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O País jogando contra

A crise econômica e a Operação Carne Fraca acertaram em cheio o segmento de avicultura no início de 2017. Felizmente, o Brasil retomou os níveis de exportação e, ao final, os impactos na participação brasileira no mercado foram mínimos. E as exportações no ano poderão crescer 1%

Jorge Correa

O primeiro semestre de 2017 foi o mais desafiador e impactante da história do setor de proteína animal do Brasil. Além da crise da economia nacional, as investigações da Operação Carne Fraca, anunciadas em março, golpearam fortemente o setor. A crise na imagem provocou a suspensão dos embarques para diversos mercados. Outros suspenderam parcialmente as importações das plantas envolvidas na investigação. Para o presidenteexecutivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, a solidez e a qualidade do sistema produtivo brasileiro foram colocadas em xeque de forma equivocada.

Após o trabalho promovido pelo Governo Federal, com o apoio da ABPA – em relação a aves e suínos – os esclarecimentos foram prestados. No início do segundo semestre, segundo o dirigente, poucos embargos totais perduram. As suspensões em vigor, em sua maior parte absoluta, se referem às 21 plantas (dentre elas, quatro exportadoras de aves e de suínos) que foram suspensas, após determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Conforme levantamentos feitos pela ABPA, os embargos totais em vigor (oficialmente informados) representam o equivalente a 0,4% dos embarques de carne de aves (conforme números de 2016).

Quase quatro meses após a Carne Fraca, foram verificados, nos mercados internacionais, níveis de exportação próximos ao período anterior à operação. Em junho de 2017, os embarques de frango seguiram em ritmo superior à média geral do ano anterior. “Tivemos uma expressiva retomada do ritmo das vendas desde os impactos decorrentes dos equívocos da divulgação da Operação Carne Fraca. Em relação a maio, o desempenho de junho, em toneladas, foi 6,2% superior. Já em relação a abril, imediatamente após a operação, os embarques de junho apresentaram elevação de 15,1%”, informa o dirigente. Nesses dois meses, os impactos decorrentes da Operação, especialmente em relação aos dias de suspensão aplicadas logo após a divulgação da Operação (pouco antes da conclusão dos esclarecimentos apresentados pelo Ministério) foram absorvidos nas vendas internacionais. Os impactos na participação brasileira no mercado internacional foram mínimos.

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Ajuda da Influenza Aviária — Um fator negativo em outros países beneficiou os brasileiros. A menor oferta internacional de produtos decorrente de diversos fatores – como focos de Influenza Aviária – representou uma melhora no preço internacional do setor. “Isso permitiu que o setor avícola obtivesse níveis de receita cambial favoráveis, especialmente neste momento em que nossas exportações se reorganizavam após as suspensões dos embarques”, enfatiza Turra. Conforme levantamentos feitos pela ABPA com base em dados informados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), 22 países permanecem com focos ativos de Influenza Aviária. Desde novembro de 2016, 55 países registraram focos da doença. Com esses números, tendo em vista o corrente trabalho de recuperação da imagem internacional do setor, a ABPA prevê um saldo final do ano com crescimento, em volumes, de 1% para carne de frango.

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A receita dos embarques de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura, processados e embutidos) entre janeiro e junho de 2017 superaram em 5,9% o total obtido no mesmo período do ano anterior: foram US$ 3,585 bilhões, contra US$ 3,384 bilhões. Em volume, houve retração de 6,4% na comparação entre os primeiros semestres de 2017 e 2016. No total, foram 2,121 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2017, frente a 2,266 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.

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Principal destino da carne de frango brasileira, o Oriente Médio importou 716,5 mil toneladas, volume 10% inferior ao registrado no mesmo período anterior. A Ásia, em segundo lugar, importou 667,6 mil toneladas, resultado 9,9% inferior. Já os embarques para a África cresceram 12,1% no primeiro semestre de 2017, para 306,3 mil toneladas. Quarto principal destino, a União Europeia importou 173,2 mil toneladas no período, número 13,5% inferior ao obtido no mesmo período do ano passado.

Para o analista Fernando Henrique lglesias, do Departamento de Produção de Safras e & Mercado, a avicultura de corte brasileira atravessa um período de transformação. O setor se deparou com alguns sobressaltos no primeiro semestre de 2017, mas a expectativa para o segundo semestre era de maior otimismo, especialmente em relação às exportações. “O Brasil segue incólume de Influenza Aviária, enquanto outros países ainda se deparam com evidentes dificuldades nesse sentido, caso dos EUA, da Europa e da Ásia. No mercado interno, a economia brasileira ainda se depara com instabilidades, não permitindo grandes avanços no consumo”, destaca. Portanto, na sua avaliação, o setor segue dependendo das exportações para alavancar as receitas.

Apesar das dificuldades, o pesquisador Dirceu Talamini, da Embrapa Suínos e Aves, apresenta boas novidades para o setor avícola. Para ele, como a oferta apresenta baixa elasticidade, e a diferença entre a produção e as exportações deve ser absorvida pelo mercado interno. Nesse caso, o consumo por habitante, se crescente, transforma-se em uma força que impulsiona o crescimento da produção. A competição em preços no mercado interno ocorre basicamente entre as carnes de aves, bovinos e suínos, com vantagem para a primeira.

Estudo da Embrapa no período 2015-2017 revela que a carne de frango já representa 46% do consumo dos brasileiros, superando a bovina (39%) e a suína (15%). Essa é a mesma ordem quando é avaliado o consumo per capita/ano. “Considerase que, no longo prazo, fatores como preço e qualidade, principalmente, determinam o consumo de cada uma das carnes. O produto que apresentar preço menor e que melhor se adapte às exigências do consumidor quanto à qualidade terá a preferência”, pondera Talamini.

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