A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques - Pesquisa

RAINHA da agricultura tropical

A Embrapa transformou a agricultura brasileira e não para de desenvolver tecnologias que fazem bem ao Brasil e ao mundo


Embrapa

• Sede: Brasília/DF
• Unidades: 47
• Funcionários: 9.713
• Pesquisadores: 2.444
• Orçamento 2016: R$ 3,046 bilhões


A Granja do Ano — O ministro Blairo Maggi diz que o controle de pragas é um dos desafios atuais da agricultura. A Embrapa tem tradição nessa área. Quais as principais iniciativas atuais?

Maurício Lopes — Fazer agricultura na região tropical é desafiador. É preciso combinar práticas de controle e manejo de pragas envolvendo grande número de conhecimentos e tecnologias, aplicados de forma integrada e sinérgica, o chamado Manejo Integrado de Pragas, ou MIP. A Embrapa é detentora de amplo acervo de conhecimentos na área e continua investindo em pesquisas para ampliação de alternativas nos mais variados cultivos. Além disso, a Embrapa tem procurado avançar no desenvolvimento de cultivares resistentes ou tolerantes a pragas, investindo tanto no melhoramento genético convencional quanto nas inovações de base biotecnológica, como a transgenia.

Quais as propostas da Embrapa para mitigar os efeitos das alterações climáticas?

A Embrapa desenvolve estudos sobre os impactos das mudanças climáticas na agricultura desde 2000, com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que impactou de forma profunda a expansão da agricultura brasileira com excelente padrão de gestão de riscos. Em 2012 criamos um portfólio com 146 projetos envolvendo cerca de 600 pesquisadores, inclusive de organizações parceiras para adaptação da agropecuária a uma realidade de mudança de clima.

O foco principal é na sustentabilidade para os sistemas agrícolas. Teremos que priorizar tecnologias que permitam a adaptação da agricultura a situações de seca e estresses hídricos, em função das constantes ocorrências de extremos climáticos, como o que vivemos agora, com intensa seca em partes do Brasil.

Qual sua avaliação sobre a estratégia da Caravana Embrapa para levar informação sobre a helicoverpa aos agricultores?

Durante meses, a Caravana Embrapa de Alerta às Ameaças Fitossanitárias percorreu o Brasil para debater e apresentar soluções para enfrentar as principais ameaças fitossanitárias. Foi uma estratégia muito bem-sucedida, que aproximou a pesquisa dos agricultores, extensionistas, técnicos, lideranças no próprio local onde atuam.

Maurício Lopes é diretor-presidente da Embrapa

Tivemos pelo menos 5 mil participantes capacitados a se tornarem multiplicadores das soluções para essa e outras ameaças. Mais do que orientações e técnicas, a Caravana reforçou a importância do manejo integrado e a conscientização sobre a necessidade de uma atuação envolvendo pesquisa, assistência técnica e agricultores. Creio que fomos muito bem-sucedidos e estamos programando outras campanhas semelhantes.

Como dialogar com produtores em um momento de profundas transformações nas formas de comunicação?

Com a revolução digital, novas formas de trabalho e negócios estão surgindo. A tecnologia da informação tornou-se parte integrante da estratégia e dos processos de produção da Embrapa. É preciso comunicar as soluções de forma cada vez mais eficiente, usando meios sofisticados que os disseminem de forma rápida junto aos interessados. Estamos investindo em conteúdo adaptado a múltiplas plataformas, incluindo hotsites, mídias sociais e aplicativos para equipamentos móveis, como celulares, de forma a facilitar o acesso dos interessados às informações geradas pela Empresa, além de manter e fortalecer as estratégias e os sistemas de comunicação e interação eficientes para conectar a Embrapa ao mundo rural, aos consumidores e aos tomadores de decisão.