A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques - Trigo

O RESPEITO que o trigo merece

Apesar de problemas climáticos, a C. Vale projeta crescer 30% em 2016 e atingir o faturamento de R$ 7,2 bilhões


C.Vale Cooperativa Agroindustrial

• Sede: Palotina/PR
• Número de associados: 18.300
• Associados triticultores: 1.787
• Municípios presentes: 71
• Faturamento em 2015: R$ 5,5 bilhões
• Faturamento em 2016 (previsão): R$ 7,2 bilhões


A Granja do Ano — Qual a expectativa do associado em relação ao trigo?

Alfredo Lang — O trigo é a solução agronomicamente mais correta para combinar com a soja, por ajudar no controle de plantas daninhas. No entanto, por questões de preço, de um sistema mais eficiente de seguro agrícola e por falta de prioridade de nossas autoridades, vem perdendo espaço para o milho safrinha, que tem se mostrado mais rentável.

A gente não vê indicações de que essa situação vai mudar tão cedo. A rentabilidade da safra deste ano só vai ser conhecida aos 45 do segundo tempo. Considerando-se que a meteorologia prevê geadas tardias, será preciso aguardar a colheita para se saber se o trigo será rentável ou não em 2016.

E sobre as demais atividades, tanto de agricultura e pecuária, quais as projeções e expectativas dos associados da cooperativa para o ano agrícola 2016/ 17?

Nossa projeção é ampliar o faturamento em aproximadamente 30% este ano, apesar da retração da economia. Tivemos uma boa safra de soja no verão e preços atrativos que permitiram bons resultados. No caso do milho safrinha, o desempenho não foi tão favorável. Tivemos problemas com estiagens em abril, excesso de chuvas em maio e geadas em junho. Quem conseguiu plantar cedo se saiu melhor e conseguiu boa rentabilidade. Mesmo com a quebra da safrinha, esperamos crescer 30% em 2016. Faturamos R$ 5,5 bilhões em 2015 e queremos chegar a R$ 7,2 bilhões este ano. É um desempenho expressivo para um ano de grande retração na economia brasileira.

O que representou e representará para a C.Vale a aquisição da Marasca, sobretudo pela expansão ao Rio Grande do Sul? O que representará no faturamento da cooperativa?

O Rio Grande do Sul nos dá a oportunidade de continuarmos nossa expansão. É uma região promissora. Em um cenário de economia globalizada e empresas se unindo para ganhar força, você tem que buscar o crescimento constante. Nossa chegada ao Rio Grande do Sul nos permite ampliar a escala de produção e isso é importantíssimo em um segmento com grandes competidores como é o agronegócio.

Alfredo Lang é presidente da C. Vale

Estamos sendo bem aceitos pelos produtores gaúchos, até pela origem da C.Vale, que tinha agricultores gaúchos entre seus fundadores. Apostamos em uma relação de confiança, levando assistência técnica, crédito, insumos e recebendo a produção de soja, milho e trigo dos associados.

Que reflexo o atual momento político e econômico conturbado do Brasil tem sobre os negócios da C.Vale e de seus associados?

A indefinição política e a retração da economia freiam os investimentos. Tivemos que repensar o cronograma de investimentos à espera de juros menores já que as taxas subiram bastante nos últimos dois anos. O único investimento de maior vulto que mantivemos foi a construção de um frigorífico para peixes, porque havíamos contratado os recursos antes da alta dos juros. Outro efeito da crise é a redução das margens de lucro, principalmente dos produtos do varejo, como a carne de frango. A alta dos preços do milho e da soja aumentou os custos de produção, mas a queda do consumo impediu o repasse desse custo extra. A principal luta das empresas, em 2016, é conseguir rentabilidade.