submetido à aprovação da Comissão Hemisférica da Febre Aftosa- COHEFA, em reunião no Rio de Janeiro, em meados de dezembro.

Está claro, entretanto, que haverá necessidade suplementar de recursos. A retirada ampla da vacinação no Brasil depende de uma situação segura do programa nos países vizinhos, especialmente na Bolívia. Este pensamento é comum aos demais países do cone.

Embora os criadores e o governo brasileiro venham investindo grandes somas na erradicação, temos de nos livrar do contingenciamento de verbas oficiais já escassas e vencer a falta de recursos privados, principalmente nas regiões onde a pecuária não tem grande expressão econômica.

Quando presidimos o GIEFA sugerimos sem sucesso um fundo de apoio à erradicação, baseado na contribuição de um dólar por tonelada de carne exportada pelo Cone Sul.

Na fase final em que estamos adentrando, torna-se essencial recursos suplementares para ações objetivas em certas áreas do País e em países vizinhos menos favorecidos. A OPAS também tem limitações e tem recusado aumentar sua contribuição. Quer se restringir única e diretamente à saúde humana. Governos são lentos e limitados, ainda mais quando os recursos serão aplicados em outro países.

Um fundo privado, baseado em percentual ou num valor fixo sobre o preço da vacina, seria de fácil viabilização e asseguraria às áreas carentes do Brasil e dos vizinhos os recursos necessários.

A administração deste fundo poderia ser exercida por representantes do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC), do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA (FNPPC/CNA) e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN).

A aplicação seria sempre feita com base em planos aprovados também pelas autoridades sanitárias brasileiras e, no caso de trabalhos internacionais, pelo PANAFTOSA.

Com isto, apoiaremos a Bolívia em seu programa, reforçaremos nossas defesas em pontos mais críticos, incluindo as fronteiras, e divulgaremos o progresso da erradicação no cenário internacional.

Iniciativa desta ordem daria resultados efetivos rapidamente e viabilizaria a erradicação continental no curto prazo.

Sebastião Costa Guedes Membro do Grupo Interamericano para Erradicação da Aftosa (GIEFA)

Sebastião Costa Guedes
Membro do Grupo Interamericano para
Erradicação da Aftosa (GIEFA)