A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques - Cooperativismo

COOPERAÇÃO mensurada em bilhões

Coamo prevê uma receita superior a R$ 12 bilhões em 2016, fruto do trabalho de funcionários e mais de 28 mil associados


A Granja do Ano — Qual sua avaliação da produção, produtividade e rentabilidade do associado da Coamo na safra 2015/16?

Aroldo Galassini — No ano passado, tivemos uma boa safra em volume, produtividade do cooperado e de bons preços também. Essa situação de bons preços vem de uns três, quatro anos. Os preços têm sido bons. O reflexo disso foi que os cooperados se capitalizaram bem e a cooperativa também aumentou o faturamento, e tivemos um bom retorno aos cooperados. Então, foi um ano muito bom. O clima foi normal. De modo geral, não tivemos nenhum problema nas lavouras de verão de soja e milho. Tivemos um bom ano e um bom resultado.

E nesse período, quais foram as principais conquistas da Coamo?

Tivemos muitos investimentos. Foram criados alguns entrepostos e, principalmente, ampliações e modernizações de outros, melhorias de modo geral. Sempre com o objetivo de aumentar a velocidade de recebimento dos cooperados, evitando filas. E o grande acontecimento foi o moinho de trigo, um investimento de R$ 100 milhões com capacidade para produção de 500 toneladas/dia, e em quatro meses atingimos a total capacidade de produção. Conseguimos rapidamente atingir a capacidade dele. Foi um investimento bom e deu resultados, e ajudou muito o cooperado com o preço do produto. Em termos industriais, o moinho de trigo foi o grande investimento.

E quais as metas, o planejamento da Coamo para o restante de 2016 e para os próximos anos?

Nós fizemos um plano para quatro anos de um investimento de R$ 1 bilhão, aprovado em assembleia. São três novos entrepostos, a ampliação do Porto de Paranaguá/PR, com investimento de R$ 154 milhões, e o investimento em uma indústria de esmagamento de soja e uma indústria de refinaria de óleo de soja. São duas indústrias no valor de mais ou menos R$ 650 milhões, em Dourados/MS. Já temos o terreno, estamos fazendo as licenças ambientais, e começaremos a obra assim que for possível. Esse é o nosso grande investimento.

E qual o planejamento e as perspectivas do associado da Coamo para a safra 2016/17? Ele vai investir, ele está otimista?

O cooperado sempre se empolga mais com a lavoura de verão. É uma safra mais tranquila, com menos riscos climáticos como se tem na do trigo, por exemplo. Mas mesmo assim acho que ele vai aumentar um pouco o plantio de soja em relação ao plantio do milho. O Brasil vai plantar 33 milhões de hectares de soja, e milho verão é plantado pouco, 5,5 milhões de hectares. Mas o milho de inverno é plantado em mais ou menos 10 milhões de hectares.

Aroldo Galassini é diretor presidente da Coamo

Eu acho que, de novo, a soja, que atingiu grandes preços este ano, vai empolgar mais o cooperado. Até por observar a compra de sementes e tudo o mais. Mas o produtor não planta mais grandes volumes de milho, principalmente daqui do Paraná em direção ao Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e Goiás Para o Sul do Paraná, não dá milho de segunda safra.

Mesmo com os bons preços do milho, o cooperado não se empolgou em aumentar muito o plantio de milho, mesmo com as duas safras. Então, vai plantar mais área de soja. O percentual ainda não sabemos porque não levantamos ainda. E eu acho que o produtor está bastante otimista quanto à rentabilidade, porque neste ano teve um preço muito alto, apesar de que agora está caindo um pouco. É que a safra americana parece que até agora não teve maiores problemas, e pode não ser como no ano passado, quando os preços atingiram níveis elevadíssimos.

Mas mesmo assim o cooperado está tranquilo, o produtor da nossa região está bem capitalizado. Nossa inadimplência é baixíssima, ao redor de 0,41%, e isso demonstra que ele está bem capitalizado. O cooperado está empolgado com o preço da soja, que não é ruim em relação ao custo de produção e, mesmo tendo caído um pouco, ainda é um preço bom. Já fizemos o fornecimento de insumos e vemos um preço mais baixo do que no ano passado, em torno de 8% a 10%, graças ao período em que nós compramos e fornecemos ao cooperado. Vai ser um ano bom para o cooperado, se Deus quiser.